
![]() Contatos de 4º Grau
Original:The Fourth Kind
Ano:2009•País:EUA, UK Direção:Olatunde Osunsanmi Roteiro:Olatunde Osunsanmi, Terry Robbins Produção:Paul Brooks, Joe Carnahan Elenco:Milla Jovovich, Will Patton, Hakeem Kae-Kazim, Corey Johnson, Enzo Cilenti, Elias Koteas, Eric Loren, Mia McKenna-Bruce, Raphaël Coleman, Daphne Alexander, Alisha Seaton |
“Olá, eu sou o ator Robert Kerman e estarei interpretando o Doutor Harold Monroe no filme que vocês verão agora, Cannibal Holocaust, este filme é uma dramatização de eventos que realmente ocorreram e para contar esta história o diretor incluiu sequências reais ao longo da projeção. Cada cena desta produção foi baseada em documentação real e através de longas entrevistas com o diretor, ao final a decisão é sua em acreditar ou não, mas tenha em mente que algumas cenas que vocês verão são realmente perturbadoras.”
Se a introdução como escrita acima fosse usada por Ruggero Deodatto na abertura de Cannibal Holocaust eu pessoalmente iria a Itália dar um soco nele. É com um monólogo risível, nonsense e mentiroso como este que Milla Jovovich abre o filme Contatos de 4º Grau, que estreou no Brasil em 1º de janeiro de 2010 (e por algum motivo na minha cidade só em fevereiro). Um dos mais irritantes filmes de abdução alienígena que já tive o desprazer de assistir – nem preciso dizer que este abre na dianteira na minha lista dos piores de 2010 – que se eu não tivesse reconhecido os nomes de Milla Jovovich (da cinessérie Resident Evil), Will Patton (Armageddon, 60 Segundos, O Justiceiro) e Elias Koteas (Anjos Rebeldes, Skinwalkers, Ilha do Medo) poderia jurar que estava vendo um thriller “arthouse” da Asylum. Todavia, antes de eu voltar aos motivos da minha fúria com apedrejamento e imolação em praça pública, vou falar um pouco do background da produção.
Olatunde Osunsanmi é um diretor praticamente desconhecido, rodou A Caverna em 2005, uma das muitas cópias de Abismo do Medo, lançado direto em DVD, mas desde 2004 Osunsanmi já vinha remoendo ideias que se tornariam Contatos de 4º Grau. A Universal Pictures deve ter achado que o diretor estreante tinha um bom roteiro nas mãos e bancou 10 milhões de dólares para seu primeiro filme para os cinemas, financiando uma tentativa maciça de fazer com que esta produção, notadamente fictícia, instigasse nas pessoas o sentimento de que tudo o que estão vendo é real. E não podemos dizer que a companhia não se esforçou: deu 20 mil dólares para a Alaska Press Club plantar obituários e notícias falsas sobre desaparecimentos e até o registro da psicóloga Abigail Tyler, a única personagem “real” do filme. Assim o filme lançado em 06 de novembro de 2009 rendeu 24,6 nilhões só nos Estados Unidos, o que configura seu sucesso comercial.
Se a gente pegar um parâmetro de comparação recente tanto no sucesso em marketing quanto nas bilheterias, Atividade Paranormal, de onde o diretor bebe muito da fonte, nota-se o exato reverso. Oren Peli, diretor de Atividade Paranormal, nunca precisou mostrar a cada cena que o que estamos vendo em cena é “baseado em fatos reais“, ele só fez uma boa filmagem sem se importar com o que o público pensaria sobre a veracidade disso. O filme de Osunsanmi (talvez por causa dos nomes conhecidos) praticamente joga a “realidade dos fatos” na cara do espectador sempre que tem oportunidade e você se sente enganado, pois nem é preciso esperar o filme acabar para concluir que tudo é uma grande farsa. Até aí – no fato de Contatos de 4º Grau tentar em vão enganar o público – não há muito problema, porém tem mais coisas que estragam ainda mais a produção que contarei mais abaixo.
Bem, o filme abre com o monólogo já citado de Milla Jovovich e corta para uma entrevista da “verdadeira” Abigail Tyler para o diretor Olatunde Osunsanmi onde ela reconta os acontecimentos. A entrevista supostamente aconteceu em 2002 e os fatos narrados são do ano de 2000.
