
![]() Vinil Verde
Original:Vinil Verde
Ano:2004•País:Brasil Direção:Kleber Mendonça Filho Roteiro:Kleber Mendonça Filho, Bohdana Smyrnova Produção:Daniel Bandeira, Isabela Cribari, Leo Falcão Elenco:Verônica Alves, Ivan Soares, Gabriela Souza |
por Filipe Falcão
Para uma criança com oito ou nove anos, o mundo geralmente é visto de forma lúdica, envolto em sonhos e brincadeiras. Mas como também é de costume, cabe aos pais o papel de cuidar dos filhos. Para as crianças, a proteção materna, que geralmente é vista como em excesso, tem como única finalidade atrapalhar as brincadeiras. Será?
Dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça, o curta Vinil Verde (Brasil, 2004) trabalha com esse conceito para apresentar uma sufocante história entre mãe, filha, conselhos e consequências. A trama, com 13 minutos de duração, começa quando a mãe, cujo nome nunca é relevado, presenteia sua filha de oito anos, cujo nome também permanece em segredo, com uma caixa cheia de antigos discos de vinil coloridos. Mas com o presente, vem também um conselho: a garota pode ouvir todos os discos, exceto o de cor verde.
Não vai demorar muito para que seja justamente o vinil verde que a garota vai escutar. Cada vez que a menina toca o disco, algo terrível acontece. Assim como a lógica e a explicação nem sempre fazem parte dos contos de fadas e brincadeiras infantis, Kleber Mendonça também não se preocupa em trazer explicações didáticas e segue apenas por narrar os acontecimentos. Tal característica, que é bem comum em filmes de curta-metragem, faz com que a trama vá ficando cada vez mais tensa.
Além disso, Mendonça ainda se apropria do universo infantil ao conduzir a história guiada por um narrador, ao melhor estilo “era uma vez”. Como em um livro infantil, no qual as páginas são compostas por gravuras enquanto algumas linhas de texto são apresentadas, o diretor utilizou apenas fotos para apresentar a sua história. Isso mesmo, Vinil Verde foi na verdade fotografado. Mendonça, que também é co-roteirista, produtor e fotografo do curta, fotografou com negativo 35mm still, montou no computador e posteriormente fez transfer para película.
E engana-se quem pensa que o resultado possa ser fraco por essa narrativa aparentemente estática. Basta lembrar que alguns dos filmes japoneses mais assustadores, como O Chamado, Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado, O Grito, possuem narrativas lentas. Para Vinil Verde, é justamente com esta narrativa quase de história em quadrinhos que acaba dando aquele algo mais ao filme.
Vinil Verde é o típico filme que deve ser assistido sem a companhia dos amigos, principalmente aqueles mais engraçados, e de preferência, com clima de seriedade, já que uma narrativa tão diferente do que é sempre feito pode desviar a atenção do público para outros elementos. Fica então o conselho: se visto de forma correta, é possível experimentar uma conclusão não apenas corajosa, mas também sufocante.
Vinil Verde foi premiado em 2004 no Festival de Brasília (melhor direção, montagem e Prêmio da Crítica) e no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (Prêmio Cachaça Cinema Clube, Escolha do Público), entre outros.




fala sério,que idéia maluca desse filme.