Refém do Espírito (2006)

Refém Do Espírito (2006)

Refém do Espírito
Original:100 Feet
Ano:2006•País:EUA
Direção:Eric Red
Roteiro:Eric Red
Produção:Sarah Black, Ed Elbert e Jonathan Sanger
Elenco:Bobby Cannavale, Ed Westwick, Evelyne Kandech, Famke Janssen, John Fallon, Kembe Sorel, Ken Kelsch, Kevin Geer e Michael Paré.

Após cumprir uma pena de sete anos por ter assassinado o marido (um violento policial), Marnie Watson recebe finalmente a liberdade condicional monitorada (aquela em que o condenado é obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica que informa a polícia caso certo perímetro seja ultrapassado – no caso 35 metros, ou os 100 pés do título original).

Marnie é agora uma prisioneira dentro do casarão que um dia foi o seu lar e também o cenário do crime que destruiu a sua vida. Na prisão ela sofreu todo tipo de abuso, mas nenhum se compara a punição que estaria por vir: a vingança do fantasma do marido que assombra sua antiga residência.

O americano Eric Red é o responsável pelos roteiros do clássico road movie A Morte Pede Carona (The Hitcher, 1986, recentemente refilmado) e do cult vampiresco Quando Chega a Escuridão (Near Dark, 1987). Infelizmente, o seu histórico na direção é um pouco diferente. Red traz no currículo de diretor, entre alguns longas de pouca expressão, o horror de lobisomens Lua Negra (Bad Moon, 1996, estrelado por Michael Paré, vilão em Refém do Espírito) e o mediano thriller Anatomia de Um Assassino (Body Parts, 1991). Em Refém do Espírito, Red assume estas duas funções, a de roteirista e a de diretor.

O maior equívoco do roteiro irregular desenvolvido por Red é a obvia falta de originalidade. A história do espírito do marido em busca de vingança nos remete a uma espécie de J-Horror mal repaginado, onde o roteirista apenas substitui o espírito cabeludo feminino vingativo por um espectro masculino de terno. Outro erro quase infantil (mas muito comum nos roteiros enlatados de Hollywood) é a ausência do que chamamos de tensão ou de suspense. Pode parecer clichê, mas é fato que qualquer filme de horror que se preze deve de alguma maneira mexer com os nervos do espectador, deixá-lo perturbado, com medo, enojado, impaciente ou no mínimo  levemente incomodado. Só para ilustrar sem exagerar no spoiler, numa das primeiras sequências sobrenaturais do filme já temos a aparição do fantasma, e de corpo inteiro. Onde estão as preliminares? A própria ideia da tornozeleira que impede que Marnie fuja (plot que também não é novidade, alguém lembra-se do divertido Paranóia, 2007), não é eficientemente explorada. E nada de revelação ou reviravolta que salve o filme de toda esta tragédia anunciada. Não há. Pra finalizar, um desfecho explosivo tipicamente holywoodiano – será que ninguém percebeu que esta fórmula, que supostamente funciona para os filmes de ação, não tem impacto algum em filmes de horror?

Não apenas o roteiro e direção se “destacam” pela falta de criatividade e de inovação, mas também a edição e a trilha sonora, o que transmite uma impressão de falta de empenho generalizada. Um dos poucos pontos positivos é a presença da bela Famke Janssen – a Jean Grey da franquia X-Men – interpretando a protagonista Marnie Watson. Michael Paré “incorpora” o fantasma-cgi do marido. Ao elenco soma-se o jovem Ed Westwick (da série Gossip Girl) como o entregador de supermercado com quem Marnie inicia um relacionamento pouco convincente e Bob Cannavale, como o ex-parceiro do marido-fantasma que faz de tudo para colocar Marnie de volta atrás das grades. Para completar, os efeitos digitais que envolvem a imagem do fantasma do marido são quase risíveis, diminuindo ainda mais a credibilidade do enredo.

Contudo, nem tudo é assim tão ruim. Já na metade final, uma sequência muito bem realizada e de extrema violência destoa do restante do filme:

(o parágrafo abaixo apresenta spoiler)

Mesmo Marnie sabendo que não está sozinha em casa e que o maridão fantasma aparece de vez em quando, ela acaba se envolvendo com um simples entregador de supermercados e vai até as “vias de fato” com ele. Depois de uma noite de sexo selvagem, que obviamente não vemos, o garotão acorda todo feliz. É aí que o marido-fantasma-traído aparece, arranca a mandíbula do garoto, quebra lhe o braço, o nariz, as costelas… Se o filme todo estivesse neste nível, com certeza este texto tomaria um rumo muito diferente.

Enfim, o filme merecidamente acabou indo direto para as locadoras, tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, onde foi lançado pela Flash Star numa daquelas versões sem extras e com uma capa horrível. Ficam aqui dois alertas: leitor, se você alugou Refém do Espírito, boa sorte, você vai precisar. E Eric Red, por favor, deixe as histórias de espíritos vingativos para os nossos amigos orientais.

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João Pires Neto

João Pires Neto

Formado em Letras e Literatura, embora trabalhe com Tecnologia; Vegetariano não batizado; apaixonado por Livros, Música e Filmes e colaborador desde 2005. Contato: joaopiresneto@bocadoinferno.com.br

5 comentários em “Refém do Espírito (2006)

  • 16/02/2018 em 15:36
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    Alguém pode me dizer nome do filme de uma moça que tem medo sair de casa ela trabalha em casa e tem um espírito que começa a bater nela

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  • 04/10/2014 em 15:07
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    A protagonista é feia q dói…mas a cena da morte do entregador é top!!!!!!

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  • 19/07/2014 em 15:49
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    Gosto de filmes de terror de baixo orçamento. Esse tem como destaque a protagonista, a bela Famke Janssen. Achei a estória bem interessante e instigante, bem propícia para um filme do gênero, e o cenário restrito e claustrofóbico ajudam a manter o clima de tensão e medo constante, que se reflete na protagonista. Boas cenas de terror, alguns sustos e até um pouco de gore. Me agradou.

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  • 07/04/2013 em 23:20
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    dizem ser o melhor filme da the asylum…rrsrsrsr

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  • 01/04/2013 em 00:00
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    nossa,deve ser bem fraco mesmo.

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