Prova Final (1998)

4.6
(11)

Prova Final
Original:The Faculty
Ano:1998•País:EUA, México
Direção:Robert Rodriguez
Roteiro:David Wechter, Bruce Kimmel
Produção:Elizabeth Avellan, Robert Rodriguez
Elenco:Jordana Brewster, Clea DuVall, Laura Harris, Josh Hartnett, Shawn Hatosy, Salma Hayek, Famke Janssen, Piper Laurie, Christopher McDonald, Bebe Neuwirth, Robert Patrick, Jon Stewart, Daniel von Bargen, Elijah Wood, Jon Abrahams

O grande divisor de águas da carreira do roteirista Kevin Williamson foi Pânico, de 1996, dirigido por Wes Craven. Embora tenha cursado cinema e tenha tentado uma carreira como ator, sua primeira experiência como roteirista foi com a realização do que viria a ser Tentação Fatal (Teaching Ms. Tingle, 1999). Mas ele não conseguiria investidores para a realização de um filme, se não tivesse visto na casa de um amigo em Los Angeles um especial sobre o assassino de Gainesville. A inspiração para Ghosface viria como um disparo, conseguindo notoriedade graças ao cineasta que criou Freddy Krueger. A partir de então, ele faria o roteiro de outro sucesso da época, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997) e também Pânico 2 (1997) até voltar sua atenção para um terror teen com elementos de ficção cientifica. Com os bons ganhos, conseguiria ver seu roteiro inicial na tela e assumiria diversas séries como Dawson´s Creek.

Provavelmente a ideia para desenvolver Prova Final, a partir de um argumento co-escrito por David Wechter e Bruce Kimmel, tenha vindo de um pensamento de muitos estudantes, ao comparar seus professores com alienígenas. Vai um pouco além, se você lembrar que o conceito principal foi amplamente explorado – e o roteiro assume a inspiração – em Invasores de Corpos, de Jack Finney, mas a ideia divertida de relacionar os educadores a seres de outro mundo é mais do habitual entre os jovens. Quem nunca imaginou que aquele senhor de atitudes extravagantes, roupas estranhas e mau humor constante esconde uma natureza monstruosa, capaz de abduzir seus alunos para transformá-los em zumbis?

Além da temática interessante, Prova Final se beneficia pelo elenco, repleto de rostos e nomes bem conhecidos, com uma trajetória bastante popular. Clea DuVall, Josh Hartnett, Salma Hayek, Famke Janssen, Robert Patrick e Elijah Wood, entre outros, aparecem em cena para enfrentar a ameaça ou simplesmente “emprestar” o seu corpo para o domínio alienígena. No entanto, o nome que traz mais méritos ao filme está na direção. Robert Rodriguez já tinha feito A Balada do Pistoleiro (1995) e Um Drink no Inferno (1996) antes de abraçar a franquia Pequenos Espiões, a partir de 2001, e era um nome que começava a se estabelecer como cineasta de produções reconhecidas, seja na direção e na parceria com Quentin Tarantino ou na produção de obras fantásticas. Essa reunião só poderia render um filme divertido, com referências, bom humor, simbologias e ótimos efeitos especiais! Se você ainda não viu, não deve ser deste mundo!

Depois que o treinador de futebol americano da escola Herrington, em Ohio, Joe Willis (Patrick), recebe uma visita inesperada as coisas começam a mudar no local. Logo, a diretora Valerie Drake (Bebe Neuwirth) também será perseguida nos corredores e surpreendida pelas tesouradas da professora Karen Olson (Piper Laurie), e, assim, sucessivamente outros profissionais passarão a ter comportamentos suspeitos como a ingestão exagerada de água. Ainda assim, os alunos pouco notarão a diferença a princípio, obviamente pela excentricidade já comum de seus professores, à exceção de alguns que irão se destacar entre os demais: Casey Connor (Wood) é o fotógrafo do jornal escolar acostumado a apanhar e sofrer bullying; Zeke Tyler (Hartnett) vende substâncias ilícitas, misturas produzidas em sua própria garagem; Stokes (DuVall) é a gótica, considerada lésbica e antissocial, atormentada pela popular Delilah (a semi-brasileira Jordana Brewster), que namora o jogador infeliz Stan (Shawn Hatosy). E há também a aluna nova, a simpática Marybeth (Laura Harris), que tenta a todo custo se enturmar.

