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A Queda 2: No Limite
Original:Fall 2: Deadpoint
Ano:2026•País:EUA, UK, Austrália
Direção: Michael Spierig, Peter Spierig
Roteiro:Jonathan Frank, Scott Mann
Produção:David Haring, James Harris, Mark Lane, Scott Mann, Christian Mercuri
Elenco:Harriet Slater, Arsema Thomas, Tom Brittney, Virginia Gardner, Sahajak Boonthanakit, Korakod Yensuk, Jordan Coleman, Maryna Bennett, Noen Perez

A Queda foi uma das boas surpresas de 2022. Ninguém esperava que o thriller acrofóbico fosse se destacar entre produções mais chamativas como Pânico 5, O Telefone Preto, Noites Brutais e Pearl, mostrando-se ousado e perturbador. Com uma ambientação única, poucos personagens e uma pontinha de Jeffrey Dean Morgan, o longa de Scott Mann — que custou apenas US$ 3 milhões — fez sucesso em sua breve passagem pelos cinemas, surpreendendo até mesmo a Lionsgate quando adquiriu o filme para distribuição.

Arrecadando mais de 18 milhões de dólares e figurando entre os títulos mais vistos na Netflix, o filme ganhou sinal verde para duas sequências simultâneas ainda em 2023. A primeira delas, A Queda 2: No Limite, chegou aos cinemas mundiais em 3 de setembro. Desta vez, a direção ficou a cargo dos irmãos Spierig, distantes da função desde A Maldição da Casa Winchester (2018).

A primeira pergunta que surge está relacionada à proposta: é possível repetir o sucesso, provocando novas sensações de vertigem, sem precisar repetir as principais ideias do original? Scott Mann e Jonathan Frank assumem novamente o roteiro, preocupando-se em estabelecer uma conexão com o primeiro filme a partir da personagem de Virginia Gardner, Shiloh Hunter. Para quem não se lembra, uma das grandes sacadas de A Queda foi “enganar” o espectador a respeito da sobrevida da garota, que na verdade era parte das alucinações de Becky Connor (Grace Caroline Currey). Nesta parte 2, quem assume o protagonismo é a irmã da falecida, Jax (Harriet Slater), que convive com um misto de culpa e luto pela perda e está disposta a deixar o passado para trás doando seus pertences — incluindo um diário de aventuras.

Shiloh se tornou uma celebridade quando os registros de sua escalada à torre de TV B67 viralizaram entre outros influencers. Jax não compartilha do mesmo espírito de ousadia e aventura, mas é convencida pela melhor amiga da irmã, Luce (Arsema Thomas), a homenageá-la realizando sua missão seguinte: um passeio pelas tábuas do Monte Kwan, na Tailândia — um local fictício em referência ao Monte Huashan, na China, muito frequentado por aventureiros. O objetivo é alcançar uma estátua de dragão na “Death Dragon Trail” que, de acordo com as lendas locais, é capaz de devorar os medos daqueles que concluem a travessia. Jax carrega nas lembranças um salto traumático de paraquedas ao lado da irmã, que sempre tentava fazê-la ir além de seus limites.

Para a jornada, elas buscam um guia em um bar local e são alertadas pelo barman de que a região é proibida nessa época do ano devido aos constantes terremotos. Porém, ao mencionarem “Icarus on the Rocks” — anotação encontrada no diário de Shiloh —, as garotas são levadas a uma sala secreta onde conhecem aquele que as acompanhará na empreitada: Jon Platt (Tom Brittney, de Black Box). Na manhã seguinte, o trio parte para o percurso. A câmera dos irmãos Spierig recorre às mesmas técnicas do original: amplifica o som das madeiras soltas e parafusos frouxos, utiliza enquadramentos abertos em drone, inclui o som dos ventos uivando nos alto-falantes e aposta em planos plongée (ângulos superiores, gravados de cima para baixo). Outras fórmulas do primeiro filme também se repetem, como o segredo guardado entre as garotas, o isolamento em um conjunto de tábuas (no tal “cotovelo do diabo“) e a mochila com itens essenciais deixada a uma distância inacessível.

Se na mansão assombrada de 2018 os diretores já haviam demonstrado dificuldade em transformar cenários limitados em um suspense fluido, aqui eles tentam compensar a falta de novidade dobrando a aposta na vertigem: não bastam o isolamento e o tom pessimista, é preciso acrescentar um elemento humano ameaçador para cumprir o papel do pássaro irritante do original. Apesar do esforço técnico e de mais recursos visuais — como as belíssimas paisagens —, A Queda 2 até entrega certas doses de tensão nas arriscadas tentativas das garotas de encontrar uma saída, seja saltando entre barras de ferro ou usando uma lanterna. Contudo, o filme falha pelo fato de a ambientação não ser uma torre isolada; aqui, elas estão mais “seguras” pelo apoio da própria montanha, bem diferente da experiência angustiante e a céu aberto vivida por Shiloh e Becky.

Quando o cenário esgota todas as alternativas de tensão, o último ato parte para outro desafio nas alturas, repleto de madeiras rangendo e parafusos soltos, em um momento em que as reviravoltas já não surpreendem — em parte pelas explícitas “cordas de segurança narrativa“. Ora, o espectador mais atento percebe desde o início que a reportagem exibida no barco não entrou em cena por acaso, assim como as lembranças da infância de Jax e Shiloh seriam testadas em algum momento.

Mesmo sem ser o desastre que se poderia imaginar, A Queda 2 sofre com a inevitável sensação de ser uma continuação movida pelo oportunismo financeiro. Se o primeiro longa foi um produto altamente lucrativo, por que não emplacar uma trilogia de aventuras para o terror dos acrofóbicos? Resta saber se o terceiro capítulo terá a coragem necessária para ousar e fugir do lugar-comum da fórmula inicial, ou se finalmente entenderá que, após a primeira queda, dificilmente alguém arriscaria pisar no mesmo chão incerto sem tomar mais cuidado.

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