
![]() A Fera do Pântano
Original:Hungry
Ano:2026•País:UK, EUA Direção:James Nunn Roteiro:James Nunn Produção:Ben Jacques Elenco:Madison Davenport, Tracey Bonner, Joaquim de Almeida, Michel Curiel, Samantha Coughlan, Olivia Bernstone, Jim Meskimen, River Codack, Joe Azzopardi, Matthew Charlery-Smith, Maxime Durand |

A natureza anda bem mal-humorada ao explorar um “inimigo” do Reino Animal da espécie “dos fofinhos que balançam as orelhas“. Intitulado Hungry, trata-se de uma produção séria do subgênero “homem x natureza“, com direção e roteiro de James Nunn, de Tubarão: Mar de Sangue (Shark Bait, 2022), e que permitiu uma relação “meme” com o jogo de tabuleiro “Hipopótamos Comilões” (Hungry Hungry Hippos), ainda que a intenção dos realizadores não tenha sido essa. A base narrativa do longa dialoga com Medo Profundo (Black Water, 2007), mais conhecido como “o filme do boneco do Cebolinha” com um imenso crocodilo. Em ambos os tratamentos, os personagens ficam isolados em um pântano, protegidos por árvores e tentando encontrar um meio de enfrentar a ameaça. Há também um “quê” de Morte Súbita (Rogue, 2007), mostrando que a mudança de bicho não evitou o lugar-comum.
Sistine (Madison Davenport) e sua melhor amiga Hannah (Olivia Bernstone) estão curtindo férias em New Orleans quando a primeira — apelidada de “Sis” para você imaginar que são irmãs — é demitida pelo telefone e se sente a representação absoluta do fracasso. Elas aceitam a oferta do estranho Rodrigo (Michel Curiel) para um passeio turístico com o objetivo de avistar jacarés nos pântanos da Louisiana, sem saber que entre os “candidatos a ração” está a empresária divorciada Dionne Edwards (Tracey Bonner), que pagou US$ 300 a mais para o guia levá-los até o maior espécime: um jacaré com um sinalizador (referência ao crocodilo Tic-Tac de Peter Pan, talvez?), conhecido como “Big Ben“. Como eles não viram o prólogo, não sabem que o animal fora estraçalhado por um imenso hipopótamo.
Embora sejam herbívoros, o “vilão” do filme pode estar apenas defendendo seu habitat, como diz o experiente caçador Walker (Joaquim de Almeida) quando as moças visitam seu museu de caça e veem o crânio de um exemplar. É curioso como, nessas produções, a ameaça sempre é destacada antes da aventura: se fosse uma anaconda, por exemplo, haveria a carcaça de uma em exibição. Além das garotas e da empresária, seguem no tour a enfermeira Sally (Samantha Coughlan), seu pai Tim (Jim Meskimen) — um bombeiro —, e o filho dela, Mikey (River Codack, que teve uma pontinha como missionário em Herege, 2024).
Depois de avistarem o que sobrou do Big Ben, o barco do grupo é tombado no pântano pelo hipopótamo, obrigando-os a buscar abrigo nas árvores enquanto aguardam ajuda. A “fracassada” Sistine se destaca como a heroína da vez, precisando agir para salvar a amiga e acionar o GPS, enquanto Dionne cumpre o óbvio papel daquela que trará mais dores de cabeça e provocará vítimas com seu sapato alto em um passeio por ambientes cobertos de lama. Como em Morte Súbita, eles farão uso da visão noturna da câmera para saber onde o animal está e buscarão meios de sair dali antes que o hipopótamo faminto resolva agir.
Como nos “filmes de monstros” das décadas de 80 e 90, Nunn faz bem em esconder a ameaça, usar uma cabeça animatrônica em muitas cenas — principalmente as noturnas —, sem se esquivar dos efeitos digitais no terceiro ato. Boa parte do roteiro explora o passado dos envolvidos em olhares tristonhos para fotos de crianças ou através de narrativas sobre acontecimentos antigos. Há até um pouco de contexto, desnecessariamente contado duas vezes, sobre como os hipos foram parar em New Orleans, culminando com o óbvio acesso a um local que justificaria a natureza agressiva da espécie.
A Fera do Pântano completa o álbum de figurinhas das ameaças da natureza, embora não tenha sido o primeiro: a bagaceira Hippo’s Revenge, de Sam P. Green, foi lançada no ano passado sem qualquer envolvimento com a The Asylum, sendo apenas uma coincidência de animal assassino. Cumprindo seu papel no formato, com algumas mortes violentas, trata-se de um horror de baixo teor calórico que não irá empolgar nem ficará por muito tempo na sua lembrança. Pode até divertir, se você souber o que vai encontrar nesse passeio de barco e estiver disposto a encarar a aventura!




