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The Toxic Avenger
Original:The Toxic Avenger
Ano:2023•País:EUA
Direção:Macon Blair
Roteiro:Macon Blair, Lloyd Kaufman, Joe Ritter
Produção:Alex Garcia, Michael Herz, Lloyd Kaufman, Mary Parent
Elenco:Peter Dinklage, Jacob Tremblay, Taylour Paige, Luisa Guerreiro, David Yow, Annette Badland, Sunil Patel, Margo Cargill, Shaun Dooley, Rebecca O'Mara, Macon Blair, Lloyd Kaufman, Kevin Bacon, Elijah Wood, Julia Davis, Spencer Wilding, Kitodar Todorov, Sophia Vassili

O Vingador Tóxico, um dos anti-heróis mais conhecidos do multiverso de Lloyd Kaufman, conhecido como Tromaville, retorna em mais uma produção tosca, sob uma vestimenta caprichada. O mutante simpático, uma provável referência à bagaceira sci-fi O Incrível Homem Que Derreteu (The Incredible Melting Man, 1977), apareceu pela primeira vez no longa homônimo de 1984, dirigido por Kaufman e Michael Herz, rendendo com o sucesso três continuações, uma série de quadrinhos da Marvel e uma peça teatral, além da animação infantil Toxic Crusaders (1991-1993) e brinquedos colecionáveis.

Desde o último filme, O Vingador Tóxico 4 (Citizen Toxie: The Toxic Avenger IV, 2000), tem se discutido sobre a realização de uma nova continuação ou refilmagem, até as intenções se ampliarem em 2010, quando surgiram ideias de lançar um PG-13, com censura branda, nos moldes da animação. Arnold Schwarzenegger quase estrelou essa versão, que ganhou força em 2016, com notícias indicando uma provável produção de Guillermo del Toro. Contudo, foi em 2018, com os direitos adquiridos pela Legendary Pictures, que finalmente The Toxic Avenger adquiriu uma concepção mais hardcore, com mais aparência de uma produção da Troma. E era isso que queríamos realmente ver, um horror adulto e idiota, um filme de origem de super-herói, com elenco conhecido e humor pastelão.

Peter Dinklage, que ganhou notoriedade na série Game of Thrones, interpreta o narrador-protagonista, além de dar voz ao monstro, fisicamente vivido por Luisa Guerreiro. No distrito de Ye Olde Shithead de St. Roma Village (cuja placa de boas vindas da cidade tem letras faltando para formar a palavra Tromaville), Winston Gooze, que cuida de seu enteado Wade (Jacob Tremblay, de O Sono da Morte e A Vida de Chuck) como se fosse um filho, trabalha como faxineiro na fábrica de biotecnologia da BTH, que tem despejado lixo tóxico nas águas da cidade, envenenando os cidadãos e criando mutações como um fantoche de pássaro, que sempre destaca no local. Para camuflar suas ações ilícitas, o chefe da empresa, o narcisista Bob Garbinger (Kevin Bacon), que injeta em si regularmente sangue de gorila, aceita a pressão dos bandidos da The Khaki Klub, liderado pelo estereotipado gangster Thad Barkabus (Jonny Coyne).

Quando Gooze é informado pelo médico, Dr. Walla (Sunil Patel), sobre umas manchas escuras em seu cérebro — uma cena hilária em que as informações técnicas são abafadas pelo som de uma espécie de furadeira — e diz que terá no máximo um ano de vida, para depois dizer que existe tratamento, o rapaz pede ajuda para que Bob permita que o convênio cubra o apoio médico, mas é ignorado em um evento social. Não servindo de exemplo para o filho, ao não defender a vizinha Daisy (Annette Badland) do capanga Spence (Abraham Lewis), Gooze invade a empresa durante a noite, mergulha seu esfregão de trabalho em produto tóxico para ameaçar o segurança e roubar dinheiro, encontrando no local a ex-funcionária J.J. Doherty (Taylour Paige, de It – Bem-Vindos a Derry), que havia juntado provas e entregado ao investigador Mel Ferd (Shaun Dooley), até ele ser assassinado pela banda The Killer Nutz, composta pelos excêntricos Budd Berserk (Julian Kostov), DJ Cool Cthulu (Neda Spasova), Nightmare Josh (Nencho Stefanov), Venus Devalero (Duke Nwamerue) e Zodiac 3000 (Dimitar Bozhilov).

Gooze é assassinado pela banda e seu corpo é largado em um tonel de produtos tóxicos, voltando à vida e sofrendo uma mutação que o transforma numa versão grotesca e resistente, disposta a se vingar da empresa e dos bandidos da BTH, principalmente depois que Wade é sequestrado. Munido de seu esfregão tóxico, ele logo é visto pelo público como herói, após salvar pessoas em um restaurante invadido por extremistas políticos, The Nasty Lads, que estão incomodados com a mudança de gênero do mascote de uma rede de fast-food (uma ideia genial de critica política). Apelidado de O Vingador Tóxico pela mídia, ele não medirá esforços para destroçar seus inimigos, arrancando cabeças e partes do cérebro e até puxando entranhas pelo ânus, em efeitos bem realizados e sangrentos.

Com a direção e roteiro do fã da Troma, Macon Blair, que teve o aval de Kaufman para fazer o que quisesse, The Toxic Avenger é bem divertido, numa condição assumida de grindhouse grosseiro, com humor de baixo nível (no bom sentido) e tolices em cada cena. Para os fãs do original e do universo descerebrado da Troma, o longa é cheio de referências e homenagens em cada detalhe, como nomes de personagens (Melvin Ferd, do original), entrevistas na TV que falam sobre a escola New Chem High (remetendo a Class of Nuke’em High, 1986) e aparições especiais.

O elenco parece se divertir com a proposta fazendo interpretações exageradas até a medula, como a amante de Garbinger, Kissy Sturnevan (Julia Davis), e seu irmão Fritz (Elijah Wood, numa aparência de Pinguim do Batman). Destaque para o mendigo que se diz médico, Guthrie Stockins (David Yow), que reside em Yonder Spooky Woods e traz momentos hilários como quando parece que irá ajudar uma pessoa ferida ou no epílogo com seu olhar aparentemente emocionado para os ovos do pássaro estrupiado.

Como se espera em um filme do subgênero “homem se transformando em monstro“, assim como em O Monstro do Pãntano, Bob e Kissy depois irão beber do sangue contaminado de Gooze para adquirir uma condição bizarra para o confronto final. Pode-se esperar mais momentos sangrentos, urina de ácido e lutas estranhas para completar o palco de absurdos de The Toxic Avenger. Não é um filme para se levar a sério, mas um trato caprichado a uma produção que, em sua versão original, era apenas tosca, e agora subiu alguns degraus na qualidade técnica, mantendo as bobagens de outrora.

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