The Blackwell Ghost 3 (2019)

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The Blackwell Ghost 3
Original:The Blackwell Ghost 3
Ano:2019•País:EUA
Direção: Turner Clay
Roteiro: Turner Clay
Produção: Turner Clay
Elenco: Turner Clay, Terri

Parece que a maldição de Ruth Blackwell não tem fim. Depois da realização do primeiro falso documentário e a ampliação de seu contexto no segundo filme, Turner Clay não consegue se desvencilhar dela. Não fez mais nenhum filme de zumbis, mas partiu para mais um episódio assustador, desta vez envolvendo ele mesmo. Se a casa fora realmente vendida por Greg e ele já havia anunciado o fim dos mistérios, o que poderia ser feito seria partir para uma nova história, um novo documentário, quase como uma produção independente, deixando a assassina em segundo plano ainda que ela seja o pontapé de sua trajetória. Logo na introdução, ele conta uma situação particular envolvendo um sonho recorrente e recente em que ele conhece uma mulher aleatória chamada Sarah. Ao ver a mesma garota em cartaz de pessoas desaparecidas da década de 70 na internet – sabe-se lá como ele foi tropeçar nesse cartaz -, ele resolve telefonar para a Linha Direta de Pessoas Desaparecidas para saber se ela fora encontrada.

Nessa ligação, em 15 de agosto de 2018, um furo é descaradamente apresentado. Ao dizer o nome Sarah Baker, a atendente Roseanne diz não encontrar nada a respeito. Ele então diz que é uma moça desaparecida na década de 70 e informa um código de identificação. Misteriosamente, a mulher da ligação diz que ela já foi encontrada e o nome está relacionado a um serial killer chamado Lightfoot, que causou muita comoção no departamento. Ou seja, a pessoa que não sabia nada a respeito, de repente diz que o caso é bastante conhecido, mas não informa se Sarah está viva ou morta. Turner resolve pesquisar esse mistério, descobrindo que o tal assassino matou 18 mulheres na década de 70, incluindo Sarah, e que a morada dele é considerada assombrada. Um motivo mais que propício para iniciar seu novo documentário de investigação.

Além de Turner, o falso documentário apresenta os relatos do filho do assassino James Lightfoot, contando sobre sua infância perturbadora que envolveu encontrar corpos pela casa e as estranhas batidas que ouvia na residência. Situada numa zona rural na Flórida, Turner vai ao local com sua câmera e encontra uma casa colorida, com aspectos de um ambiente da década de 70, bem conservado e limpo, mas sem informação sobre ocupação e caseiros. A partir daí, intrigado por uma porta que se fechou abruptamente, ele decide passar três noites na morada e registrar qualquer situação inexplicável, principalmente o contato com Sarah Baker, a única que teria sido assassinada no local.

Desta vez, ele utiliza como recurso de comunicação um alfabeto – por que não tentou uma tábua ouija? – e se estabelece na sala, sempre com alguma lâmpada acesa. E as coisas progressivamente acontecem. Nada que tenha o impacto de uma aparição sinistra; portas que se abrem e fecham, luz que se acende, telefone que sempre toca às 2h47 da manhã, e as batidas. Muitas. São tantas batidas, que eu fico imaginando se as reformas que acontecem aqui no meu prédio não têm origem sobrenatural. O problema é que é só isso. Mesmo com a boa narrativa e edição, The Blackwell Ghost 3 não vai além das mesmas situações. E a impressão que passa é o que o filme é todo feito apenas por Turner e sua esposa Terri, além de um outro convidado.

Atividade Paranormal ainda tentava surpreender com mordidas, pegadas, pessoas sendo arrastadas, entre outras coisas, enquanto a franquia The Blackwell Ghost insiste na mesma sequência de sustos. São tantas as vezes em que o protagonista atende o telefone sem que tenha qualquer resposta – os operadores de telemarketing por aqui tendem a ser mais eficientes – que chega a dar raiva que ele simplesmente não tente um: “Sarah, é você? James? Scooby Doo?“. Se tem um diferencial neste terceiro volume, além do novo mistério apresentado, está no final que já anuncia um quarto filme. E o que mais incomoda é que você acaba querendo realmente vê-lo, mesmo que não espere nada de novo na aventura fantasmagórica de Turner Clay.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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