![]() Zumbilândia
Original:Zombieland
Ano:2009•País:EUA Direção:Ruben Fleischer Roteiro:Rhett Reese, Paul Wernick Produção:Gavin Polone Elenco:Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Amber Heard, Bill Murray, Derek Graf |
Road movie, comédia romântica de humor negro, filme de ação e ainda tem zumbis… Será que dá certo?
Existem pessoas que gostam de Beethoven, outros que gostam de Judas Priest, alguns gostam dos dois. Tem quem prefira boteco a restaurante, ou goste mais de Pacino que DeNiro. Enfim, meu ponto é que há gosto genuíno e mercado para todo tipo de manifestação cultural. De uma forma ampla podemos estender o conceito ao cinema de comédia: tem o público que prefere o humor satírico calçado na escatologia e na sexualidade dos americanos (irmãos Zucker, irmãos Farrelly, irmãos Wayans) e o que aprecia mais as sacadas inteligentes, as sutilezas e o nonsense dos ingleses (tendo em Monty Python seu maior mote).
No horror a coisa é parecida e a junção das duas não poderia ser diferente: se o recente Zumbilândia é a emulação estadunidense para Shaun of the Dead, minha veia britânica continua intocada e dou meu muito obrigado pela tentativa.
Não que a produção dirigida pelo desconhecido Ruben Fleischer seja ruim, mas é algo se perde na tradução, com o filme ficando pior gradativamente até chegar ao ponto da decepção quase completa, ao contrário do objeto de comparação que quanto mais chega ao final mais divertido fica. Minha impressão é a mesma de assistir Matadores de Vampiras Lésbicas: americanos não deviam fazer humor britânico e britânicos não deviam fazer humor americano.
Zumbilândia começou na cabeça dos roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick em 2005 quando escreveram um roteiro-conceito para a televisão que não frutificou e chamou a atenção do diretor Fleischer, que ajudou a desenvolvê-lo partindo da ideia de fazer um road movie com zumbis. Com o script fechado e o elenco contratado, as filmagens começaram em fevereiro de 2009 durando 41 dias ao todo e rapidamente lançado nos Estados Unidos em 02 de outubro de 2009. Por aqui no Brasil, só para engrossar o coro daqueles que defendem a pirataria, depois de muita enrolação finalmente a Columbia Pictures fez a estreia no cinema em 29 de janeiro quase junto com o DVD estadunidense, lançado em 02 de fevereiro.
O filme tem início num futuro não muito distante em um Estados Unidos pós-apocaliptico – que agora é chamada pelo protagonista pelo nome título do filme – onde uma explosão zumbi ocorre depois de um cidadão comer um hamburger feito com carne com vaca louca. Um dos sobreviventes, um estudante chamado no filme de Columbus (Jesse Eisenberg de Amaldiçoados e A Vila) está querendo ir até a cidade de (dã) Columbus em Ohio para ver se seus pais ainda estão vivos. É ele quem narra os acontecimentos.
Agora, como Columbus ainda está vivo é uma história a parte: morando sozinho e vivendo como um nerd perdedor, viu sua vizinha gostosa se tornar uma zumbi (numa cena muito engraçada) e, a partir daí, elaborou uma série de regras de sobrevivência que segue a risca para não se tornar mais uma vítima dos mortos-vivos. Se você já assistiu a qualquer um de 99% dos filmes do gênero sabe de cor e salteado o que precisa e por isso não repetirei aqui.
Então, depois de perder o carro em um acidente no meio do caminho, Columbus encontra Tallahassee (Woody Harrelson, de 2012), que está em uma cruzada particular para encontrar Twinkies – um bolinho doce recheado popular por lá. Tallahassee é um caipirão truculento repleto de manias que afirma se referir aos sobreviventes usando nomes de cidades para não criar vínculos com pessoas que tem grande potencial de se tornar carne de açougue.
Viajando pelas estradas desertas a não ser pelo cenário de destruição e um zumbi ocasional no caminho, eles param em um supermercado abandonado e sem nenhum Twinkie. Lá encontram duas irmãs, chamadas de Wichita (Emma Stone, de Superbad) e Little Rock (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine). As irmãs enganam a dupla e roubam suas armas e o veículo de estimação de Tallahassee.
Muito putos com o ocorrido, Tallahassee e Columbus, andando a pé, logo encontram um Hummer H2 abarrotado de armamentos e uma chance de procurar as garotas e dar o troco. Depois de idas e vindas – como já era de se esperar – os quatro acabam viajando juntos, porém para outro destino. Informados pelas garotas que Columbus, a cidade, está queimada até o chão e repleta de zumbis, eles acreditam que um parque em Los Angeles chamado Pacific Playland está livre dos mortos-vivos.
Bom, tal qual a família Griswold e sua moby dick Walley World, o quarteto ruma para a Pacific Playland encontrando muitos percalços e aprendendo um com o outro no caminho. Dá tempo até para uma passadinha em Hollywood para visitar o ídolo mor de Tallahasse, Bill Murray, em uma das pontas mais ultrajantes, improváveis e divertidas dos filmes de zumbis.
As primeiras versões do roteiro colocavam esta ponta estrelada para um zumbificado e dançante Patrick Swayze (que ironia, não?) incluindo diversas referências à sua carreira. Na revisão seguinte foi considerado Sylvester Stallone como a celebridade, até que Bill pegou o papel. Segundo Woody Harrelson a maioria das falas neste segmento foram improvisadas.
