![]() Armadilha Mortal
Original:Pitfall
Ano:2025•País:EUA, Canadá Direção:James Kondelik Roteiro:Victor Rose Produção:Alex Bogomolov, Wai Sun Cheng Elenco:Marshall Williams, Alexandra Essoe, Richard Harmon, Randy Couture, Jordan Claire Robbins, Matt Hamilton, Teresa Laverty, Grant Vlahovic, Shanelle Connell, Brenna Llewellyn, Chance Orion Wood, Michael Ryan, Stephanie Izsak, Nathan Parrott |
Para a geração oitentista, a primeira associação com o título original, sem dúvida, é com o divertido jogo do Atari, lançado em 1982 e desenvolvido por David Crane. Nele, você comandava um aventureiro numa selva perigosa, saltando através de cipós ou nas cabeças de jacarés em lagoas, fugindo de escorpiões, enquanto recolhia tesouros na jornada. Não, Armadilha Mortal (Pitfall, 2026) não é um live-action do jogo, e a narrativa está longe de ser interessante. Se fosse lançado vinte anos atrás, não estranharia um título oportunista como sequência enganosa de Pânico na Floresta — e talvez fizesse até sentido pela obviedade da proposta.
No roteiro de Victor Rose, os irmãos Scott (Marshall Williams) e Ashley (Alexandra Essoe) se afastaram após a perda dos pais em um acidente na estrada que você acompanhará em conta-gotas durante todo o filme. O rapaz até idealiza uma reaproximação, mas enfrenta a resistência de Ashley, mais emocional, buscando culpar alguém para aliviar suas dores psicológicas. Para atenuar o luto, eles estão juntos numa aventura de acampamento e contato com a natureza, levando a tiracolo a namorada de Scott, Gwen (Jordan Claire Robbins); o ficante de Ashley, Charlie (Matt Hamilton), que quer fomentar logo a relação; e o amigo sarcástico Lars (Richard Harmon, de Premonição 6: Laços de Sangue e da série The 100).
Durante o passeio, o grupo se depara com um poço (o tal pitfall) bem camuflado, que possui espinhos e deixa a entender que há um caçador no local, um maníaco, cuja gênese foi acompanhada no prólogo. Quando, durante uma caminhada, Charlie e Scott são perseguidos por uma matilha de lobos, o irmão de Gwen cai no tal poço, ficando com a perna atravessada por um dos espinhos. Os demais sairão em sua procura por dias e noites, até perceberem que não estão sozinhos por lá: além do assassino corpulento e mudo, há também duas moças perdidas, com a narrativa demorando para responder se a fuga delas é algo do passado ou acontece concomitante às ações dos jovens.
Enquanto luta para sobreviver na “armadilha mortal“, tentando soltar a perna ou sofrendo de fome e sede, Scott é atormentado por alucinações em que dialoga consigo mesmo, lembra o passado traumático e a iminência de sua morte solitária. Desse modo, o longa de James Kondelik tenta ser dinâmico ao organizar essas narrativa em episódios de tensão em todos os núcleos. Apesar desse esforço de alternar situações, o infernauta tem a sensação de que o filme tem quatro horas de duração e nunca chega a lugar algum. O ápice desse tormento do enredo acontece no ato final, onde uma sequência se desenvolve em slow motion pela longa demora a se concluir, o que necessitaria de um aviso antes do início do filme: “não recomendado para pessoas ansiosas“.
Como slasher de acampamento, Armadilha Mortal traz algumas cenas violentas, mas nada chocante: uma pessoa sendo queimada viva, outra sendo mutilada. O caçador, interpretado pelo forte Randy Couture, que já foi lutador de UFC em categoria peso pesado, demonstra a resistência e principalmente a persistência dos vilões do subgênero, numa intensidade absurda. Relembra clichês de outros assassinos ao alternar mortes rápidas — quando o personagem é descartável — a outras em que têm a paciência para prender alguém numa armadilha, acompanhando de maneira sádica o esforço para que a vítima consiga se soltar antes de uma queda fatal.
Armadilha Mortal pode passar a impressão de que é um filme bom pela proposta e prévias, além do envolvimento de um rosto conhecido. Contudo, os lugares-comuns e convenções do roteiro — será que teremos a tal reaproximação dos irmãos? Alguma redenção? — mostram que é somente mais um survival horror sem surpresas e dispensável. Então, não caia nessa!






