![]() Lenda Urbana 2
Original:Urban Legends: Final Cut
Ano:2000•País:Canadá, EUA, França Direção:John Ottman Roteiro:Silvio Horta, Paul Harris Boardman, Scott Derrickson Produção:Gina Matthews, Neal H. Moritz, Richard Luke Rothschild Elenco:Jennifer Morrison, Matthew Davis, Hart Bochner, Loretta Devine, Joey Lawrence, Anson Mount, Eva Mendes, Jessica Cauffiel, Anthony Anderson, Michael Bacall, Marco Hofschneider, Jacinda Barrett, Peter Millard, Chas Lawther, Chuck Campbell, Yani Gellman, Jeannette Sousa |
Os assassinatos cometidos por Brenda (Rebecca Gayheart, de Um Drink no Inferno 3, 1999) na Universidade Pendleton, em 1998, se tornaram realmente uma lenda urbana, como previu o epilógo do primeiro filme. A testemunhar ocular dos crimes, inspirados em histórias inventadas e que são de conhecimento popular, foi a policial Reese (Loretta Devine), transferida após a tragédia para a faculdade de cinema Alpine University. Mesmo com a experiência anterior, ela continua com os pés no chão, desacreditando qualquer denúncia dos estudantes, enquanto continua emulando movimentos e falas da atriz Pam Grier. A protagonista da vez é Amy Mayfield (Jennifer Morrison, da série Dr. House), filha de um documentarista, e colega de outros aspirantes a cineastas e envolvidos com a produção de filmes, como desafios propostos pelo professor Solomon (Hart Bochner, Carrie, a Estranha, 2013).
A menina dos olhos de todos ali é o Prêmio Hitchcock, porta de entrada para Hollywood. A conversa com Reese, durante uma carona à biblioteca, a motivou na escolha do tema: lendas urbanas! A ideia seria recriar episódios popularmente conhecidos como o do “humanos também sabem lamber” ou do “túnel de terror de um parque com cadáveres reais“. Depois de perder o diretor de fotografia Toby Belcher (Anson Mount), que a acusa de copiar sua ideia, Amy recebe a indicação de subtituí-lo por Simon (Marco Hofschneider). Rondam na produção de seu filme os contrarregras Dick (Michael Bacall) e Stan (Anthony Anderson, de Pânico 4, 2011), a atriz canastrona Sandra (Jessica Cauffiel), o filho de diretor de Hollywood, Graham Manning (Joey Lawrence), e o colegas Travis Stark (Matthew Davis) e Vanessa (Eva Mendes, de Colheita Maldita 5, 1998).
O que parecia ser um jogo de criatividade na realização de um filme universitário se torna um pesadelo quando alguém, usando uma máscara de competidor de esgrima, começa a fazer vítimas. A primeira é a jovem Lisa (Jacinda Barrett), que depois de tomar um “boa noite, Cinderela“, acorda numa banheira sem o rim. Na tentativa de fuga, é decapitada e tem seu órgão sendo servido a um pastor alemão. Outros acontecerão como a cena de morte filmada pelo próprio assassino, os gritos abafando um assassinato real, além de eletrocussão e enforcamento. Amy terá que descobrir quem está por trás dos crimes e qual a sua relação com ele, antes que se torne mais uma vítima ou seja culpada pelas ações violentas.
O primeiro filme, Lenda Urbana (Urban Legend, 1998) — que poderia ser intitulado “Facilidades do Roteiro – O Filme“, servindo de exemplo para roteiristas não serem consumidos pelas obviedades e coincidências em suas narrativas — abraçou absurdamente as lendas para desenvolver as cenas de morte. Foi realizado em plena época de ouro da revitalização dos slashers quando foram lançados filmes como Pânico (1996), Pânico 2 (1997), Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), Contos da Meia-Noite (1997), Halloween H20 (1998), Prova Final (1998), Comportamento Suspeito (1998), A Noiva de Chucky (1998), Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1998), Eu Estou Esperando por Você (1998), Tentação Fatal (1999), Medo em Cherry Falls (2000)… Essas produções tinham em comum um elenco jovem, oriundo de séries populares, atuando como adolescentes, e uma ameaça oculta fazendo vítimas pelo grau de importância no roteiro.
A partir de 2000, o subgênero começou a perder força com alguns poucos destaques como Premonição. Assim, a metalinguagem foi uma tentativa desesperada de sobrevida, quando filmes começaram a brincar de fazer filmes. Pânico 3, Cut: Cenas de Horror e Lenda Urbana 2 — todos lançados em 2000 — são três exemplos desse esforço para atrair olhares. Se o primeiro Lenda Urbana conquistou mais de US$70 milhões de dólares, o segundo não chegou a US$40, destacando no período apenas a terceira investida de Ghostface que, embora bastante criticada na época, saiu-se bem nas bilheterias.
A piada pode até funcionar pelo excesso de referências, por trazer um pouco dos bastidores de uma produção cinematográfica, mas é preciso um bom roteiro para sustentá-la. Diverte em alguns momentos como a cena de abertura, em um avião (planejada em um barco no roteiro original), citando um dos episódios clássicos de Além da Imaginação, as sequências de perseguição e até o final, cruzando cenários falsos com alienígenas e no espaço. Porém, quando se coloca na mesa, nota-se a fragilidade de muitos slashers modernos, em sua necessidade de explicar a motivação do assassino: se o objetivo como no primeiro era apenas vingança, por que a protagonista foi diversas vezes perseguida? Não teria sido mais fácil, se a(o) assassina(o) atuasse na obscuridade, promovendo suicídios para depois culpar Amy pelos atos? E o próprio clímax se mostra falho, quando é revelada a identidade da(o) vilã(o) simplesmente porque ele/ela quis finalmente se expor — uma falha em diversos slashers, incluindo os da franquia Pânico.
Sem contar com um grande elenco como o primeiro, Lenda Urbana 2 pelo menos não se baseia apenas na recriação de lendas urbanas, ainda que tenha as referências. O roteiro de Silvio Horta, Paul Harris Boardman e — vejam só!! — Scott Derrickson faz várias menções como “celular gerar câncer” e “burrito com ovos de baratas“, mas busca uma vida própria, deixando-as como acessórios do filme dentro do filme. Por outro lado, diverte bem menos, tendo seu ponto alto no epílogo, com a trilha da série de Alfred Hitchcock e uma participação especial. Assim, trata-se apenas de mais um exemplar de um subgênero em decadência, cuja piada principal já havia sido explorada à exaustão, mudando apenas o humorista.






