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Ghost in the Cell
Original:Ghost in the Cell
Ano:2026•País:Indonésia, Coreia do Sul
Direção:Joko Anwar
Roteiro:Joko Anwar
Produção:Tia Hasibuan
Elenco:Abimana Aryasatya, Almanzo Konoralma, Aming Sugandhi, Arswendy Bening Swara, Bront Palarae, Dimas Danang Suryonegoro, Dewa Dayana, Endy Arfian, Faiz Vishal, Farrell Rafisqy, Haydar Salishz, Yuhang Ho, Morgan Oey

O cineasta indonésio Joko Anwar mostrou não ter papas na língua cinematográfica em seus trabalhos anteriores, destacando Os Escravos de Satanás (Pengabdi Setan, 2017) e Impetigore – Herança Maldita (Perempuan tanah jahanam, 2019). Conhecido pela fantasia violenta, ele ainda faria Siksa Kubur (2024) e Pengepungan di Bukit Duri (2025) antes de chegar ao tema desse texto, o horror claustrofóbico, com elementos de humor ácido, Ghost in the Cell — uma brincadeira óbvia com o título Ghost in the Shell, famoso mangá cyberpunk que inspirou a franquia animada de mesmo nome e o live-action A Vigilante do Amanhã (2017).

Ghost in the Cell explora a temática do horror ambientado em presídios, numa fábula bem-humorada e com crítica social. Nele, o detento Anggoro (Abimana Aryasatya) está a sete meses de finalmente reencontrar a família do lado de fora, desde que consiga não se envolver em conflitos e tenha um bom comportamento, algo bastante difícil em um local habitado por grupos específicos e características distintas, destacando o muçulmano devoto Wildan (Mike Luccock), o professor Pendi, o amigo Irfan (Dimas Danang Suryonegoro) e Six (Yoga Pratama), capaz de ver fantasmas.

Tudo piora de maneira sangrenta quando Dimas (Endy Arfian), um ex-repórter condenado pelo assassinato brutal de seu editor, chega à prisão. Corpo franzino e sentido de sobrevivência inexistente, Dimas estava trabalhando na edição de um artigo sobre uma operação ilegal de mineração de níquel em Bornéu, onde vários trabalhadores foram encontrados mortos sem explicação. Como estavam apenas ele e o editor na redação, ninguém mais viu o momento em que uma entidade, com a aparência do chefe, o golpeou diversas vezes com uma caneta e o deixou, como uma arte em exposição, no ventilador de teto. Ao chegar ao presídio de Labuhan Angsana, Dimas entra no radar de um perigoso prisioneiro, conhecido por estupros e assassinatos por lá, mas, antes que ele possa findar o companheiro de cela, ele é assassinado de maneira violenta, com o corpo mais uma vez exposto como uma escultura grotesca.

Não demora muito para os detentos descobrirem a dinâmica das mortes sobrenaturais: quem está com a aura vermelha por alguma chateação ou incômodo, um humor negativo ou uma condição pessimista, recebe a visita do fantasma assassino. Assim, entre corpos destroçados e agentes corruptos, os presos precisam melhorar suas auras, seja entrando no grupo de dança ou daqueles que oram, enquanto tentam descobrir o que a entidade busca e como podem enfrentá-la. É preciso entrar na sintonia do enredo de Joko Anwar — algo que funcionou em absoluto para mim — para se divertir com as performances dos personagens. Sequências de brigas internas são alternadas com danças para evitar que suas auras fiquem vermelhas e sejam mortos de maneira violenta.

Quando se fala em danças e orações, não quer dizer que Ghost in the Cell seja um musical ou um pastelão sem sentido. É claro que as sequências são hilárias, mas condizentes com a intenção de sobrevivência de todos ali. Em meio à sangreira, Anwar traz alegorias políticas, trata de hierarquias e busca pelo poder, além da corrupção, e ainda satiriza a própria Indonésia ao brincar com um sistema que resolve coisas rapidamente ou prende pessoas sem sequer encontrar provas. Os diálogos são bem escritos e ácidos; e são favorecidos por personagens carismáticos, remetendo aos de Álex de la Iglesia em O Dia da Besta (El día de la bestia, 1995).

Como o diretor já expressou em entrevistas, a proposta de seus trabalhos envolve a mescla entre o riso e o desconforto. Ambos estão de mãos dadas em Ghost in the Cell, seja pelo destino dos personagens, envoltos em uma atmosfera ameaçadora e incontrolável, ou para um momento de dança desajeitada entre inimigos. Deixem-se levar pelas mudanças entre gore, ação e humor inteligente, e apreciem o melhor trabalho do diretor!

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