Críticas

Exte: Extensões Capilares (2007)

Esperava-se mais do diretor Sion Sono, Exte: Estensão Capilares mostrou-se falho em assustar, incomodar ou mesmo emocionar.

Exte - Extensões Capilares (2007)

Exte - Extensões Capilares
Original:Ekusute
Ano:2007•País:Japão
Direção:Sion Sono
Roteiro:Shion Sono, Masaki Adachi
Produção:Makoto Okada, Tsugio Hattori
Elenco:Chiaki Kuriyama, Megumi Satô, Tsugumi

Exte: Extensões Capilares é pra você leitor que jamais entendeu o fascínio dos japoneses pelas longas cabeleiras negras, e quer continuar sem entender. A obsessão capilar é elevada ao extremo, beirando a auto-paródia. Contudo, este humor negro exagerado e confuso, que parece deslocado em muitos momentos, impede que o espectador leve o enredo a sério (se é que é possível levar a sério uma trama sobre cabelos possuídos).

O filme tem início mostrando dois agentes de segurança portuária discutindo sobre cabelos, shampoos e afins. A conversa é interrompida e eles são chamados para verificar um contêiner suspeito. Dentro da enorme caixa de metal, os agentes encontram toneladas de fios de cabelo. Entrelaçado aos fios está o corpo de uma jovem, cujos órgãos foram extraídos. Mas a morbidez da situação não termina por aí. No necrotério, descobre-se que o cadáver apresenta uma estranha propriedade: crescem pelos rapidamente, não apenas na cabeça, mas nos olhos, na boca e em vários machucados que se espalham pelo corpo. Um dos funcionários da equipe de legistas, que coincidentemente apresenta uma obsessão cega por cabelos, não pensa duas vezes e leva o defunto para casa.

O primeiro problema de Exte: Extensões Capilares, cuja direção e roteiro é do aplaudido cineasta japonês Sion Sono, criador do Clube do Suicídio (Suicide Club, 2002), é a caracterização do vilão. Ren Osugi interpreta o funcionário que furtou o cadáver, Gunji Yamazaki, um tarado por cabelos que parece mais um palhaço usando roupas espalhafatosas e agindo como criança. Esta concepção grotesca de personagem desrespeita um dos princípios básicos do cinema de horror e suspense, que é aquele em que o vilão deve causar algum temor no espectador.

Retornando ao enredo: Yamazaki distribui amostras do cabelo que cresce descontroladamente pelo corpo do cadáver para os salões de cabeleireiros da cidade (que usam o cabelo para fazer os chamados apliques, as extensões capilares do título). Num destes salões trabalha Yuko (a heroína), uma ambiciosa cabeleireira interpretada por Chiaki Kuriyama (a assassina que usava roupa de colegial em Kill Bill, de Quentin Tarantino). Yamazaki apaixona-se imediatamente pelos longos e belos cabelos de Yuko e de sua sobrinha, e passa a persegui-las. Enquanto isso, as japonesas que melhoraram o visual com as extensões capilares oriundas da defunta são violentamente assassinadas.

Mesmo ignorando a maluquice do roteiro (normalmente “maluquices” são bem aceitas, o termo não é necessariamente uma crítica), o roteiro exagera em diálogos desnecessários e em momentos irritantes que nada acrescentam a trama. A origem do corpo e o porquê que os cabelos crescerem tanto e tão rapidamente não é somente pouco explicado (como era de se esperar de um horror japonês), mas também pouco explorado (a ideia de trafico de seres humanos para retirada de órgãos é sempre assustadora).

Exte: Extensões Capilares fica devendo também nas sequências mais violentas. Apesar das desagradáveis cenas em que brotam cabelos nas pupilas dos olhos e na língua, no geral o filme se mostra muito contido. Faltou mancharem de sangue estas cenas, que parecem muito limpas e claras. O excesso de iluminação e de tomadas externas, principalmente na praia, impede que se crie uma atmosfera de tensão ou de claustrofobia (sensações que são quase sempre bem vindas em produções do gênero). Vale ressaltar também que os próprios efeitos stop motion usados são limitados, e dão um ar de artificialidade que impede que o espectador acredite na possibilidade do que está vendo. Obviamente ninguém deve acreditar que na vida real cabelos sejam possuídos por um espírito vingativo, mas dentro do universo criado pelo filme, todas as ações deveriam ser, além de verossímeis, visualmente naturais.

Enfim, apesar do sucesso nos cinemas japoneses, esperava-se mais do diretor/roteirista Sion Sono: algo no mínimo perturbador e misterioso como Clube do Suicídio. Mas Exte: Estensão Capilares mostrou-se falho em assustar, incomodar, emocionar ou mesmo em fazer rir.

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1 Comentário

  1. vanessa vasconcelos

    que porra é essa hahaha,os japa pira…..

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