![]() Todo Mundo em Pânico
Original:Scary Movie
Ano:2026•País:EUA Direção:Michael Tiddes Roteiro:Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans, Rick Alvarez Produção:Rick Alvarez, Neal H. Moritz, Craig Wayans, Marlon Wayans, Shawn Wayans Elenco:Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris, Regina Hall, Teyana Taylor, Kenan Thompson, Dave Sheridan, Lochlyn Munro, Carmen Electra, Kim Wayans, Cheri Oteri, Chris Elliott, Damon Wayans Jr., Heidi Gardner, Shaquille O'Neal, Felissa Rose, Michael Leavy |
Confesso que já não esperava muito de Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2026) quando cheguei ao cinema para participar da cabine de imprensa. Mas quando a distribuidora ameaçou exibir a versão dublada do filme, aí a minha reação inicial foi a de me levantar e voltar para casa. Só o amor pelo Boca do Inferno e por vocês, infernautas, me fez ficar. Felizmente, a decisão esdrúxula foi revista e assistimos à versão com legendas (vai ver, essa era apenas a primeira piada da sessão). A partir daí, senti que tudo o que viesse pela frente seria lucro. No entanto, preciso dizer que foi difícil rir nos primeiros, sei lá, vinte minutos de filme. E o público em geral parecia estar sentindo o mesmo.
Talvez a dificuldade em se engajar com o filme tenha sido consequência da quase extinção desse subgênero da comédia, outrora tão cheio de vida, que é a paródia. Dos clássicos de Mel Brooks e do trio Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker nos anos 1970 e 1980, como O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974), Banzé no Oeste (Blazing Saddles, 1974), Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (Airplane!, 1980) e Top Secret!: Superconfidencial (Top Secret!, 1984), à onda capitaneada pela própria franquia Todo Mundo em Pânico nos anos 2000, as paródias levaram multidões aos cinemas e certamente moldaram o gosto de muitos comediantes profissionais de hoje em dia. Contudo, seja devido à saturação, provocada especialmente por exemplares menos inspirados do que as obras dos irmãos Wayans, seja pela mudança de hábitos do público, que parece hoje entender a comédia em geral como algo para se ver no streaming, a paródia foi desaparecendo do cardápio cinematográfico. A nova versão de Corra que a Polícia Vem Aí! (The Naked Gun, 2025) foi uma primeira tentativa de trazer o subgênero de volta, e seu considerável sucesso parece estar encorajando a indústria a continuar arriscando.
Assistir a um filme desse tipo depois de muito tempo pode talvez ajudar a compreender por que a comédia tem ficado restrita ao streaming. Muitas delas abrem mão de um roteiro mais coeso e fluido para enfileirarem uma sucessão de piadas, o que acaba deixando-as mais parecidas com um programa de esquetes televisivo estilo Saturday Night Live.
Essa é a tônica do novo Todo Mundo em Pânico, tal como sempre foi. Aliás, não existe nada realmente novo nesse retorno da franquia. Mas, honestamente, precisaria existir? Alguém está esperando por isso?
Ao voltar sua mira para a prática atual das sequências-legado – até mesmo ao retirar a numeração do título (é o sexto filme), tal como fizeram Pânico (Scream, 2022), Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, 2025), entre outros -, o longa acaba tirando sarro justamente da estratégia das requels de estabelecer mudanças para no final das contas manter tudo igual.
O Todo Mundo em Pânico original (Scary Movie, 2000) surgiu como uma enorme zoeira com a saga de Sidney Prescott e o renascimento do slasher promovido por ela. Agora, o novo filme retorna às raízes ao voltar a fazer graça principalmente com as requels de Pânico. Poderíamos chamar de fechamento de ciclo, se alguém realmente acreditasse que a franquia dos Wayans vai parar por aqui.
Na nova história (se é que se pode chamar assim), os descendentes dos personagens clássicos começam a ser atacados por um novo assassino, o que leva Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans) a um reencontro repleto de piadas nonsense que referenciam sucessos recentes do cinema, especialmente do terror. E, depois de 13 anos de hiato, os Wayans, juntamente com o roteirista Rick Alvarez, têm muito o que colocar em dia. A Hora do Mal (Weapons, 2025), A Substância (The Substance, 2024), Pecadores (Sinners, 2025), nenhum deles escapa. Também sobra para a saga John Wick (2014 – 2025) e até para Guerreiras do K-Pop (K-Pop Demon Hunters, 2025), com direito a uma sequência em animação bastante competente.
Apesar das piadas com outros filmes serem a base da franquia, o novo Todo Mundo em Pânico se sai melhor mesmo em seus comentários escrachados sobre questões muito presentes na atualidade, como raça, identidade de gênero e o governo Trump. O longa consegue criticar o politicamente correto e, logo no instante seguinte, o anti-politicamente correto, sem compromisso nenhum além de tentar fazer rir. Resta conferirmos como as sensibilidades de 2026 vão reagir a esse mamute descongelado saindo descontrolado pelas ruas.






