5
(2)

Host: Cuidado com quem Chama
Original:Host
Ano:2020•País:UK
Direção:Rob Savage
Roteiro:Rob Savage, Gemma Hurley, Jed Shepherd
Produção:Douglas Cox, Craig Engler, Emily Gotto e Samuel Zimmerman
Elenco:Haley Bishop Jemma Moore, Emma Louise Webb, Radina Drandova, Caroline Ward, Edward Linard, Seylan Baxter

Assisti recentemente a Host, filme dirigido por Rob Savage, e confesso que foi uma grata surpresa. Sem grandes pretensões e trabalhando com recursos mínimos, o filme entrega 56 minutos de tensão muito bem dosados.

A premissa é simples: durante a pandemia de Covid-19, uma jovem contrata uma médium para conduzir uma sessão espírita por Zoom com um grupo de amigos entediados durante o confinamento. O que começa como uma brincadeira para quebrar a monotonia rapidamente foge do controle. A duração também não é mero acaso: os 56 minutos correspondem ao limite de tempo que o Zoom oferecia gratuitamente para as reuniões na época.

O filme poderia facilmente ter se tornado apenas uma curiosidade produzida durante a pandemia, mas Savage faz bom uso das limitações daquele período para construir um suspense claustrofóbico e envolvente. O resultado é uma produção minimalista, mas surpreendentemente eficaz.

Reduzir Host a mais um filme de terror em formato screenlife seria ignorar justamente aquilo que o torna tão especial.

A linguagem visual é familiar a qualquer pessoa que tenha passado pelo confinamento: as janelas do Zoom, os filtros digitais, os problemas de conexão, o áudio falhando e os pequenos atrasos nas conversas. Tudo isso contribui para uma sensação de autenticidade que produções muito rebuscadas não conseguiriam reproduzir com a mesma naturalidade.

O início estabelece rapidamente a personalidade e a dinâmica entre os participantes, deixando espaço para que a segunda metade mergulhe em uma escalada quase contínua de tensão. Quando os fenômenos sobrenaturais começam, o espaço limitado de cada casa passa a funcionar como uma espécie de armadilha. O perigo não está em uma floresta escura ou em um cenário abandonado, mas naquele canto da sala que a câmera dos participantes não consegue mostrar direito.

Mesmo sem uma equipe técnica presente, os sustos são criativos. Fios, iluminação improvisada e objetos comuns das casas dos atores são utilizados de maneira inteligente para criar situações genuinamente desconfortáveis. Um dos melhores momentos envolve um filtro facial que identifica uma presença invisível no escuro — um exemplo perfeito de como uma ferramenta banal do cotidiano pode se transformar em um instrumento de terror.

O filme só perde um pouco de força no terço final, quando abandona parte da sutileza construída até então e recorre a alguns clichês do found footage. Com o caos instalado, a gritaria aumenta e os jumpscares se tornam mais convencionais, diminuindo ligeiramente a sensação de realismo que sustentava a primeira metade.

A mitologia por trás da entidade invocada é pouco explorada e acaba funcionando apenas como suporte para o desenvolvimento da trama, sem acrescentar muito à história.

Ainda assim, Host é um dos filmes de terror mais inventivos de sua época. Rob Savage demonstra que o medo não depende de grandes orçamentos, efeitos digitais sofisticados ou cenários grandiosos. Basta uma boa ideia, um elenco disposto a se entregar à proposta e uma montagem bem feita.

Mais do que um eficiente filme de terror, Host é também um retrato interessante de um período em que o cinema precisou encontrar novas formas de existir. E talvez seja justamente por isso que funcione tão bem: transforma as limitações impostas pela pandemia em parte essencial de sua linguagem.

Recomendo aos nossos infernautas que assistam. É uma experiência curta e intensa, que mantém o espectador preso à tela do início ao fim.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 2

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *