Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula (1977)

4.7
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Zoltan - O Cão Vampiro de Drácula
Original:Dracula's Dog
Ano:1977•País:EUA
Direção:Albert Band
Roteiro:Frank Ray Perilli
Produção:Albert Band, Frank Ray Perilli
Elenco:José Ferrer, Michael Pataki, Jan Shutan, Libby Chase, John Levin, Reggie Nalder, Cleo Harrington, Tom Gerrard, Bob Miller

Na década de 70, na época fértil do eco-horror, houve uma “matilha” de produções envolvendo cães assassinos: Os Dobermans Atacam (Trapped, 1973), Cão do Diabo (Devil Dog: The Hound of Hell, 1978) e até os infernais vistos em A Profecia (The Omen, 1976) – e depois continuaria na década de 80 com Cão Branco (White Dog, 1982) e Cujo (1983). O que não se imaginava era que ainda veríamos cães vampiros, e muito menos um fiel seguidor do famoso Conde Drácula. Isso só pôde ser possível com a direção de Albert Band (Ghoulies II, 1987), a partir de um roteiro sofrível de Frank Ray Perilli (Alligator: O Jacaré Gigante, 1980), que curiosamente trouxe muitas similaridades com outra produção lançada no mesmo ano, Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 1977), e deve ter inspirado Wes Craven na realização da péssima continuação. Pelo menos, é certo que inspirou o romance Hounds of Dracula, de Ken Johnson.

Começa com uma explosão realizada pelo exército romeno para a descoberta das tumbas da família Drácula. Apesar do sucesso da ação, resolvem deixar de guarda apenas UM soldado, que, após resistir a um breve terremoto e à liberação de dois caixões grandes intactos, abre um deles e retira uma estaca presa ao corpo de um cachorro. Zoltan, um doberman com dentes pontiagudos (e que impediram o coitado de fechar o focinho), desperta de seu sono para atacar o guarda. Antes de acordar seu mestre cuidador Veidt Smit (Reggie Nalder), ele lembra (sim, memória de cão à la Quadrinha de Sádicos 2) do dia em que estava presente durante uma ação de Drácula, em um vilarejo em 1670, e fora mordido por ele em seu estado morcego – algo como aconteceu com o São Bernardo Cujo, da obra de Stephen King.

Dialogando com o animal pelo pensamento – aliás, Reggie Nalder não abre a boca uma vez sequer no filme, com a atuação dependendo toda de seus olhares esbugalhados -, ele avisa o animal que precisam de um novo mestre. Mais tarde, ele escuta a conversa do Inspetor Branco (José Ferrer, de A Noite do Medo, 1981), facilitando sua vida ao dizer que o último descendente de Drácula, Michael Drake (o veterano Michael Pataki, de Amor à Primeira Mordida, Os Mortos Vivos, Baile de Formatura e Halloween 4), está em Los Angeles, Califórnia, e é o único que pode assumir a função. Para não justificar a ida rápida do inspetor e deixar Zoltan agir um pouco, ele é avisado que vai demorar alguns dias para ter a liberação de sua viagem.

Como servo de Drácula, sem precisar se preocupar com os raios solares, Veidt viaja de barco e consegue um carro funerário – sabe-se lá como -, que faria inveja a Angus Scrimm. Logo encontra a casa do psiquiatra Michael, que está prestes a sair de viagem de férias com a família. Após uma tentativa mal sucedida de ataque na madrugada (é sempre assim, Zoltan tenta uma vez por noite), a família Drake, composta também pela esposa Marla (Jan Shutan), pelos filhos Linda (Libby Chase) e Steve (John Levin) e por um casal de cães pastor alemão, Samson e Annie, além de dois filhotes, viaja em um trailer para acampar, tal qual fora visto em Quadrilha de Sádicos até mesmo na composição do grupo.

Lá serão incomodados por Zoltan, que, apesar de não conseguir seu intento de transformar Michael em um ser da noite, promove uma matilha de cães vampiros, atacando outras espécies no local. Quando percebem que não terão paz, depois de algumas tentativas sem sucesso do Veidt e Zoltan, já pensam em retornar para casa quando finalmente chega o Inspetor Branco para ajudar.

Desenvolvido de maneira amadora, Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula se mostra apenas um exemplar curioso dentro do subgênero vampirismo. Há muito pouco para contar, além de uns ataques ocasionais do animal sob o comando psíquico de seu mestre temporário. Pode se apreciar um momento A Noite dos Mortos-Vivos canino, quando a matilha cerca uma cabana onde estão abrigados Michael e o inspetor. A sequência parece empolgar, mas não explica porque Zoltan demorou a noite inteira para conseguir invadir o local, tendo seu objetivo ali desmaiado, para ele então resolver fugir dos raios solares sem completar sua missão.

Lançado em DVD no Brasil pela London com direito a trailer e TV spot, em uma bela caixinha com luva, o filme dificilmente se destacará em sua coleção, mas trará boas recordações de outras produções caninas mais eficientes e divertidas. Vale a experiência, mesmo que seja para rir com os amigos das falhas evidentes, e do olhar esbugalhado de Reggie Nalder.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula (1977)

  • 25/04/2022 em 09:48
    Permalink

    Esse filme é dose pra cachorro

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