Não Entre (2026)

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Não Entre
Original:Do Not Enter
Ano:2026•País:EUA
Direção:Marc Klasfeld
Roteiro:Dikega Hadnot, Spencer Mandel, Stephen Susco, David Morrell
Produção:Jordan Schur
Elenco:Adeline Rudolph, Nicholas Hamilton, Jake Manley, Javier Botet, Laurence O'Fuarain, Francesca Reale, Shane Paul McGhie, Kai Caster, Brennan Keel Cook

Contém alguns spoilers

Plataforma do Medo (The Creep, 2004) em um hotel abandonado. Pelo menos essa é a sensação que Não Entre (Do Not Enter, 2026) pode tentar transmitir, sem ter muito êxito, ainda que possa interessar a mistura de elementos satanistas com uma criatura que reside em um ambiente maldito. Mas o que mais chama a atenção no longa do diretor de videoclipes Marc Klasfeld é que ele é inspirado em um livro de David Morrell, autor de Rambo, o ponto de partida da trajetória do soldado de Sylvester Stallone. A partir da obra, foi desenvolvido um roteiro escrito a seis mãos, Dikega Hadnot, Spencer Mandel e, do mais experiente, Stephen Susco (O Grito e O Massacre da Serra Elétrica 3D: A Lenda Continua). Pois é, foram necessárias três pessoas para desenvolver um enredo que explora mais uma vez influencers em busca de visualizações, uma temática tão cansativa quanto os próprios.

No prólogo, uma moça é vista se arrastando por um corredor até se deparar com uma ameaça. Corta para os integrantes dos “criadores de conteúdo” intitulados The Creepers, que costumam publicar vídeos idiotas, seja saltando de um trem em movimento ou invadindo lugares proibidos, seguindo o código de apenas fazer o registro e não levar nada. A equipe é composta pela apresentadora Diane (Adeline Rudolph), seu namorado dos contatos Rick (Jake Manley), o fotógrafo Vernon (Shane Paul McGhie) e “a chave Cora (Francesca Reale), a moça que faz parkour e consegue entrar em qualquer lugar. Havia mais um, JD (Kai Caster), mas foi expulso do grupo ao tentar roubar parte de uma peça de arte, ingressando em youtubers rivais e mais insanos, liderados por Tod (Nicholas Hamilton, o Henry Bowers de It: A Coisa).

Quando percebem que a aventura no trem só trouxe pouco mais de 80 mil visualizações, Rick mostra a planta do hotel abandonado Paragon, nas proximidades de uma costa em ruínas e um parque submerso — um cenário bem interessante na fotografia, mas que não foi bem explorado. Apesar da proposta de invasão a um local com histórias de morte de um gangster, acidentes estranhos e sumiços de produtores de vídeo, o rapaz está mais incomodado pela mudança de visual da namorada — acredite se quiser! Prontos para a aventura, surge um novo interessado na experiência, principalmente após Daiane comentar em um vídeo sobre a próxima missão. Balenger (Laurence O’Fuarain) se apresenta como um jornalista interessado em fazer registros da parte interna do hotel, embora os demais acreditem que ele seja um policial.

Entram por um túnel e são incomodados por um bando de ratinhos branquinhos, bem diferentes do que estamos acostumados por aqui. Quando chegam à entrada, Daiane opta por um outro caminho, numa facilidade do roteiro para que ela tenha sua própria experiência. Explorando o local, até bem conservado apesar das histórias que o envolvem, escutam barulhos e encontram uma imensa árvore, com diversos aparelhos de celular e câmeras pendurados para mostrar que outros bobocas já estiveram por lá. É questão de tempo — e coloca tempo nisso porque só depois dos quarenta minutos é que algo vai acontecer — para descobrirem que há mais presenças por lá, incluindo o grupo rival de youtubers.

Não há fantasmas, nem assombrações desorientadas por lá. Mas algo mais sinistro e pálido, bem pálido, interpretado pelo “ator de criaturasJavier Botet, sob uma camada de efeitos digitais. E o filme fica nisso: armas apontadas, uma ameaça que rasteja por buracos e persegue de modo quadrúpede, e pessoas procurando pessoas. Enquanto há uma dedicação curiosa a um livro contendo explicações de rituais satânico, em mais uma obviedade do enredo, os três roteiristas ignoram informações mais importantes: se vários youtubers e curiosos desapareceram no local — e muitos devem ter feito até lives por lá —, por que, raios, a polícia não o invadiu, optando por colocar a informação-título e bloquear acessos? Por que não há seguranças na área? Por que dizem que há armadilhas espalhadas por todo o local e só aparecem duas? Por que todo o sistema de câmeras ainda funciona, mas não há eletricidade? Por que mesmo sem iluminação a fotografia de Yon Thomas é extremamente clara e nem um pouco atmosférica? E como uma pessoa é arremessada de uma grande altura e ainda sobrevive?

Abraçando o tédio, sem sustos ou sensação de claustrofobia, Não Entre basicamente pede que você não o assista. Pode até enganar alguns sobre a proposta e o elenco de jovens carismáticos, mas não é exatamente isso que os criadores de conteúdo costumam fazer?

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