The Batman (2022)

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The Batman
Original:The Batman
Ano:2022•País:EUA
Direção:Matt Reeves
Roteiro:Matt Reeves, Peter Craig
Produção:Matt Reeves, Dylan Clark
Elenco:Robert Pattinson, Paul Dano, Jeffrey Wright, Zoë Kravitz, Colin Farrell, John Turturro, Andy Serkis

Criado em 1938, é inegável que o crescente sucesso de Batman o tornou um ícone popular, e um novo filme do personagem sempre é algo que chama atenção, principalmente após o universo cinematográfico da DC ficar com seu futuro indefinido. Com a saída do diretor e produtor Zack Snyder, principal mente criativa à frente dos projetos, e também de atores como Ben Affleck – até então o intérprete do Batman -, pouco se sabia sobre como seriam os próximos filmes do estúdio. Nessa indefinição, acabaram sendo permitidas a criação de novas obras que não fazem parte da DCEU (universo estendido da DC). O imenso sucesso de Coringa, em 2019, fez com que a Warner/DC enxergasse com bons olhos o lançamento de mais produções que não fossem diretamente interligadas com os filmes anteriores. Matt Reeves, diretor dos dois últimos filmes da saga Planeta dos Macacos, assumiu o desafio de roteirizar e dirigir esse novo projeto do Batman.

Gotham City, noite de Halloween. Enquanto a população se diverte na data festiva, o prefeito da cidade é espancado até a morte em sua residência por um homem mascarado misterioso. Liderado pelo tenente James Gordon, o departamento policial de Gotham investiga o crime com a ajuda de uma estranha figura trajada como morcego: óbvio que falamos de Batman, alter ego do bilionário Bruce Wayne, que aqui está a apenas dois anos agindo como vigilante. Gordon, o único policial que não apenas tolera como aceita trabalhar com o fantasiado, descobre que o assassino deixou uma mensagem enigmática, uma charada, destinada ao Batman. Enquanto a dupla segue as curiosas pistas desse crime a fim de solucioná-lo, outros assassinatos brutais e misteriosos de figuras importantes de Gotham continuam a acontecer, seguindo o mesmo padrão do assassino deixar uma pista enigmática para o homem morcego.

Desde que o filme foi anunciado, Reeves sempre ressaltou que um dos objetivos era resgatar os aspectos de horror psicológico que estão presentes em muitos quadrinhos clássicos do Batman, e isso fica bem claro logo na cena de abertura. Criminosos que cometiam diversos delitos pelas ruas de Gotham simplesmente paravam onde estavam ao verem o Bat-Sinal reluzir no escuro céu da cidade. As sombras dos edifícios, os sons (ou a falta deles) e os ângulos de filmagem estão entre os elementos narrativos que, embora simples, demonstram o desconforto e medo que se passam na cabeça dos meliantes, como se sentissem que uma entidade sobrenatural os espreita.


Robert Pattinson, muito conhecido por sua atuação na saga Crepúsculo e que recentemente tem trabalhado em filmes com as mais variadas temáticas (como o thriller psicológico O Farol), faz um ótimo trabalho como o cruzado encapuzado, conseguindo passar a imponência que o Batman tem junto do tormento e a angústia interna do personagem. Esses elementos da psique se refletem em quando ele é Bruce Wayne: diferente da versão mais conhecida que é a do playboy milionário um tanto excêntrico, aqui temos um Bruce mais introspectivo, de poucas palavras, bastante antissocial, cujo único foco é sua missão como vigilante, ignorando sua vida pessoal. Pattinson se mostra um excelente Batman, mas seu Bruce Wayne causa estranhamento justamente pela sua natureza desleixada e socialmente inapta, entretanto, vale citar que sua figura foi baseada no quadrinho Ano Zero, onde Bruce Wayne não era um gênio, bilionário, playboy e filantropo, e sim alguém altamente perturbado, com raiva e angustiado.

Paul Dano, que interpreta o vilão principal, foge dos tradicionais inimigos extravagantes de filmes de super-heróis, indo numa linha de atuação com claras inspirações no Assassino do Zodíaco e retratando muito bem a insanidade que se passa em sua mente. Zoë Kravitz (Mulher-Gato), Colin Farrell (Pinguim), Jeffrey Wright (James Gordon) e John Turturro (Carmine Falcone) também tem boas atuações como seus respectivos personagens. Acaba sendo inevitável comparar alguns personagens com os vistos na série Gotham, que teve um excelente Pinguim e Gordon. Felizmente, ambos não deixam nada a desejar.

Além do horror psicológico, o filme também usa vários elementos noir: muitos tons escuros e sombras aliados com o branco na estética (o exemplo é uma Gotham quase sempre escura e chuvosa) e uma bela fotografia. A investigação detetivesca que vai de peça a peça, para descobrir quem é o assassino e porque ele comete tais crimes e um personagem principal com muitos demônios internos e visões pessimistas sobre a cidade a qual protege. Diferente de várias obras anteriores, um dos pontos do filme não é mostrar como Bruce decidiu se tornar um vigilante – não temos a fatídica cena do beco mostrada em momento algum do filme. Obrigada, Matt Reeves -, mas sim mostrar suas habilidades de detetive em contraste ao emocional abalado por sua tragédia pessoal. Fãs dos quadrinhos conseguirão facilmente perceber que a base do roteiro tem influência de histórias como O Longo Dia das Bruxas, Ano Zero e Ano Um.

Batman é um filme grandioso, tanto em duração quanto em enredo, possuindo 3 horas de duração e ritmo inicial um tanto lento, o que pode incomodar os espectadores ávidos por ação imediata, tal como agradar quem prefere um bom desenvolvimento de narrativa com tudo perfeitamente conectado. Claro, poderia ser mais curto e a história mais condensada, mas quando as desgraças acontecem, tal fato acaba virando apenas um detalhe. Apesar disso, o longa resgata elementos do personagem que, às vezes, são negligenciados em suas histórias mais recentes, os unindo a um grau de realismo: Gotham é uma cidade grande e violenta (inspirada em cidades reais de grande corrupção, como Chicago) cujo heroico protetor, em início de carreira, é alguém que usa a inteligência e criatividade, junta pistas de crimes, se infiltra em locais onde estão prováveis suspeitos e, ao invés de lutar contra ninjas invencíveis ou alienígenas, enfrenta assaltantes e outros bandidos de rua menos grandiosos, escancarando a corrupção e violência desenfreadas presentes na cidade. É uma boa adaptação de histórias mais pés no chão do homem morcego, mas que não deixa de manter uma originalidade própria.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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