As Faces do Demônio (2019)

3
(1)

As Faces do Demônio
Original:Byeonshin
Ano:2019•País:Coreia do Sul
Direção:Hong-seon Kim
Roteiro:Hong-seon Kim
Produção: Hyun-joo Jung
Elenco:Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang, Hye-jun Kim, Yi-Hyun Cho, Kang-Hoon Kim, Jeon Mi Do, Se-hee Kim, Kwi-seon Kim, Dae-han Ji

Deve ter passado despercebido em meio à pandemia – se for essa a razão, mais do que justificável -, o que é uma pena por se tratar de mais um belíssimo exemplar do horror sul-coreano. Em um ano em que já tivemos o claustrofóbico #Alive e o pouco empolgante Invasão Zumbi 2, não se podia imaginar que haveria um novo acerto nesse cinema em evidente ascensão. Contudo, As Faces do Demônio (título comum demais para o que se apresenta) é uma produção que deveria receber mais atenção. Há possessão demoníaca, exorcismo, violência gráfica e satanismo nesse trabalho de Hong-seon Kim, que flerta com muitos estilos e surpreende pela seriedade e, principalmente, ousadia, ainda que o enredo não disfarce alguns clichês.

Ora, quantos filmes você já não viu que a cena inicial acontece durante um procedimento de exorcismo? O padre que o realizava, Joong-soo (Sung-Woo Bae), falha na tentativa de expulsar o demônio do corpo de uma jovem, levando-a ao suicídio. Abalado pelo fracasso, ele desiste da batina, atuando apenas como professor, enquanto sente o lamentável distanciamento de sua família. Seu irmão, Gang-goo (Dong-il Sung), muda-se para outra cidade, com a esposa Myung-joo (Young-nam Jang), e os filhos, Sun-woo (Hye-jun Kim), Hyun-joo (Yi-Hyun Cho) e Woo-jong (Kang-Hoon Kim). Na primeira noite na nova casa, a família tem dificuldade para dormir, devido a um vizinho da porta da casa da frente, que parece preferir trabalhar durante a madrugada.

Ao questionar o estranho pelo incômodo, ainda mais quando um gato é encontrado enforcado em frente a uma das janelas, Gang-goo entra num ambiente satanista, com cruzes invertidas por todos os cantos, animais mortos usados em sacrifício, incluindo um bode crucificado, além de sangue, um odor horrendo de morte, e sinais de constantes rituais no local. Ao fazer a denúncia, a polícia não encontra qualquer vestígio do que foi relatado, mas é o suficiente para que os problemas realmente comecem. Um por um começa a ser influenciado pelo demônio, agindo de maneira agressiva, violenta, insana, mas posteriormente sem recordação do que aconteceu. Algumas são bem assustadoras como a que envolve o pai, com insinuações para o corpo da filha, ou na sequência em que a esposa usa um martelo, ao estilo Oldboy.

Quando o demônio parece realmente estar brincando com eles, o tio-ex-padre é chamado para ajudar, testando mais uma vez sua fé. Contudo, as coisas não serão assim como se imagina, com a chegada dele numa névoa, com o olhar para a janela, como o herói que trará a solução para os problemas. Até mesmo o exorcismo que se sucede é conduzido com agressões físicas, como se fosse preciso expulsar a presença maléfica na base da violência. E são esses momentos, incluindo as marteladas e a sequência de possessão da criança, que tornam As Faces do Demônio uma experiência angustiante. Nem todas os personagens sobreviverão a esse confronto, independente de quem seja.

Apesar das boas qualidades técnicas e dos momentos de tensão, As Faces do Demônio também apresenta algumas falhas, em momentos cruciais. Uma delas envolvem os péssimos efeitos especiais do ataque de corvos a um veículo, numa sequência que poderia ter sido feita de outra forma; e a solução final remete a um desfecho clássico, mesmo após duas interessantes surpresas. Ainda assim, mesmo com alguns percalços e lugares-comuns, pode-se recomendar esse longa como um bom exemplar do cinema sul-coreano e também do subgênero das possessões demoníacas.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 3 / 5. Número de votos: 1

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

(Visited 1.247 times, 2 visits today)

Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.