Halloween Kills: O Terror Continua (2021)

4.5
(17)

Halloween Kills: O Terror Continua (2021)
Original:Halloween Kills
Ano:2021•País:EUA, UK
Direção:David Gordon Green
Roteiro:Scott Teems, Danny McBride, David Gordon Green
Produção:Malek Akkad, Bill Block, Jason Blum
Elenco:Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, James Jude Courtney, Nick Castle, Airon Armstrong, Will Patton, Thomas Mann, Jim Cummings, Dylan Arnold, Robert Longstreet, Anthony Michael Hall, Charles Cyphers, Scott MacArthur, Michael McDonald, Kyle Richards, Nancy Stephens, Diva Tyler, Lenny Clarke

O texto contém spoilers

“Nada. Sem razão, sem consciência, mesmo no sentido mais rudimentar de vida ou morte, de bem ou mal, certo ou errado. Um rosto vazio, pálido, sem emoção. Olhos negros – os olhos do Diabo. Por trás daqueles olhos, o puro e simples mal.” Com essas palavras, em 1978, Dr. Loomis (Donald Pleasence) tentava definir o que seria a verdadeira essência do mal, o bicho-papão. Seu encontro com Michael Myers, na tentativa de evitar sua trilha de morte pelas ruas de Haddonfield, perpetuaria um dos momentos mais significativos do cinema de horror do final dos anos 70. Como o embate entre Drácula e Van Helsing, eles são os opostos dessa arena na guerra entre o Bem e o Mal. Nunca foi sobre Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), pelo menos é o que justifica David Gordon Green, desde quando assumiu o comando de Halloween (2018).

A continuação bastarda, que ignorou as demais incluindo o segundo filme, fez bem ao mostrar o quanto os acontecimentos do passado serviram para estabelecer traumas em Laurie. Ela basicamente estava no lugar errado, cruzando o caminho do demônio pálido, mas sua luta pela sobrevivência a condicionou a se preparar para um eterno retorno de Michael Myers, como outros cidadãos que participaram da noite fatídica também. Todos eles sentiam que isso poderia acontecer a qualquer momento, mas foi Laurie que preparou sua morada, sua filha e neta para o inevitável confronto, prendendo-o em uma armadilha no porão, para depois incendiar o local, acreditando ter finalmente silenciado seus pesadelos. Contudo, não se pode cessar o Mal. Ele perdura na sociedade, nas pessoas, quando estas permitem que suas máscaras sejam retiradas. Halloween Kills veio com a proposta de mostrar o quanto o mal contagia as pessoas e se fortalece; e como elas estão dispostas a enfrentá-lo.

Enquanto Laurie, Karen (Judy Greer) e Allyson (Andi Matichak) enfrentavam o psicopata levado até elas pelo Dr. Sartain (Haluk Bilginer), o oficial Hawkins (Will Patton) fora salvo por Cameron (Dylan Arnold) e levado ao Hospital Memorial Haddonfield com apenas um ferimento no pescoço. Para compreender sua fixação pelo extermínio do psicopata desde o primeiro filme e justificar sua sobrevida, o longa conduz o espectador a um saudoso retorno ao famigerado Halloween de 1978, quando um jovem Hawkins teve seu primeiro encontro com Michael Myers e contribuiu para a morte do parceiro de Pete (Jim Cummings, também policial em O Lobo de Snow Hollow), evitando uma ação do Dr. Loomis (em ótimos efeitos, contando com o apoio do corpo de Tom Jones Jr. e a voz de Colin Mahan). Nessa época, foi possível ver também com bons olhos um “antigoMichael Myers (Airon Armstrong), e a participação de Loonie (Robert Longstreet), que no presente é o pai de Cameron.

Loonie anualmente se reencontra com sobreviventes daquele Halloween como Lindsey (Kyle Richards), criança na época, e Marion (Nancy Stephens) – ambas atuaram no filme original, sendo que a Marion também esteve em Halloween 2 e Halloween: H20 -, além de Tommy Doyle (Anthony Michael Hall), que longa de 78 fora interpretado por Brian Andrews. Enquanto fazem uma homenagem a Laurie, Michael Myers (Nick Castle e James Jude Courtney) mostra agilidade, mesmo aos sessenta anos, para escapar das chamas e eliminar nove bombeiros. Ele ainda visitará outras casas, espalhando sangue e morte, rumo ao seu reflexo, ao olhar que terá de si pela janela de seu antigo quarto.

Halloween Kills é bem melhor que o primeiro longa da trilogia iniciada em 2018. Mais sangrento e violento – com as vítimas resistindo bravamente aos ataques de Michael Myers -, o filme se divide em duas narrativas, entre a caminhada de morte do bicho-papão, e a crescente loucura que se estabelece no hospital, com médicos, policiais, parentes de vítimas e justiceiros dispostos a encerrar o Mal, mesmo que precise fazer uso dele. Além de Laurie e Hawkins no local, destaca-se o nome do segurança Leigh Brackett (Charles Cyphers), que esteve presente nas principais investidas de Michael Myers em 78. Com o grupo liderado por Tommy, ergue-se o dilema da continuação: “o mal morre esta noite.

