![]() Vírus
Original:Virus
Ano:1999•País:EUA, França, UK, Alemanha, Japão Direção:John Bruno Roteiro:Dennis Feldman, Chuck Pfarrer Produção:Gale Anne Hurd Elenco:Jamie Lee Curtis, Donald Sutherland, William Baldwin, Joanna Pacula, Marshall Bell, Sherman Augustus, Cliff Curtis, Julio Oscar Mechoso, Keith Flippen, Levani, Joe McDuffie |
Seres alienígenas invadem a embarcação de Jamie Lee Curtis, Donald Sutherland e William Baldwin, assumindo o controle da tecnologia na confecção de criaturas robóticas e ciborgues para eliminar a raça humana, considerada um vírus. Se essa não é a premissa de uma produção cult, com elementos de horror e ficção científica, que fãs peculiares do gênero gostariam de ter na coleção, não sei mais o que poderia ser. Anaconda, talvez? Baseado numa HQ homônima de Chuck Pfarrer, o longa é apontado por muitos, incluindo Curtis, como um dos piores filmes de todos os tempos: “Esse é um pedaço de merda de todos os tempos… É simplesmente horrível… É o único bom motivo para estar em filmes ruins para quando seus amigos tiverem filmes do mesmo nível, você poderá dizer ‘Ahhhh, eu tenho o melhor. Eu fiz Vírus‘”.
É um exagero da parte de uma atriz que depois cometeria uma atrocidade ainda maior, intitulada Halloween Ends (2022). Pelo visto não aprendeu. É claro que o filme de John Bruno veste as roupas de um digno filme B, sendo somente uma bobagem divertida, com monstros misturados com partes humanas, uma atuação caricatural de Sutherland e uma narrativa cheia de obviedades. Mas está distante de figurar entre os piores exemplares do estilo, principalmente por fazer parte de uma época em que rostos conhecidos apareciam em produções no mínimo duvidosas como a já mencionada Anaconda (1997), além de Tentáculos (1998) e Fantasmas (1998).
Na época de seu lançamento, estava também havendo uma febre de produções marítimas fantásticas como o blockbuster Titanic, ao qual o diretor estava envolvido antes de partir para Vírus, e as comparações acabavam sendo inevitáveis, como o drama-catástrofe Mar em Fúria (2000). Acreditando no potencial do filme, foram feitas ações de marketing que não deram muito certo como action figures dos personagens, mais quadrinizações, uma novelização e até o jogo, Virus: It is Aware, produzido pela Sony Pictures. Com o filme amplamente detonado pela crítica, todo o trabalho foi em vão, até Vírus alcançar o status de filme cult pelos fãs de películas execradas ao qual eu também me enquadro.
Estava há tempos procurando esse filme para rever, pela boa lembrança da época de seu lançamento. Foi lançado em DVD pela PlayArte, mas já é praticamente uma peça de colecionador, com valores abusivos na internet. Não se encontra disponível nos streamings brasileiros, o que dificulta ainda mais a curiosidade de quem ainda não viu. Sorte que esbarrei em uma cópia de serviço na minha coleção e pude rever Sutherland misturado com peças robóticas e Cliff Curtis com uma longa cabeleira, trabalhando em um barco sem saber nadar — e pensar que depois ele seria Tonowari, um dos líderes do Povo da Água de Avatar: Caminho da Água e Avatar: Fogo e Cinzas.
A estação espacial russa Mir avisa o navio Akademik Vladislav Volkov sobre o avistamento de uma estranha força cósmica. Ela destrói a estação e é sugada pelas antenas da embarcação para, por fim, assassinar todos os tripulantes. Uma semana depois, o rebocador Sea Star, comandado pelo Capitão Robert Everton (Sutherland), perde uma carga com a chegada de um tufão e sofre avarias que levarão o barco a um naufrágio. Por “sorte“, a navegadora e ex-oficial da Marinha, Kelly Foster (Curtis), avista o navio no radar e busca aproximação como um meio de refúgio. Quando Everton pretendia atirar sobre sua própria cabeça, o navio russo perdido em águas estrangeiras lhe parece uma boa alternativa de adquirir milhares de dólares.
Volkov aparenta estar desabitado. Seus 300 tripulantes desapareceram, e toda a energia foi cortada. Squeaky (Julio Oscar Mechoso) reativa a energia, e uma imensa âncora destrói o Sea Star e quase mata o marinheiro Hiko (Cliff Curtis). A tripulação do rebocador ainda conta com o imediato J.W. Woods Jr. (Marshall Bell), o engenheiro Steve Baker (Baldwin) e o tripulante Richie Mason (Sherman Augustus). Enquanto exploram o local, notam aranhas robóticas e uma oficina com robôs construindo seres, alguns com partes humanas; e a russa escondida Nadia Vinogradova (Joanna Pacuła), que avisa sobre a ameaça à bordo, sendo desdenhada pelo Capitão, ainda sonhando com os valores de resgate.
A partir de então, a sala de máquinas é soldada pelas criaturas e elas começam a atacar, misturando-se com algumas de suas vítimas. Cabe aos sobreviventes encontrar um meio de novamente desligar a energia ou explodir a embarcação antes que os invasores alcancem a população em um provável apocalipse. Não vão faltar cenas de combate com monstros bem feitos, a partir de animatrônicos, sangue em profusão, corpos desmembrados ou mesclados com máquinas e uma voz gutural de comunicação alienígena. Como isso pode ser tão ruim assim?
Vírus tem seus bons momentos como na sequência do ataque de uma máquina imensa, destruindo portas como se fossem de papelão. Mas há também seus percalços como os efeitos especiais nem sempre convincentes da embarcação na água, do tufão, das ondas gigantes e da fuga pelo tubo ejetor. O roteiro de Dennis Feldman não surpreende, eliminando personagens pelo grau de importância, e com algumas facilidades que permitem que alguns se esquivem facilmente de uma metralhadora. E tem a atuação canastrona de Sutherland para completar o pacote “filmão B com com grande elenco“, não sabendo esconder os dentes em todas as suas cenas.
Enfim, são defeitos atraentes que tornam a experiência de ver um horror com elementos de ficção científica ainda maior. Há quem compare com O Enigma de Outro Mundo (1982), de John Carpenter, e veja semelhanças até com O Exterminador do Futuro (1984), o que se mostra exagerado. Para quem é fãs de Curtis (a Jamie, não o Cliff), vale a pena vê-la enfrentando monstros robóticos em vez de somente fugir do Michael Myers e trocar de corpos com a filha.






