O Mestre dos Desejos 3: Além da Porta do Inferno (2001)

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O Mestre dos Desejos 3: Além da Porta do Inferno
Original:Wishmaster 3: Beyond the Gates of Hell
Ano:2001•País:EUA, Canadá
Direção:Chris Angel
Roteiro:Alex Wright, Peter Atkins
Produção:Gary Howsam, Craig Nicholls, Gilles Paquin
Elenco:Jason Connery, A.J. Cook, Tobias Mehler, Louisette Geiss, Aaron Smolinski, Daniella Evangelista, Emmanuelle Vaugier, John Novak, Rick Skene, Jan Skene, Chad Bruce, Jenny Pudavick, Sarah Carter, Ruth Dubuisson

Com a realização de O Mestre dos Desejos 2, duas continuações foram encomendas pelas produtoras, incluindo a Artisan Entertainment. A ideia era realizá-las concomitantemente, aproveitando ambientações e maquiagens, mais uma vez com Andrew Divoff atuando como o maligno Djinn. O ator chegou a ler os roteiros, mas se recusou a assumir a vestimenta, principalmente depois que seu roteiro para uma terceira parte fora recusado. Intitulado Wishmaster: The Third Millennium, o enredo iria abordar o medo que as pessoas tinham na época com a virada do milênio, e começaria com um navio de guerra americano sendo atingido por um míssil na Ásia, enquanto uma reunião na ONU é interrompida por criaturas que ganham vida e destroem a multidão. Como o conceito era muito ambicioso para os orçamentos dispostos, o roteiro foi engavetado, e Divoff desistiu do papel.

Podia até sair algo bom deste O Mestre dos Desejos 3: Além da Porta do Inferno. Pelo menos, tinha no elenco alguns rostos conhecidos, como o de A.J. Cook (Ameaça Alienígena, As Virgens Suicidas e Ripper – Mensageiro do Inferno) e Emmanuelle Vaugier (Fear 2 – Uma Noite de Halloween e também Ripper), além de Jason Connery, filho do eterno 007 Sean Connery, com mais créditos no cinema e TV. Apesar dos nomes envolvidos e a proposta de roteiro de terror teen, aproveitando a onda do momento, o resultado se mostrou absurdamente ruim, apelativo, e com um Djinn pouco carismático. Foi filmado juntamente com a horrenda quarta parte, em 16 dias, ambos com a direção problemática de Chris Angel (de Fear 2), a partir de roteiros escritos por Alex Wright e John Benjamin Martin, respectivamente.

O terceiro filme começa com uma coincidência curiosa envolvendo A.J. Cook. Ela está tendo pesadelos com um grave acidente de carro com seu pai, que acaba sendo vitimado pela explosão do carro após salvá-la das ferragens. Dois anos depois a atriz interpretaria a garota que tem a visão de um engavetamento fatal no começo de Premonição 2. Sentindo-se responsável pela morte de seus pais, no que parece ser algo que a atormenta, ela somente é tranquilizada pelo namorado Greg (Tobias Mehler). Após ser galanteada pelo professor Joel Barash (Connery) no museu da faculdade e presenteada por um artefato que contém um opala de fogo em seu interior, Diana Collins liberta o demônio Djinn acidentalmente antes de sair dali.

Sem referência à estátua de Ahura Mazda e absolutamente nada sobre o passado na Pérsia da criatura demoníaca, o Djinn (desta vez interpretado por John Novak) concede o desejo do professor de ter duas belas mulheres, na primeira cena de exposição de corpos femininos (algo que se tornaria frequente nos dois últimos filmes), e ele é morto por elas. Seu rosto é utilizado pelo demônio que assume sua aparência, precisando apenas encontrar Diana para que ela realize seus três desejos – nada de 1001 almas, como sugerido em O Mestre dos Desejos 2. Para isso, ele precisa entrar em seu universo estudantil e conhecer alguns amigos da garota, como Katie (Louisette Geiss) e seu namorado Billy (Aaron Smolinski), além de Anne (Daniella Evangelista) e Elinor (Vaugier).

A partir de então, há uma sequência Looney Tunes. Diana corre de um lado para outro na faculdade, acompanhada algumas vezes de Greg. Sobe escada, desce escada, vai para um e para outro, dificilmente encontrando o Djinn – é incrível como um professor não consegue simplesmente encontrar uma aluna residente na faculdade em que leciona. Quando tudo já parece chato demais, o enredo apresenta uma ideia absurda: em uma igreja, Diana usa como desejo que o arcanjo Miguel venha para ajudá-la; com um efeito terrível, com uns raios e brilhos excessivos, o ser celestial possui Greg, que passa a continuar correndo com Diana, mas desta vez segurando uma espada imensa.

Luta para cá, confrontos para lá e mais correria. Quando não há essas fugas constantes, o enredo apela para corpos como a desnecessária cena de sexo entre Katie e Billy, dois personagens sem muita importância. Diana não se mostra tão esperta como as demais “wakers“, de O Mestre dos Desejos e O Mestre dos Desejos 2, partindo mais para o combate do que para uma ação inteligente. O Djinn aqui, além de aparentar um demônio bobalhão – e que poderia fazer parte do Super Xuxa contra o Baixo Astral -, praticamente não realiza desejos, e quando o faz, não traz as cenas sangrentas que marcaram os filmes anteriores. Por diversos momentos, personagens se esquecem e dizem coisas como “quero que você….“, “gostaria que…“, sem que o monstro atenda como se fossem pedidos.

Ruim e cansativo – principalmente pela correria sem fim -, O Mestre dos Desejos 3 consegue ser levemente superior ao quarto filme, quando parece que todas as boas ideias foram descartadas por uma história de amor e redenção. Uma bobagem que ninguém iria desejar assistir.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

One thought on “O Mestre dos Desejos 3: Além da Porta do Inferno (2001)

  • 04/08/2022 em 12:19
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    De longe o pior da franquia, o Djinn perdeu totalmente o charme quando trocaram o seu ator.

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