Zumbilândia é bem dirigido e tem excelentes aspectos técnicos como a cinematografia e a maquiagem dos zumbis, cortesia de Michael Bonvillain (de Cloverfield – Monstro) e Tony Gardner (que começou a carreira com Rick Baker em Thriller de Michael Jackson) respectivamente. Muito embora o cenário desolador que o filme passa seja impresso muito limpinho pro meu gosto. Apesar do caos que deve ter sido um país inteiro de costa a costa, talvez o mundo todo, infectado pela multidão zumbi, não vemos nenhum grande agrupamento de cadáveres até o final, todas as estradas estão desimpedidas e combustível e energia elétrica não parece ser problema para os personagens.
Outro ponto de destaque está no entrosamento do elenco principal com todos se esforçando pelo melhor (só que nem todos conseguem) e tem em seu líder Woody Harrelson, que leva o filme nas costas. Tanto é que o figurino de Tallahassee foi escolhido pessoalmente por Harrelson e pouco depois das filmagens o ator se envolveu numa briga com um fotógrafo de um site de fofocas no aeroporto La Guardia em Nova York. Em sua defesa Harrelson afirmou que ainda estava no personagem e pensou que o cidadão era um zumbi, hahaha!
Contudo há grande forças negativas que puxam a avaliação para baixo e que, dependendo do público (incluindo este escriba), podem se decepcionar com o resultado final e ficar com um gostinho de que a tentativa do diretor não valeu tanto a pena assim. Seja um defeito ou não, os personagens são muito mal desenvolvidos; até o principal Jesse Eisenberg fica devendo explicações e, por mais que Tallahassee seja um excelente personagem, colocar que motivação principal de um homem tão chucro e determinado é encontrar um bolinho recheado não é de engolir fácil. Todavia o diabo do filme está na narrativa e no roteiro da metade para o fim.
A abertura de Zumbilândia (que lembra o recente Watchmen) é fantástica e tudo corre bem, fluido, violento e divertido até a parte em que a metade masculina se junta com a metade feminina do elenco para o parque de diversões. Aí é ladeira a baixo: uma tempestade de clichês invade a tela e o que estava sendo um filme promissor vira um engodo que nem a participação de Bill Murray consegue apagar. As melhores intenções do diretor vão para o saco de tabela, pois a narrativa pisa fundo no freio a partir daí para valorizar os clichês. Só um exemplo: em um ponto Columbus coloca uma regra a mais em seu caderninho, a de número 32: aproveitar as pequenas coisas e eu saio da sala de cinema para tomar minha insulina. Veja bem, transformar um filme de humor negro com zumbis num road movie misturado com comédia romântica de uma hora para outra não é tarefa fácil.
Até a tão esperada chegada ao parque fica difícil de acompanhar com tanto açúcar jogado na tela entre Columbus e Wichita com Little Rock e Tallahassee segurando vela e outro tanto de ações estúpidas da dupla feminina e o final circular patético que consegue ser pior que o medíocre fechamento de Matadores de Vampiras Lésbicas –o que salva nesta parte é uma espetacular cena envolvendo Harrelson, duas pistolas e uma horda de mortos-vivos.
Só que lá nos Estados Unidos os espectadores compraram as piadas e o resultado foi um invejável êxito comercial: bateu seu custo de produção – estimado em 23,6 milhões – já no fim de semana de estreia e acabou fechando a conta com quase 75 milhões de verdinhas no cofre o que o tornou o filme de zumbis com maior arrecadação em bilheteria na história, superando o anterior recordista Madrugada dos Mortos. Com isto, os roteiristas já estão engatilhando uma continuação que será possivelmente em 3D. Harrelson promete que volta e há planos de trazer Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin novamente bem como o diretor Fleischer, porém devido a outros projetos na fila dos envolvidos por enquanto não há data para que Zumbilândia 2 aconteça.
Com um bocado de ideias boas e engraçadas – a genial zombie kill of the week podia ser aproveitada mais vezes – e uma porção de bolas fora, condenar Zumbilândia como um todo é difícil, contudo seus defeitos afetam muitos de seus méritos. Como disse na abertura da análise, o público curtiu, comprovado pelo sucesso comercial, porém não irá agradar aqueles que tinham, no heap criado em volta do filme, uma possibilidade de redenção do humor negro estadunidense. Enquanto isso, na terra da rainha, os ingleses dão mais uma aula de como mesclar humor e terror com Doghouse, que faz com Evil Dead (e um pouco dos filmes de George Romero) o que Shaun of the Dead fez para os zumbis… Mas esse é tema para uma outra crítica..








7 Motivos para NÃO ver zumbilândia:
1#-As piadas são ruins, MUITO ruins
2#-NÃO é engraçado
3#NÃO da medo
4#-os atores irritam
5#-retrata o apocalipse zumbi como paraíso nerd. Pelo fato de de dia tu matas zumbis, saqueia lugares abandonados, encontra mansões de pessoas famosas e te diverte lá. A noite namora mulheres bonitas bebe pra caralho.
6#- o filme está cheio de piadas americanas e isso irrita e MUITO.
7# o enredo tem certos buracos grandes. Tudo bem que tem filmes bons com zombie 2- a volta dos mortos, que tem buracos também mas esse em especial os buracos são grandes é muito irritantes.
NÃO veja essa coisa que chamam de “filme”.
6#- o filme está cheio de piadas americanas e isso irrita e MUITO.
Queria que um filme americano tivesse piadas brasileiras?
3#NÃO da medo
A proposta do filme, desde o trailer até o final, nunca foi dar medo. Aliás, nenhum “terrir” tem essa proposta.
Ontem assisti ao filme “Zumbilândia” e realmente gostei do filme. Acredito que o diretor Fleischer conseguiu fazer com que o filme não seja apenas um filme de zombie ou um filme que seja uma comédia, ele equilibrou bastante isso. Como você falou, o que “estragou” o final que se tornou apenas um final comum. Mas, o filme é um ótimo filme para assistir.