O promissor futuro da atriz começou a ser traçado desde a infância. Aos cinco anos Natália ficava fascinada ao assistir os atores atuando no teatro e a sua brincadeira preferida era “brincar de ser atriz” – com muito entusiasmo imitava os atores criando seus próprios textos e cenas. Com o passar do tempo a sapeca já atuava com primor, fazendo de sua casa seu palco e sua mãe a primeira espectadora. Quando não tinha vontade de ir para escola, fingia tão bem estar doente que por muitas vezes funcionou!
Em 2004, Natalia decidiu se profissionalizar e entrou na Escola de Formação Técnica de Teatro no Estúdio Beto Silveira onde permaneceu durante quatro anos e se formou. Com o fim do curso e muita vontade de aprender, Natalia cursou durante um ano a Escola Fátima Toledo, em seguida entrou para o Grupo TAPA de Teatro e emendou em um curso focado para TV e cinema ministrado pelo Fernando Leal.
Após sua formação foi passar uma temporada em Buenos Aires, para observar na capital portenha a forma de viver e se expressar. “Na Argentina descobri uma forma de expressão artística orgânica, algo contido e ainda assim muito latino” revela.
Natalia também já emprestou seu rosto expressivo para diversas campanhas publicitárias para várias marcas nacionais e internacionais como Pepsi, Vivo, Clean and Clear, Uol, Fiat entre outros.
No teatro Natália participou de duas peças do diretor Carlos Meceni; no cinema, sob direção de David Schurmann, é a protagonista do filme Desaparecidos onde revelou seu talento verdadeiro.
Com dois longas-metragens (um em pós-produção) Natália continua buscando expandir seus horizontes artísticos no cinema e TV. Acaba de finalizar o papel de uma sagaz estudante e guerrilheira na novela “Amor e Revolução” exibida pelo SBT. Alem da paixão pela por música clássica em especial de Vivaldi, tem como hobby ir ao cinema, pintar, praticar natação e corrida para manter a forma e uma aparência cada vez mais saudável.
Boca do Inferno: Desaparecidos é um filme do estilo mockumentary (falso documentário), como A Bruxa de Blair, Rec, Atividade Paranormal, entre outros. Você é fã do estilo? Já viu algum filme nesse formato, mesmo que seja para servir como laboratório? Qual (is)?
Natalia Vidall: Apesar de eu morrer de medo, e ser medrosa, eu gosto bastante desse estilo. Acho o máximo essa aproximação da realidade com a ficção. Eu já assisti a todos os filme nessa linha: A Bruxa de Blair, Atividade Paranormal, Rec, Cloverfield… Esses filmes ajudam, mas pouco, pois o diretor buscava uma verdade, e isso não daria para copiar. Eu tive que buscar essa verdade da personagem dentro de mim. Fiz um trabalho de preparação para descobrir qual era o meu maior medo real e usei isso como base.
Boca do Inferno: Nos filmes no estilo “found footage” (fitas encontradas) acontecem muitas cenas de improviso, com os atores dizendo falas livremente e assumindo o comando das câmeras de vídeo. Foi assim também com Desaparecidos? Como foi o processo de filmagem?
Natalia Vidall: No filme Desaparecidos, o diretor nos deixou livre para incluirmos textos nas falas dos personagens. Ele achou muito importante esse improviso para nos deixar mais soltos para demonstrarmos o que sentíamos trazendo mais realidade para o filme. Mas, é claro que tínhamos que seguir um roteiro, e as frases que eram essenciais e ponto chave para o filme. Já com a câmera ele não nos deixou tão soltos assim: tínhamos um excelente e talentoso diretor de fotografia que controlava todos os ângulos e somente em uma cena o ator controlou a câmera.
Filmamos em 15 dias, descansávamos durante o dia, ensaiávamos, e mais para o final da tarde, lá pelas 18h, saiamos rumo ao set – que na verdade era a mata -, para dar inicio às gravações. Filmávamos até o nascer do sol!
Boca do Inferno: Em A Bruxa de Blair, os diretores se escondiam na mata e acrescentavam sons e ruídos que não estavam no roteiro para causar um “medo real”. Foi utilizado algum recurso para causar medo de verdade?
Natalia Vidall: Hahahaha…graças a Deus, esses recursos de “sustos-surpresa” não foram usados. No máximo o que tínhamos era alguém da produção mexendo alguns galhinhos para poder sincronizar a reação, e o olhar que eu e o companheiro de cena tínhamos que fazer.
Boca do Inferno: Os fãs do gênero só souberam de curiosidades sobre o filme através de virais espalhados pela net, como o convite para a festa em Ilhabela, numa tentativa de transmitir realidade. Fazia parte do contrato “esconder” o filme até o seu lançamento para tentar surpreender o público?
Natalia Vidall: Desde o dia do teste, tivemos que assinar documentos de sigilo total do filme. Fazia parte do projeto e proposta “transmídia” assim como da viralização e do marketing. Esse segredo foi intencional desde o primeiro dia. Tivemos sempre muito cuidado, para que não fôssemos descobertos. Até mesmo no Facebook, perto da divulgação, exclui fotos do meu perfil, para que não descobrissem que a “Kamis Andrade“, minha personagem que tem um perfil no Face, era eu. E só pudemos realmente falar que tudo era um filme há 3 semanas.
Boca do Inferno: Como você conseguiu papel para o filme? Fale sobre seus trabalhos anteriores e se foi necessário um teste de gravação para a escolha do elenco.
Natalia Vidall: Eu fiquei sabendo do teste através do meu amigo Pedro Urizze, que fazia faculdade comigo. Estávamos na mesma sala e por sinal era do meu grupo. Ele me contou sobre esse teste que iria acontecer, e me convidou para fazer também. Fomos e fizemos o teste juntos, e nós dois fomos selecionados. E o mais legal é que fazemos um casal no filme!
Comecei minha carreira no teatro com peças infantis e de adultos. Fiz algumas campanhas publicitarias como: UOL, PEPSI, EMBRATUR, FIAT…Muitos curtas como Putz, ganhador de alguns prêmios, e televisão a novela Amor e Revolução no SBT. Este é meu primeiro longa-metragem, e, com ele, descobri que essa é a minha grande paixão!
Boca do Inferno: Fale sobre o seu papel no filme. Como você define “Kamila” e sua importãncia dentro da trama.
Natalia Vidall: A kamila é uma pessoa muito sonhadora, descontraída, do bem, que tem mil projetos em mente. Um pouco mimada, é aquela “patricinha” que quer parecer “hippie“, tipo “hippie chique“..rs… Uma menina um pouco controladora que ama seu namorado mas não demonstra muito. Ela tem uma certa sensibilidade, tanto que é a primeira a perceber que algo muito estranho pode vir a acontecer e por isso acaba sendo a mais assustada também. A minha personagem traz para o filme a agonia, a inquietação, e é através dela que o público sente boa parte do medo e desespero.
Boca do Inferno: Você é fã de filmes de terror? Quais são os seus favoritos? Que estilo te causa mais medo (fantasmas, assassinos seriais…)
Natalia Vidall: Gosto bastante, tanto que já vi quase de tudo. Os que me dão mais medo são os de espíritos como Os Outros.
Boca do Inferno: Quais são seus projetos para o futuro? Já tem algum trabalho encaminhado?
Natalia Vidall: Estou trabalhando em um curta-metragem e fazendo testes para outros filmes e TV. Mas tenho como regra só contar quando estiver tudo certo!





