Ghoulies II (1987)

4.8
(5)

Ghoulies II
Original:Ghoulies II
Ano:1987•País:EUA, Itália
Direção:Albert Band
Roteiro:Luca Bercovici, Dennis Paoli, Charlie Dolan
Produção:Albert Band
Elenco:Damon Martin, Royal Dano, Phil Fondacaro, J. Downing, Kerry Remsen, Dale Wyatt, Sasha Jenson, William Butler

Escapando de serem destruídos em um tonel de ácido depois de serem roubados de um grupo de ocultistas, quatro seres demoníacos conjurados se escondem em um caminhão de uma feira itinerante, vão parar numa atração da feira o “Covil de Satã” e são confundidos com parte da atração, até o momento em que os corpos começam a se amontoar e a levantar suspeitas.

Segundo filme da série Ghoulies, dos bichinhos demoníacos conjurados por ocultistas e feitos por fantoches tosquinhos. Aqui a história não tem relação nenhuma com o filme anterior (que era uma baita bagunça), além dos monstrinhos, usando os mesmos bonecos. Os personagens e eventos de Ghoulies (de 1984) não são sequer mencionados, nem a origem dos monstros, nem sua existência. Eles só estão lá.

Para ser justo, tem um fiapo de explicação: no começo do filme, um homem está correndo com um saco, fugindo de umas pessoas que deveriam ser cultistas, usando uns robes que parecem feitos de TNT vermelho (tecido não-tecido, daquele que você encontra em papelarias). Ao encontrar uma garagem de mecânico no meio de uma estrada, ele resolve se esconder lá e encontra um tonel imenso de “solvente altamente tóxico” e decide se livrar do conteúdo do saco nesse tonel, mas acaba caindo lá dentro e morrendo também. Os demoninhos sobrevivem, claro, e quando o caminhão da atração para na garagem, os bichinhos se escondem nele. Pronto, a origem deles é essa.

Acompanhando os dois responsáveis pelo Covil de Satã, um jovem e seu tio alcoólatra (e mágico desiludido, por que não?), ficamos sabendo que a feira itinerante está com problemas depois que foi vendida para um grupo de investidores, e um jovem empresário desse grupo aparece para supervisionar quais atrações têm público e fechar as de menos sucesso. O filme segue essa trama, com os ghoulies escondidos no Covil e atacando e matando pessoas, sendo confundidos com parte da atração, e gerando um certo sucesso.

Mas, em seguida, as coisas saem um pouco do controle, parte intencionalmente e parte por conta da falta de habilidade do diretor e do roteiro. O filme tem um certo problema de não saber direito equilibrar o humor sombrio e o terror, com doses fracas e mal conduzidas dos dois gêneros. A trama é até interessante e com um potencial de ficar bacana, mas a condução e desenvolvimento são um tanto confusos, desperdiçando uma boa forma de usar os diabretes do título. Pelo menos, nesta continuação, os ghoulies são parte integrante da história, não aparecendo apenas como cenário, sem sentido algum, como no primeiro filme.

O filme é ruim e fraco, sem dúvida alguma, mas diverte em sua tosquice. Um exemplar perfeito para mostrar o estilo da produtora Empire, de Charles Band, que também foi (ir)responsável por títulos como Trancers – O Tira do Futuro (Trancers, 1984), A Hora dos Mortos-vivos (Re-Animator, 1985) e Troll – O Mundo do Espanto (Troll, 1986). Os atores são péssimos, com atuações que nem chegam a ser exageradas ou caricatas, mas são péssimas. Os monstrinhos são os mesmos do filme anterior, horrendamente mal feitos, mas aqui até mesmo têm algumas cenas bacanas (em stop-motion!). É um daqueles casos que o filme é ruim, mas consegue prender a atenção para que espectador veja para onde essa coisa vai, ou pela curiosidade de ver as ruindades ou os efeitos (pouco) especiais.

Algumas sequências são legais, como por exemplo a solução final para o “esconjuro” dos ghoulies, que escapam do Covil de Satã e saem aprontando no parque. Segue todos os elementos necessários e esperados de uma sequência (no caso, ter mais monstros, maiores e mais estranhos). E até algumas das mortes anteriores, por mais forçadas que sejam, são (mais ou menos) engraçadas.

Ghoulies II diverte, provavelmente não pela intenção original, com momentos engraçados (certamente não intencionais) e com aquela sensação de “olha só isso!”. Onde deveria ser engraçado, não é, e as risadas vêm pelo fracasso da tentativa de humor, não pelo humor em si. Essa sequência tem uma certa unidade de estilo bagunçado do primeiro filme, mesmo com sua história não tendo nenhuma relação direta. É ruim, mas é divertido e certamente vai agradar quem curtiu o primeiro, com todos seus defeitos (ou por causa deles).

É um típico exemplar de um filme de “terror” dos anos 1980 que é tão ruim, que fica bom (como muita gente costuma dizer). Não fica, mas é divertido.

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Rogerio Saladino

Rogerio Saladino é escritor, jornalista, editor, tradutor e autor, atuando nas áreas de quadrinhos, literatura, RPG e cultura pop. Um entusiasta do terror em todas suas formas e, inexplicavelmente, adora a série Puppetmaster, mesmo consciente da sua qualidade duvidosa.

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