Terror que Ladra 2: “Os Doberman Atacam” e “A Revolta dos Cães”

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A Revolta dos Cães
Original:Dogs
Ano:1976•País:EUA
Direção:Burt Brinckerhoff
Roteiro:O'Brian Tomalin
Produção:Allan F. Bodoh, Bruce Cohn
Elenco:David McCallum, Sandra McCabe, George Wyner, Eric Server, Linda Gray, Dean Santoro, Holly Harris, Sterling Swanson, Barry Greenberg, Michael Davis, Russ Grieve, Cathy Austin, Paul Paolasso

Histórias centradas em pequenas cidades sempre trazem bons resultados – Stephen King que o diga! Principalmente, quando o cenário apresentado traz tons apocalípticos como o longa de Burt Brinckerhoff, diretor de seriados como Barrados no Baile e Alf, O Eteimoso. Entre inúmeros trabalhos na TV, o cineasta foi o comandante em 1976 do terror A Revolta dos Cães (Dogs), desenvolvido a partir de um roteiro de O’Brian Tomalin, que só escreveu outra produção, em 78, Acapulco Gold. Apesar das avaliações negativas e de seu envelhecimento precoce, o filme é até divertido e ousado ao apresentar um banho de sangue numa história pessimista e interessante.

Não foram morcegos, nem a passagem de um cometa; a causa da tal “revolta dos cães” é explicada levemente pelo professores de uma universidade local, estando relacionada aos processos de aceleração de partículas e o feromônio. Essa substância química é captada por animais de uma mesma espécie, permitindo uma comunicação até mesmo sexual. Iniciando com gados, logo os humanos passam a ser vítimas de grupos de cães durante à noite, atiçando a curiosidade do professor Harlan Thompson (David McCallum, que ainda está na ativa na série NCIS, mas que usava um cabelinho tipo “mamãe quero ser He-Man” na década de 70) e seu colega Michael Fitzgerald (George Wyner, de Advogado do Diabo). Ambos iniciam uma investigação que passa de lobos e coiotes para cães na velocidade de um latido ao vento, ao perceberem alterações nos ferimentos que indicam ataques de animais de tamanhos diferentes.

A Revolta dos Cães (1976) (2)

Inspirado em Tubarão, lançado no ano anterior, o roteiro faz a dupla de protagonistas exigir um alerta ao governo, mas é prontamente negado, mesmo depois que uma exposição de cães termina numa correria e mordidas para todos os lados. Destaque para as crianças que, durante o momento Carruagens de Fogo, não conseguem esconder a risada pela sequência divertida. Outra inspiração (ou homenagem) acontece num ataque no chuveiro ao estilo Psicose (ou seria Psidog; talvez Psicãose), com a vítima não tendo culpa se a câmera está evidenciando sua não-nudez!

A Revolta dos Cães (1976) (3)

Entretanto, o melhor ainda estava por vir! Alguns caçadores morrem numa perseguição noturna; e os estudantes da faculdade são obrigados a se abrigar numa biblioteca. Nada adianta: os animais – não são mostrados mais do que dez em cena – aproveitam a trapalhada de um gordinho metido a engraçado e invadem o local, causando uma mutilação exagerada. Chega a ser engraçado vê-los fugir de poodles e cães bonitinhos abanando o rabo, para depois o cineasta apresentar um cenário mórbido! São muitos os cadáveres espalhados no local, vítimas dos cachorros descontrolados!

Tome isto, seu cachorro sarnento!
Tome isto, seu cachorro sarnento!

O filme reserva algumas cenas de suspense como a que acontece numa garagem, com Harlan tendo dificuldade em fazer uma ligação direta, pregando tábuas e martelando um pastor alemão. No entanto, somente o final desolador, triste e semi-apocalíptico é capaz de trazer uma boa nota para A Revolta dos Cães. É um filme que merecia uma refilmagem, uma visão atual e mais ousada de algum cineasta em início de carreira. Algo melhor do que aquele Cães Assassinos, que Wes Craven produziu de forma preguiçosa.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

3 thoughts on “Terror que Ladra 2: “Os Doberman Atacam” e “A Revolta dos Cães”

  • 18/08/2017 em 15:13
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    Os Dobermans Atacam muito Bom Filme Agora já a Revolta dos cães muito ruim o filme não tem moral nenhuma aparece os cães do nada atacando seus donos e cenas muito idiotas parece aqueles filmes de classe b que passavam na band

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  • 18/06/2013 em 18:19
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    Eu me lembro desse. Assisti na tv Bandeirantes, quando ela exibia filmes de terror e suspense às sextas feiras. Faz Tempo!!!

    Resposta

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