Perturbada pela morte do marido em sua própria casa dois meses antes, Tyler se consulta com seu colega psicólogo, o Dr. Abel Campos (Koteas), que a coloca em hipnose para que ela lembre do que aconteceu. Ela volta aos eventos da noite fatídica: ela e o marido Will (também um psicólogo e fazendo pesquisas sobre fenômenos inexplicáveis em seus pacientes) dormem depois de transar e, acordando pela madrugada, vê o marido sendo repetidamente esfaqueado ao seu lado. Ela grita, mas não pode ver o agressor. Preocupado, o Dr. Campos a tira da hipnose e a encoraja a tirar umas férias. Ela recusa e diz que precisa terminar o trabalho que Will estava desenvolvendo, pois significava muito para ele.
Ela volta para a cidadezinha Nome, estado do Alaska, e filma sessões com três pacientes diferentes que tiveram a mesmíssima experiência: com dificuldades para dormir, cada um deles avistou uma coruja branca em suas janelas as encarando. Um dos pacientes relembra a mesma coruja a visitando quando criança, outro diz que mesmo com a janela fechada, a coruja entrou em sua casa.
Em seguida, a psicóloga vai para casa e janta com seus dois filhos, Ashley e Ronnie. Ronnie é um pré-adolescente mala que culpa sua mãe pela morte do pai e Ashley ficou cega após o choque com a tragédia. Mas não liguem para os dois, eles não são importantes. Mais tarde em seu quarto, Abigail liga o gravador para ditar os casos dos pacientes e cai no sono, no dia seguinte dá o equipamento para sua secretária reproduzir em papel.
Então, Abigail atende Timothy para uma nova sessão onde ele é hipnotizado para dar mais detalhes sobre suas visões. Ele conta novamente da coruja, porém fica agitado e histérico. A psicóloga interrompe a hipnose, contudo Timothy se recusa a contar o que viu de tão aterrorizante. Naquela madrugada ela recebe a ligação do Xerife August (Patton) e diz que Timothy está mantendo sua esposa e filhos na mira de uma arma, murmurando termos desconexos em uma língua desconhecida e pede ajuda.
Transtornado, Abigail não consegue conter o desastre e Timothy atira na família e comete suicídio. Discutindo o ocorrido na delegacia, o Xerife suspeita que as práticas da psicóloga foram responsáveis pela tragédia enquanto Abigail pontua que nos últimos três anos tem havido uma quantidade alarmante de desaparecimentos e mortes não resolvidas em Nome.
Dr. Campos voa até Nome para tentar convencer Abigail a descansar e, numa nova recusa, ele decide ficar para vigiá-la. Em outra sessão, agora com a presença de Campos, Scott (outro que também vê a coruja) é hipnotizado e também fica histérico, contudo a declaração do paciente é a primeira que gera suspeita sobre abdução alienígena, só que não é suficiente para convencer Campos que continua cético.
No dia seguinte, a secretária da psicóloga volta com a fita assustada, depois que Abigail dormiu com o gravador ligado, ouvem-se gritos e o pronunciamento de palavras numa língua estranha como Timothy antes dela. Revirando as pesquisas do marido, ela liga para o Dr. Odusami (Hakeem Kae-Kazim), especialista em povos antigos e seus hieróglifos. Ele diz que a linguagem é provavelmente suméria, considerada a primeira civilização da humanidade com forte ligação com supostas aparições alienígenas, e da fita compreende apenas algumas palavras: “ruína” e “destruir“.
E assim o filme segue, as coisas esquisitas continuam acontecendo e poucas revelações ou conclusões são efetivamente realizadas. Desta forma o Xerife August, outro cético, permanece suspeitando pesadamente da psicóloga e não tira os olhos dela e pretende levar o caso até as últimas consequências se for possível. No encerramento, outros “fatos” são apresentados: o FBI visitou Nome muito mais vezes que cidades maiores no Alaska, então o diretor e Milla lavam as mãos com uma espetacular conclusão (sim, estou sendo irônico): no final, se deve ou não acreditar, você decide.
Certo, por onde eu começo… Na tentativa de aumentar a veracidade dos acontecimentos, Contatos de 4º Grau usa um recurso inédito para mim e que prejudica a condução do roteiro. Entrecortar cenas “reais” com suas versões encenadas ou às vezes até colocando-as lado a lado. Há um motivo bem simples para que isso não tenha sido empregado em larga escala: não funciona. Na tentativa desesperada de vender realidade, o diretor esquece que é preciso causar emoção no público e usando dois (maus) atores para o mesmo personagem dificulta a empatia entre a história e o público.
