The Blackwell Ghost 5 (2020)

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The Blackwell Ghost 5
Original:The Blackwell Ghost 5
Ano:2020•País:EUA
Direção:Turner Clay
Roteiro:Turner Clay
Produção:Turner Clay, Ed Thomas
Elenco:Turner Clay

Meses depois do lançamento do quarto filme, com boas críticas e considerado o mais assustador de todos, The Blackwell Ghost 5 foi finalmente disponibilizado. Havia uma expectativa sobre este ser o último da franquia e que possivelmente iria findar os mistérios envolvendo os fantasmas das vítimas do serial killer Lightfoot e estabelecer uma relação com a assombração Ruth Blackwell, pelo menos algo que justifique os títulos a partir do terceiro. Nem uma coisa ou outra. O longa apenas apresentou mais alguns elementos e tentou diversificar nos sustos, e deixou pontas soltas para um sexto filme, já anunciado nos dizeres finais: “to be continued…“. Será que a narrativa ainda tem força para mais falsos documentários sobre o mesmo caso?

Após os acontecimentos do quarto filme, o que humanizou o cineasta ao mostrar suas falhas tanto na administração financeira quanto no relacionamento com a esposa grávida, as ações continuam a partir da descoberta do corpo de Susan Forrester. Como era de se imaginar, Turner Clay avisou a polícia sobre o local apontado no enigma e tentou dar atenção ao nascimento de seu filho. O que ele não imaginava é que o corpo traria uma garrafa com uma pista que poderia permitir a localização dos demais, uma vez que apenas três tinham sido encontrados quando ele fez parte do processo. Clay tentou ter acesso ao conteúdo da garrafa, mas não foi permitido pelos agentes, que ainda encheram os locais próximos à casa com bandeirinhas de identificação.

Depois de visitar o local mais uma vez, deixando a esposa sozinha com o filho recém-nascido, ele recebe o contato de um policial que precisa de ajuda. Para que ele possa ter acesso ao conteúdo da garrafa, é pedido que ele seja admitido como oficial da polícia (oi?), a fim de conseguir uma cópia de um mapa enviado a ele por e-mail (ahn?). Espere um pouco. Para ter acesso a um conteúdo considerado sigiloso, o cineasta foi oficializado como parte da polícia, que não apenas ignorou o fato dele ser conhecido pelos documentários como ainda enviou o material por e-mail?? É sério que querem que o público engula isso? E pior: ao receber o mapa que estaria dentro da garrafa, Clay simplesmente postou a imagem no Facebook para que os visitantes o ajudassem a decifrá-lo!!!!! Não faz o menor sentido!

Toda essa baboseira serviu apenas para enrolar o infernauta mesmo. Até porque a resolução parte novamente de mais uma estada do cineasta no local assombrado para ser atormentado com batidas fortes, visões discretas, luzes que se acendem, chuveiro que se liga sozinho, porta do closet que se abre e derruba lençóis e toalhas…A resposta a tudo isso é tão evidente quanto a do enigma anterior, que tinha as letras insistentemente soletradas pelos fantasmas – eles têm muita paciência com esse cara. Parece que às vezes é necessário desenhar (ou fazer um buraco) para que Clay identifique a mensagem transmitida. Não se sabe se ele se faz de ingênuo pela edição do material ou é uma característica particular mesmo.

De qualquer modo, The Blackwell Ghost 5 é o pior filme da franquia. Além de encher a trama dessas besteiras de transformação em policial e a lentidão do protagonista na interpretação das pistas, o longa deixa de lado a tal humanização e piora na capacidade de criar situações assustadoras. É impossível não se irritar quando Clay cria todo um terror (e demora para mostrar o que provocou isso) por encontrar uma simples lâmpada acesa ou uma porta aberta. Para um rapaz que viu reflexos nos vidros, mesas se movendo, mensagens nas letras e no gravador, ligações na madrugada… querer que um ambiente iluminado seja apavorante é demais. Talvez possa servir de alento saber que o próximo filme não trará batidas na parede – eu me pergunto se os sons que escuto no meu prédio são realmente de um vizinho reformado a morada! E ainda falta explicar os telefonemas às 2h47 e tentar entender por que até o momento ele não isolou o áudio gravado da ligação!

Sem previsão para o lançamento do sexto filme, resta aos fãs de sua trajetória assombrada aguardar os próximos enigmas que Turner Clay irá demorar mais de uma hora de projeção para desvendar. É provável que o desgaste do conteúdo já peça por uma nova casa maldita ou que ele abandone suas investigações para finalmente ficar com a esposa e o filho.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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