Sabendo que se trata de uma parte 2 de uma trilogia, era óbvio que Michael Myers iria sobreviver a qualquer tentativa de ataque fatal. Se o próprio Dr. Loomis já havia descarregado uma arma nele, além dos golpes de Laurie, Karen e Allyson, era preciso finalmente apresentar sua condição sobrenatural, algo que a franquia original só iria assumir no quarto filme. Contudo, apesar da ótima narração de Laurie para acompanhar as cenas, elas não foram muito bem realizadas. Com excesso de zooms e uma lente que traz um aspecto onírico, os minutos finais impediram uma avaliação absolutamente positiva. Talvez, se o filme terminasse um pouco antes, cumprindo sua tagline e deixando o espectador com a expectativa de ver um Halloween Ends com a atmosfera de Halloween 2, possivelmente teria um resultado melhor.

A despeito dessa sequência final, Halloween Kills ainda assim é um filmão, muito bem realizado e dirigido. Seja com a visão das lentes de um bombeiro assassinado, ou nas referências à franquia como as máscaras de Halloween III, seja nas participações do elenco original, da trilha sonora na composição de John Carpenter, aos ótimos efeitos de resgate de Donald Pleasence, trata-se de uma produção com o DNA slasher como não se via há um bom tempo, fazendo jus ao monstro do cinema de horror contemporâneo, com boa representação e respeito. Que o mal perdure além dessa fatídica noite para sempre nas lembranças daqueles que puderam testemunhá-lo.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

9 thoughts on “Halloween Kills: O Terror Continua (2021)

  • 31/10/2021 em 09:57
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    Eu achei mais ou menos o filme.
    Eu fiquei com um pouco de medo kkkkk, pois sempre tive medo do Michael Miers. Apesar de gostar bastante dos filmes e já ter visto todos, eu vi ontem no cinema.
    Não gostei do final, e por mais que tenha tido agora uma explicação que o Michael é sobrenatural, achei forçado demais ele estar matando todo mundo e a polícia não estar ali vendo ele fazer tudo isso.
    E como ele conseguiu revisar os ataques da população que tinham “acabado” de matá-lo, e ele do nada mata todo mundo e a polícia bem ali, tipo, não vê nada? Kkkkkkkk. Achei que forçaram um pouco a barra.
    Vamos ver ano que vem como será o próximo, vamos ver se terá um encerramento digno.

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  • 25/10/2021 em 13:16
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    Então, assisti o Halloween Kills sem muitas expectativas, confesso, entretanto fiquei deveras surpreso. O retorno no tempo, a explicitação de circunstâncias que nos levam a uma maior empatia com os personagens e suas histórias e por conseguinte uma maior imersão na obra. A incitação a violência, a necessidade de fazer justiça com as próprias mãos e a consequente morte de um inocente, nos trazem reflexões da vida cotidiana e do interior de muitos de nós que o horror movie insiste em negligenciar. O final narrado, os diálogos, opções de câmera e frases de efeito me deixaram positivamente surpreso. Um slasher da melhor qualidade e com muitos pontos que extrapolam as características mais comuns do subgênero.
    Como é de costume uma bela análise. Parabéns, Marcelo e Boca do Inferno pelos ótimos conteúdos!! Abraço.

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  • 20/10/2021 em 00:14
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    O filme é muito bom mesmo. O final é esquisito. Mas não estraga o resto. Acho que o ENDS fechará com chave de ouro essa ótima volta da franquia.

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  • 18/10/2021 em 11:47
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    Eu achei massa, mas…
    Achei muito sem sentido: o xerife (eu achei que ele seria importante na história), a “confusão” no hospital e… forçaram aquele final pra ter mais um filme.
    O que salva são todas cenas/mortes Michael Myers.

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  • 17/10/2021 em 13:23
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    Eu adorei!
    Cumpriu o que prometeu!
    Só lamento realmente o final, porque morreram personagens que não mereciam morrer.
    Mas mesmo assim, foi uma continuação digna!

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  • 17/10/2021 em 11:29
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    Como eu queria olhar com animação pra essa leva de filmes de Halloween pós 1, 2 e H20!!!

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    • 19/10/2021 em 03:20
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      Não sou fã do reinício de 2018 e não gostei muito desse aqui. Acho a violência e o gore divertidos, mas falta a tensão – elemento primordial da pérola de 78.
      Apesar de competentes, faltou compreender o espírito da franquia.

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      • 22/10/2021 em 08:08
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        Eles querem finalmente fechar a série criando uma nova trilogia, isso formaria uma quadrilogia. Gostei do filme, achei legal, mas prefiro o primeiro. Achei esse meio desnecessário. Se eles decidissem finalizar a franquia com esse filme ele não seria tão estranho. Saber que o Michael não vai morrer porque isso só vai acontecer no 4 é meio chato. Pelo menos eles não fizeram cagada como no H20. Resumindo: legalzinho, porém desnecessário.

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  • 16/10/2021 em 22:52
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    Bah, apesar do gore sensacional, achei bem fraco. Assim como o de 2018. Muitas caras e bocas e frases feitas. Forçadaço.

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