
![]() Protocolo de Extermínio
Original:Onslaught
Ano:2026•País:EUA Direção:Adam Wingard Roteiro:Adam Wingard, Simon Barrett Produção:Simon Barrett, Alexander Black, Jeremy Platt, Adam Wingard, Andrew Swett, Aaron Ryder Elenco:Adria Arjona, Dan Stevens, Eric Wareheim, Reginald VelJohnson, Michael Biehn, Blake Kennedy, Alex Pereira, Drew Starkey, Rebecca Hall, Jacob Scipio, Leon M. Brown, Dave Campbell, Tyler Hall, Jasper Keen, Abby Townsend |

Primeiramente, vamos tirar o gorila gigante da sala: Adam Wingard não é um grande diretor. Passando por filmes de baixo orçamento como Você é o Próximo (You’re Next, 2011), pela sequência Bruxa de Blair (Blair Witch, 2016) e por bombas arrasa-quarteirão como Godzilla vs. Kong (2021), ele foi de projetos originais sem uma verdadeira assinatura autoral a, no máximo, um quadro de Funcionário do Mês como operário esforçado da indústria hollywoodiana. Agora, com Protocolo de Extermínio (Onslaught, 2026), Wingard retorna à tentativa de autoralidade, desta vez buscando resgatar o espírito das aventuras de ficção científica com pitadas de terror dos anos 1980 e 1990, mistura cujo mestre foi James Cameron, com seus O Extserminador do Futuro (The Terminator, 1984) e Aliens: O Resgate (Aliens, 1986). É claro que não é justo comparar Wingard a Cameron. Porém, Protocolo de Extermínio não consegue nem mesmo se aproximar do charme divertido de um Soldado Universal (Universal Soldier, 1992) ou do meu filme ruim preferido, Keruak: o Exterminador de Aço (Vendetta dal futuro, 1986). Falta a essa nova produção qualquer traço de personalidade que consiga salvá-la do esquecimento quase imediato após a saída da exibição.
Em uma instalação militar privada no Novo México, o cientista nazi Dr. Hans Kammler (Dan Stevens) modifica geneticamente um trio de soldados americanos (Alex Pereira, Dave Campbell e Tyler Hall), transformando-os em máquinas de matar tão imparáveis que nem mesmo a instalação é capaz de contê-los. Uma vez livres, os três acabam encontrando em seu caminho um estacionamento de trailers que tem como síndica a veterana de guerra Celeste (Adria Arjona). Inicia-se então uma batalha pela sobrevivência, na qual Celeste fará de tudo para proteger sua filha, Daisy (Blake Kennedy).
Protocolo de Extermínio perde muito de sua graça ao falhar em – ou nem mesmo tentar – estabelecer suas próprias regras. Fica difícil entender a extensão da força e das habilidades dos supersoldados. Segundo o Dr. Kammler, eles podem enrijecer seus músculos a fim de repelir balas, uma capacidade que funciona bem quando enfrentam um esquadrão de elite na demonstração realizada pelo cientista para o agente do governo Baylor (Michael Biehn), mas que parece convenientemente nula quando se deparam com Celeste e seus vizinhos. Por outro lado, é um acerto que Celeste não seja retratada como uma protagonista quase sobre-humana, o que muitas vezes acontece nesse tipo de filme. Ao se deparar com os supersoldados, Celeste fica tão assustada quanto os demais.
Existe na primeira metade do filme uma contagem de tempo na tela, mas, se o objetivo disso era fazer escalonar o suspense e construir uma sensação de tragédia iminente, tal recurso leva do nada a lugar nenhum. O mesmo pode-se dizer de alguns personagens. Perde-se um tempo considerável na apresentação de contextos bizarros em torno de Kammler, de sua esposa Hanna (Rebecca Hall) e do agente especial Cyrus (Drew Starkey) que nunca são devidamente explorados ou chegam a fazer alguma diferença na trama. Soam apenas como tentativas vazias de fazer o filme parecer cool e descolado.
A pretensão de ousadia só é preenchida mesmo durante a caprichada sequência de créditos iniciais, que promete um filme com uma instigante crítica à indústria bélica americana. Mas esta, assim como quase tudo ali, acaba morrendo desidratada no deserto literal e criativo que encontramos em Protocolo de Extermínio. Durante a exibição, eu apenas me pegava pensando o que alguém como Paul Verhoeven conseguiria fazer com essa temática. Provavelmente, a sequência do massacre no posto de gasolina iria me provocar pesadelos tanto quanto a cena do assassinato de Murphy (Peter Weller) em RoboCop: O Policial do Futuro (RoboCop, 1987) quando eu era criança.




