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Hellcat
Original:Hellcat
Ano:2025•País:EUA
Direção:Brock Bodell
Roteiro:Brock Bodell
Produção:Brock Bodell, Andrew Duensing, Nate Eggert
Elenco:James Austin Johnson, Todd Terry, Jordan Mullins, Dakota Gorman, Elise Horn, Liz Atwater, Janet Ivey

A classificação de uma produção em gêneros e subgêneros permite que você tenha uma noção básica sobre o que irá ver. Saber que Hellcat é um thriller psicológico, com 70% de sua narrativa em ambientação única, já é a bula do medicamento para entender seu uso. Contudo, o longa de estreia de Brock Bodell vagueia por outras estradas, e algumas delas podem trazer uma sinalização errada, além de spoilers perigosos nas curvas. Será necessário ir para além da metade de seu caminho para perceber que o “escape room” proposto no começo esconde algumas surpresas, nem todas muito bem exploradas.

Lena (Dakota Gorman) desperta em um trailer, rebocado por uma caminhonete, com nenhuma lembrança de sua chegada ali. Sabe apenas que está trancafiada, que o veículo está em movimento — imagino o esforço das câmeras e do cenário para dar essa sensação —, que está grávida de dois meses e o seu sequestrador é representado por uma voz que se anuncia como Clive (Todd Terry), com falas enigmáticas e poucas explicações. É incrível como muitas produções de horror poderiam ser facilitadas por uma comunicação assertiva!

A voz parece vir ironicamente pela cabeça de um animal exposto no trailer, embora Clive ache que precise apenas dizer duas vezes que é um caçador, além de uma boa pessoa. Ele anuncia que Lena está infectada com algo e precisa ser levada até um especialista, Dr. Janikowski, em menos de uma hora para evitar uma condição irrecuperável. A garota percebe um ferimento no braço aumentar significativamente, sendo avisada pelo seu sequestrador de que a respiração ofegante e a adrenalina podem acelerar o processo. Descobrindo seringas em um freezer, ela começa a desconfiar que pode ter sido contaminada de propósito, e seus sintomas — alucinações que envolvem familiares e uma amiga, fotografias estranhas e imagens de sangue — podem não ser da gravidez.

A força de Hellcat se estabelece nesse mistério, bem mais do que o proposto. Enquanto o filme se mantém nesse cenário inicial, apostando na angústia da protagonista ao perceber que seu algoz é fã de conspirações alienígenas e de uma rádio que traz histórias sensacionalistas sobre situações sobrenaturais, ele funciona bem, instigando o infernauta sobre possibilidades, deixando a imaginação fluir naturalmente. Todavia, o enredo quer ir além, trazendo situações de morte e o oficial Crump (Jordan Mullins), e aqueles clichês que incomodam: uma briga ocasiona uma arma disparada; alguém é salvo no último momento pela ação de quem menos se espera. Perdido em sua fantasia absurda, o melhor trajeto é ignorado pelo orçamento limitado, sem que haja uma decisão entre mostrar demais ou manter a dúvida.

Hellcat tinha potencial narrativo para algo melhor, na linha de Rua Cloverfield, 10. Foi sua indefinição entre subgêneros, sem se abrigar em nenhum deles, que impediu um resultado satisfatório.

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