Some a isso o fato de que Osunsanmi não devendo saber a diferença entre criar um clima “instigante” e criar um clima “moroso“, ultrapassa todas as barreiras para se levar a sério – ele se pensa o Orson Welles fazendo um filme de abdução alienígena – frio em todos os aspectos (e nem estou me referindo à temperatura de Nome) e como nenhum dos personagens possui qualquer atributo ou uma personalidade suficientemente marcante para que possamos nos importar com eles, coisas ruins acontecem e não causam efeitos maiores que bocejos. O elenco também não ajuda. Se os famosos só fazem cara de confuso ou aborrecido, os demais são naturalmente ruins, especialmente os das filmagens “reais“. A Abigail “real” é tão monótona e caquética que parece atuar dopada.
Outra coisa, você vê o pôster, assiste o trailer e vai com a cabeça cheia de esperanças pensando que vai ver um filme sobre abdução alienígena, certo? Errado! Nenhum alien aparece, aliás, nenhum OVNI é avistado por toda a produção. Pior, o roteiro só cogita em suspeitar de atividade alienígena aos 40 minutos de projeção, aquela “flutuação” do cartaz? Só depois de dois terços do filme passados… Na única chance que a película nos dá de vermos algo mais concreto da influência alienígena que a narração dos personagens, a câmera entra em “estática” e chega a ser hilário o personagem descrevendo o que nós deveríamos ver na tela: “Oh, meu Deus, tem algo flutuando sobre a casa! Está puxando uma pessoa pra fora da janela!!“. Sabe do que me lembrou esta cena? Um filme bagaceiro da Asylum onde o mínimo de efeitos especiais não é mostrado por falta de recursos.
Existem só duas coisas que salvam Contatos de 4º Grau da nota zero absoluta: a mitologia suméria da origem dos alienígenas e duas cenas – uma delas entregue de bandeja no trailer – de no máximo dois minutos cada em que os alienígenas falam pelo corpo dos abduzidos. Além de ser muito pouco para valer uma ida ao cinema, até os bons aspectos possuem ressalvas. Primeiro, a brevidade das explicações sobre os sumérios; segundo, os alienígenas são retratados como totalmente malignos e nenhuma explicação sobre porque estão cercando especificamente a cidadezinha de Nome, porque estão abduzindo as pessoas ou qual seu objetivo na Terra são mostradas – o diretor deve ter pensado que “menos é mais“, mas para mim é por pura e simples preguiça.
E terceiro e mais importante, [ATENÇÃO: Potenciais Spoilers no restante do parágrafo] a cena mais impactante, com cerca de 80 minutos de filme, lembra muito o encerramento de Atividade Paranormal pela força e pela incógnita com a câmera caída no fim da cena. Se terminasse naquele momento, seria um filme apenas medíocre, mas com um final muito bom. Só que o diretor estraga TUDO com as explicações da “verdadeira” Abigail! Pensei por 10 segundos: “Poxa, os aliens ficaram tão putos que levaram a psicóloga, o doutor e o especialista em sumério e só devolveram Abigail“, mas não, na cena seguinte Abigail diz: “Os aliens nos abduziram, mas nos trouxeram inteiros na mesma noite” e explica tim-tim por tim-tim tirando todo o mistério. Arhhhhgh!!!
Ao término, o que poderia ser só mais uma produção mal atuada, mal dirigida e mal roteirizada só fica pior por ser também mentirosa. Tenho plena consciência que se a Asylum aproveitasse a oportunidade para fazer uma versão “mockbuster” de Contatos de 4º Grau teriam um grande potencial de pela primeira vez fazer uma tralha melhor que sua fonte, mas, no final, se deve ou não acreditar em mim, você decide…







O povo fala tanto desse filme, que ficou sem dormir, que ficou com medinho… Quando assisti, me perguntei o pq de tanto auê, também não gostei das cenas lado a lado, falta de coerência, as imagens só terem início e depois só a narração e péssima narração, não tem desespero suficiente na voz que faça acreditar que é real. É um filme legal de assistir, mas nada incrível e nem assustador. A única coisa que me assustou foi a cara da Dra, que pensei que ela seria a alienígena do filme.
Acredito que esse filme seja real. Extraterrestres existem e estão entre nós. Existem muitas raças alienígenas no universo, e nem todas elas são boas. Fiquei impressionado com o filme e acredito que ele se baseia em fatos reais. Existe uma união de todos os governos do mundo para encobrir o verdade sobre a existência de Extraterrestres. Acredito na veracidade deste filme e recomendo para todos.
Observacao: É um filme que por se basear em fatos reais e mostrar cenas supostamente reais ( acredito que sejam verdadeiras ) é realmente perturbador e assustador. Para pessoas mais sensíveis cuidado ao assistir este filme. As imagens deste filme podem ficar marcadas em suas mentes. Clássico do terror e ficção científica.
