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Godzilla en Santa Fe
Original:Godzilla en Santa Fe
Ano:2025•País:Argentina
Direção: Alexander Duré
Roteiro: Alexander Duré, Gastón Zuñiga
Produção:Franco La Valle
Elenco:Pablo Zuñiga, Giuliano Romero, Esteban Corva, Natalia Díaz, Juan Manuel Perlender, Juan Gabriel Luciano, Alexandro Kobialka, Gastón Zuñiga, Alejandro Mir

Meses atrás chegou aos cinemas o novo Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2026), com o retorno dos Wayans à franquia e sátiras de inúmeras produções de horror dos últimos anos. O longa recebeu diversas críticas e avaliações negativas, o que fez um dos irmãos dizer publicamente que haviam feito o filme para os fãs e não os críticos. Tive a oportunidade de vê-lo somente na chegada ao Prime, e percebi o quanto os detratores estavam certo: dei algumas poucas risadas (muito poucas) e o considerei, numa análise geral, um filme bem ruim. Atribuí o meu mau humor à idade; talvez eu já não tenha a mesma disposição para rir de bobagens como as dos filmes Top Gang, Apertem os Cintos…, Corra que a Polícia Vem Aí e até os dois primeiros Todo Mundo em Pânico, além do quarto, que considerei bem divertidos. Mas, então, fui chamado para ser júri do Terror Córdoba e, entre as produções, lá estava um tal Godzilla en Santa Fé, de Alexander Duré, e me vi gargalhando como há muito tempo não fazia.

Trata-se de uma produção divertidamente estúpida, realizada por um grupo de jovens criativos de Santa Fé, na Argentina, e que teve passagem por festivais como Buenos Aires Rojo Sangre e o Fantaspoa, no Brasil. A criatividade já desponta no prólogo, no tempo dos dinossauros, em que bonequinhos manuseados por mãos pouco discretas mostram o ovo que no presente eclodirá para o aparecimento da criatura clássica do cinema japonês. Nos créditos, diversos registros de programas de TV e jornalísticos permitem que o infernauta perceba a passagem de tempo e acompanhe alguns fenômenos como terremotos na região, avistamento de luzes estranhas e despejo de agrotóxicos, com a trilha sonora bastante conhecida de Akira Ifukube.

O mecânico Pablo está frustrado por não ter conseguido a tal desejada cidadania espanhola. Ao sair para pescar com o colega Tolan (Giuliano Romero) em Chaco Chico às margens da lagoa Setúbal, ao som da conhecida “Vamos a la Playa“, de Righeira, eles se deparam com o Godzilla em um efeito tosquíssimo, e fogem de carro, com o veículo sendo substituído em algumas tomadas por um de brinquedo sendo puxado por linha. Entre os debates bobos do programa “Bateria Fraca“, como os melhores cheiros, o trio de apresentadores relata o avistamento do monstro, com espectadores dizendo não acreditar nas imagens.

Dias depois o Dr. Corvinsky (Esteban Corva) analisa uma pegada para constatar que se trata de um dinossauro. Entrando em contato com os mecânicos — e percebendo que o carro aquático que está sendo produzido (para resistir às enchentes de Santa Fé e viajar para o Paraná) falta um “solenoide“, numa brincadeira com a refilmagem de Guerra dos Mundos, ele descobre que Pablo está catatônico, remetendo a uma sequência parecida em Godzilla (1998), com ele somente pronunciando “Gojira“. Mais aparições toscas, reportagens (algumas hilárias feitas em um falso helicóptero) e críticas políticas, bonequinhos e carrinhos, até acharem que algo deve ser feito para combater a criatura, mesmo que seja pedindo ajuda de traficantes, usando um foguete de brinquedo e até outro monstro.

Destaque para aparição do prefeito, no formato boneco, para o grupo que passa a venerar Godzilla até um deles ser comido, e divertida cena de correria no parque, com pessoas rindo e rolando na grama ou fugindo de maneira engraçada. Imagens em preto e branco, sobreposição e alguém com pantufas de patas de monstro, caixas de papelão substituindo prédios, explosões artificiais, políticos sendo pisoteados… tudo feito de maneira criativamente tosca.

Como produção independente, realizada pela proposta de diversão (ainda mais dos envolvidos), com trilha sonora não autorizada, Godzilla en Santa Fé traz boas referências ao cinema de guerrilha, principalmente aqueles feitos no final dos anos 90 e início dos anos 2000, quando a falta de recursos exigia criatividade e disposição, envolvendo elenco amador e muito besteirol. Curto e bastante dinâmico, o filme também serve de cartão de visitas de Santa Fé, um local que parece abrigar pessoas simpáticas, talentosas e fãs de cinema fantástico.

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