Dentre os docentes, vale menção, além do treinador, a professora gripada Rosa Harper (Hayek), o professor Edward Furlong (Jon Stewart) e a tímida Elizabeth Burke (Janssen), que costuma ter um contato mais próximo de Zeke. Curiosamente, nota-se um casal que vive brigando nos corredores até que a possessão alienígena permita uma mudança em seu comportamento. O rapaz é interpretado por Jon Abrahams, que é outro rosto conhecido de filmes como Todo Mundo em Pânico, A Casa de Cera, Habitantes da Escuridão, entre outros. E você irá reconhecer também o pai de Casey, Frank, vivido por Christopher McDonald, com mais de duzentos créditos incluindo Thelma & Louise e Atração Explosiva.

Assim que Casey encontra uma criatura estranha no campo de futebol e leva ao professor Edward, que nota que se trata de uma espécie de cefalópode, os estudantes começam a perceber que coisas estranhas estão acontecendo no local. São esses parasitas, introduzidos pelo ouvido, que começam a afetar alunos e professores. Quando Delilah e Casey testemunham o ataque à professora Rosa, eles acionam Stan, Marybeth, Stokes e Zeke para encontrar um meio de impedir esse início de invasão alienígena, presumindo que, se matarem o líder, os demais também serão destruídos. Mas para isso precisam primeiro verificar se há entre eles uma criatura disfarçada, exigindo o famoso teste de identificação de um intruso alienígena, popular no clássico O Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter.

Com a ameaça crescente e a constante sensação de insegurança, mas ainda mantendo o bom humor em falas ácidas proporcionada pela idade, o grupo se une para traçar um plano, imaginando quem poderia ser o alfa entre professores e a gestão. Não é assim tão difícil imaginar, uma vez que a própria presença de tal personagem simboliza a chegada de algo novo e estranho em um ambiente escolar. Mas, descobrir a identidade do monstro é apenas um dos passos, pois será necessário também enfrentá-lo com as drogas de Zeke e a ousadia daquele que mais sofre na escola.

O bom roteiro e elenco, além da direção ágil na exploração de personagens carismáticos, garantem o resultado satisfatório de Prova Final. Desenvolvido sob a onda de horror teen, proporcionada por Kevin Williamson e Wes Craven, o longa retrata de modo divertido a relação entre alunos e professores, com elementos de ficção científica e humor inteligente. Não teve continuações como muitas produções de sucesso do período e foi bastante criticada pela reimaginação de histórias já contadas, mas foi um filme que abriu portas para rostos talentosos e permitiu um olhar ainda mais desconfiado sobre aqueles que transmitem conhecimento e precisam ser pessoas de outro mundo para suportar o ofício.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

5 thoughts on “Prova Final (1998)

  • 19/05/2022 em 04:57
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    Marcou minha adolescência,amo esse filme 😍😍👏👏👏👏👏

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  • 19/05/2022 em 02:23
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    Esse filme influenciou os jogos ObsCure 1 e 2.

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  • 18/05/2022 em 17:02
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    Bicho, eu acho que gastei o VHS da locadora de tanto alugar esse filme, Pânico 2 e Lenda Urbana. Lembro que o atendente sempre perguntava se eu não ia levar um desses…hahahahaha

    Prova Final pra mim é um filmaço muito legal.

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  • 18/05/2022 em 02:47
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    Saudade da época de locadoras de VHS!!!! cheguei a alugar esse filme, valeu!!!!

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  • 14/05/2022 em 20:05
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    Nossa, vi tanto esse filme que tenho certeza que ele moldou muitos aspectos da minha personalidade rssss adoro.

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