Só descobri hoje que esse filme não é baseado em fatos reais, kkkkkkkkkkkkk. Esse filme me assustou por anos e hoje me sinto tão irritada quanto você na hora que escreveu essa crítica.
Cai de paraquedas aqui e vim ler a crítica ..e nossa a melhor coisa do filme foi não mostrar os aliens..foi um filme que me tirou o sono um dos únicos filmes que fiquei com medo de verdade ..
Bom, eu não tenho nada a reclamar sobre o filme, inclusive foi através dele que decide seguir a carreira de Psicologa pois fiquei encantada com a hipnose (regressão) praticada pela Psicologa.
Assista com a mente mais aberta que talvez você mude seu pensamento.
Esse filme é muito bom, ou vc esta de má vontade ou não intende da coisa. O filme se destaca exatamente pela discrição aterrorizante, sem sustos fáceis e sangue holywdiano.
O pessoal dos comentários se dividiram entre os que acham que o Gabriel Paixão é mal amado ou que não sabe nada de cinema. Agora fiquei mais curioso para ver essa tranqueira e quem sabe eu apenas volte para aumentar o coro dos injuriados! 😉
Xará, seu olhar sobre o filme é bastante relevante e tendo a concordar com vários pontos q vc colocou, mas tem um filtro de rancor aí muito esquisito hein
Mas talvez sua indignação tenha algum fundamento. Sua leitura é para a crítica do filme o que o xerife é para a narrativa do filme. Quanto a isso vou expressar uma única opinião sobre a carência q vcs dois têm de evidências:
O filme joga constantemente com a experiência do inclassificável. Da coruja q n é coruja, da fala alheia q também é pensamento proprio. N é um filme sobre aliens tanto quanto é um filme sobre lidar com a experiência de ser afetado pela presença deles. Acho absolutamente coerente n aparecerem os aliens, como parte dessa retórica q o filme sustenta da impossibilidade de compreender e aceitar a experiência que se está vivendo. O grau de nitidez do contato q o expectador tem é dividida entre o que falam as ‘vitimas’ e o que mostram as câmeras. Ele trabalha muito mal o segundo recurso, obviamente, mas diminuiria a força do primeiro se o expectador do filme tivesse uma visão nítida do q assombra as personagens, quando elas mesmas são incapazes de digerir essa nitidez.
Escreveu bedteira, esse filme é muito bom.
Que mágoa sem fim, hein gabriel!
Discordo de TUDO!
Essa crítica parece de alguém que assistiu o filme com aquela pessoa que vc achava que ia transar depois de assistir, e deu errado! Aí o filme fica “marcado” como uma porcaria! kkkk
Assim como a maioria dos comentários, o filme é ótimo e super prende a atenção!
A técnica de colocar a atuação ao lado do vídeo “real” funciona DEMAIS ! Eram as partes mais interessantes! Ridículo mesmo a pessoa detonar um filme claramente tendo motivações pessoais para fazê-lo!
Achei a crítica infeliz e forçada parece que o escritor usou sua frustração pessoal para descrever a película e esqueceu de analisar atentamente. Eu gosto muito desse filme e ele me botou medo como nenhum outro colocou, acho que filmes com sangue aliens e monstros não convencem mais, pelo menos não a mim.
Filminho razoável!
Eu achei esse filme muito assustador. Acho que o critico não entende de terror.
O fato de você discordar da opinião de alguém não significa necessariamente que esse alguém não entende do assunto, Luig 😉
não acredito em ets,mas até que esse filme é bem bacana.
Mas que texto infeliz esse hein? Então quando o filme não explica as coisas, ele é chato; quando explica é sem graça? Péssimo texto para descrever um filme tão marcante! Sei que muita gente não gostou desse filme porque ele foi vendido como sendo real. OK, mas por que ninguém ficou revoltadinho com a BRUXA DE BLAIR que se utilizou da mesma estratégia? CONTATOS DE 4º GRAU é um filme sinistro que mexeu naquele nosso velho medo de que eles podem existir e são extremamente malignos. Nota 10 para o filme!
Bem a bruxa de blair foi feito a decadas atras e sim se vendeu como real,mas naquele tempo era uma novidadeo filme nao so se vendeu como real mais pareceu mesmo real, enquanto em contatos de 4 grau se vendeu como real mas nao transmite essa sensação quanto as explicações acho que o texto quis dizer que o diretor decidiu nao explicar por que os “alieniginas” estão fazendo isso?, oque querem na terra? Tipo se o filme tivesse focado no misterio explicando o minimo possivel teria sido no no maximo legal,porém no final fica tudo tão “explicadinho” que perde o charme que ja nao tinha muito