![]() Infirmary
Original:Infirmary
Ano:2026•País:EUA Direção:Nicholas Pineda Roteiro:Nicholas Pineda, Katy Krauland Produção:Katy Krauland Elenco:Paul Syre Lee, Mark Anthony Williams, Danielle Kennedy, Corinna Wagner-Smith |
Faz muito tempo que o estilo found footage respira por aparelhos. Acompanhar jovens na investigação de lugares assombrados, documentários de influencers e registros amadores — mas lineares para compor uma narrativa lógica — são recursos que já estão bastante desgastados, e seus realizadores não sabem mais onde colocar câmeras para apresentar um respiro de novidade. Se peneirarmos os últimos 27 anos, são poucas as produções que se destacam em uma floresta de árvores secas e ideias recicladas. Infirmary está na galeria das tentativas de trazer algo novo, com uma produção acertada, de poucos envolvidos, uma ambientação estranhamente curiosa e manequins vivos. Mas ficou só na tentativa.
A estrutura é até dinâmica, com o uso de câmeras corporais e de vigilância, permitindo que uma situação seja acompanhada de vários ângulos. O internauta mais atento vai estranhar a qualidade de registro de som das câmeras fixas, e até as tomadas feitas pelas câmeras penduradas no corpo, que capturam imagens em boa qualidade dos rostos e dos corredores explorados. Realmente seria incômodo se elas mostrassem os personagens apenas pelos ombros em distâncias curtas ou se houvesse aquele típico chacoalhar das imagens em cenas de correria — recursos que as deixariam mais próximas de uma captação real. Mas é um filme. O longa não quer ser um novo A Bruxa de Blair, apenas provocar alguns arrepios.
Na proposta de Katy Krauland e do diretor Nicholas Pineda, em seu primeiro longa, o hospital psiquiátrico Wilshire Infirmary, em Los Angeles, está abandonado e prestes a ser demolido. Mesmo condenado e com um passado de torturas e experimentos estranhos — sim, você já viu isso antes em vários exemplares como A Casa da Colina (1999) —, é preciso tomar conta do espaço para evitar que usuários de drogas invadam para roubar medicamentos. Não seria mais fácil extrair o que tem de “valioso” em vez de contratar dois seguranças para um prédio que não existirá mais em breve? Para garantir a preservação do local, o ex-fuzileiro naval Edward Yoon (Paul Syre Lee), estranhamente franzino como observa o supervisor de segurança Lester Wooley (Mark Anthony Williams), é contratado para ajudar a inspecionar o prédio.
Após um contato inicial com o brusco Lester, Edward conhece a gerente do prédio, Ambrosia Downey (Danielle Kennedy), que parece a possuída de A Filha do Mal (The Devil Inside, 2012). Ela estranha algumas irregularidades do passado do novo segurança, mas permite que ele comece a trabalhar na mesma noite. Nesse percurso entre a sala da gerência e o retorno ao setor de vigilância, Infirmary tenta evidenciar que o local é assombrado pelo piscar de algumas luzes e uma porta que se abre sozinha — sim, as assombrações de todos os filmes desse subgênero começam meio devagar para que a narrative tenha a duração necessária.
Lester conduz o funcionário para um tour no edifício, contando aos poucos que os administradores realizavam experimentos esquisitos por lá — a parte mais importante ele deixará para depois, claro. Os arrepios estão condicionados aos vários manequins vistos numa capela e à câmera que flagra uma estranha movimentação entre eles. Como teste para a função, Lester diz para Edward deitar numa gaveta no necrotério e o tranca lá, somente para que ele e o espectador se assustem com uma cabeça decepada vista no leito vizinho, sem que você saiba como foi colocada lá. Para quem já esteve em qualquer parque de diversões ou viu as “pegadinhas de terror do SBT“, fica evidente que se trata de um adereço falso, servindo apenas para o propósito sem graça de Lester. Qualquer pessoa desistiria do emprego ali mesmo, mas Edward esquece o trauma (ele parece já ter alguns) e ignora outras situações estranhas pelo salário proposto.
Magia e possessão de manequins dão o tom sobrenatural de Infirmary. Assim como os bonecos de palhaço da franquia Hell House LCC, os daqui aparecerão em locais estranhos para perturbar Edward, fazendo-o acreditar que Lester é um chefe mais desagradável do que aparenta. Mas Edward também demonstra ter alguns parafusos a menos, “brincando” de guerra ou deitando-se em uma mesa de operações. Não se sabe por que o que assombra o prédio esperou tanto para finalmente mostrar a que veio; nem por que um intruso que invadiu o prédio é simplesmente esquecido até mesmo pelos seguranças. Mas é filme. E o que realmente interessa aos fãs de horror acontece nos dez minutos finais.
Em ritmo lento, mas com uma boa atmosfera de edifício assombrado, Infirmary só vai assustar mesmo quem nunca esteve em locais assim antes no subgênero. É apenas mais um derivado, longe de ser o experimento aterrorizante ao qual se propõe.





