Belzebuth (2017)

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Belzebuth
Original:Belzebuth
Ano:2017•País:México
Direção:Emilio Portes
Roteiro:Emilio Portes, Emilio Portes Writers: Luis Carlos Fuentes
Produção:Rodrigo Herranz
Elenco:Tobin Bell, Joaquín Cosio, Tate Ellington, Aurora Gil, Giovanna Zacarías, Norma Angélica, Aida Lopez, José Sefami, Yunuen Pardo

A primeira incursão do diretor Emilio Portes no gênero, Belzebuth, teve uma passagem pelo festival de Sitges em 2017, mas foi somente em janeiro deste ano que chegou aos cinemas mexicanos. Com trabalhos geralmente associados à comédia como El Crimen del Cácaro Gumaro, de 2014, o cineasta fez seu primeiro filme sério com uma proposta apocalíptica, ousando em algumas cenas como a da estátua de Jesus possuída e sem receio de assassinar diversos bebês no prólogo, além de deixar uma evidente crítica aos Estados Unidos. É quase uma pedida interessante, se não fosse o roteiro desgovernado de Luis Carlos Fuentes e do próprio Portes, perdido com o excesso de informações.

Começa com a velha estrutura clichê do policial que tenta se reerguer após uma dupla tragédia em sua vida: no dia do nascimento de seu filho, uma enfermeira, sem razão aparente, portando um bisturi, assassinara diversos recém-nascidos para depois rasgar o pescoço. Dias depois, a esposa de Emmanuel Ritter (Joaquín Cosio) tiraria a própria vida, num pesadelo que marcaria para sempre a vida perfeita do tenente. Cinco anos depois, um atentado numa escola infantil envolvendo um garoto com armas de fogo traria novos questionamentos a ele, ainda mais com a aproximação do departamento de parapsicologia americano, na pele do ex-padre Ivan Franco (Tate Ellington). Este descobre sinais no teto, incluindo uma estranha mão não-humana, e a indicação de envolvimento sobrenatural, também captado pelo som registrado através da técnica EVP.

Todos os atentados parecem ter uma relação com outro ex-padre, excomungado pelo Vaticano por ter praticado rituais satânicos. Com tatuagens pelo corpo, o misterioso Vasilio Canetti (Tobin “jigsaw” Bell) se torna a chave fundamental de uma conspiração que quer impedir o retorno de Jesus Cristo, acreditando que o melhor caminho é a proteção da criança, contando com a ajuda do tenente, seu parceiro Demetrio (José Sefami), Ivan e a mãe Beatriz (Yunuen Pardo). Não será uma jornada fácil, pois o demônio estará próximo, testando a fé de Emmanuel para impedi-lo de concluir seu objetivo sagrado.

Se a ideia até resiste bem pela boa produção e elenco, os problemas se tornam difíceis de ignorar nos inúmeros furos de roteiro. Desde a ideia insana de tentar levar a criança especial para os EUA, sendo que há lugares melhores no México e o transporte pode trazer problemas pelo modo como estrangeiros ilegais são aceitos por lá (e eles mesmos não sabem o caminho certo), o filme erra em ideias bobas como a do exagerado exorcismo, uma vez que havia uma possibilidade mais concreta a ser feita e com menos riscos, e o não aproveitamento do personagem mais interessante do longa.

Ainda assim, há alguns bons efeitos especiais, principalmente o que envolve a estátua de Jesus em movimento, e sua imagem sendo vista na pessoa possuída. A sequência do exorcismo traz o já conhecido ritual, com gritarias, ofensas, destruição do cenário e até levitação, mas a ideia da crucificação, mesmo que não inovadora, é sempre curiosa. E era evidente qual personagem se tornaria o alvo, e ele poderia ter resolvido o que pretendia há muito mais tempo se não perdesse tempo numa aproximação desnecessária.

Por fim, Belzebuth, com bem mais acertos, vale uma conferida. Desde a produção, elenco e intenção de se fazer um terror sério, até a crítica bem feita à América do Norte quando um personagem questiona o fato de Jesus estar renascendo num país como o México. O filme está disponível na Amazon Prime para os curiosos e aqueles que curtem o tema do apocalipse e influência religiosa.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “Belzebuth (2017)

  • 25/06/2020 em 19:57
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    Eu fiquei aguardando pela cena desse frame principal e ela não existe no filme, que achei ok. Os pontos altos foram os de originalidade que o diretor teve ao usar das imagens dos santos para criar a morbidez e a atmosfera horripilante que esses elementos carregam, sempre achei imagens de santos assustadoras e vejo que elas não são muito exploradas no cinema de horror. Ótima sacada a manifestação demoníaca no cristo crucificado!

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