Onde estão as Partes 2?

Remakes

A onda de remakes que assola o cinema mainstream norte-americano parece não ter fim. E os dados confirmam esta realidade. O portal Internet Movie Data Base, por exemplo, traz que apenas entre 2001 e 2010 foram produzidos 76 remakes de filmes de horror. Entre 2011 e 2014, este número foi de 34.

Ao observar estes dados, é curioso pensar que boa parte dos filmes que ganharam refilmagens recentes são da década de 1980 e que tais filmes geraram franquias extensas. Como exemplo, basta pensar em Sexta-feira 13, que foi lançado em 1980 e teve nove continuações, além do projeto Freddy Vs Jason. A Hora do Pesadelo é outro exemplo de filme que virou uma rentável franquia com seis sequências bastante populares.

Uma curiosidade é que a maioria das continuações destas duas séries foi produzida durante a própria década de 1980. Sexta-feira 13, por exemplo, teve sua Parte 2 lançada em 1981 e, com exceção do ano de 1983, teve uma nova sequência lançada em todos os anos seguintes até 1989, quando Sexta-feira 13 – Parte 8 chegou aos cinemas. A Parte 9 veio em 1993 e a décima no ano 2000.

Sexta-Feira 13 - Parte 2 (1981)
Sexta-Feira 13 – Parte 2 (1981)

A Hora do Pesadelo teve sua Parte 2 lançada em 1985 enquanto as demais continuações foram produzidas em 1987, 1988, 1989, 1992 e 1994. E claro, o crossover Freddy Vs Jason, em 2003.

Seguindo a onda de remakes, era inevitável que estas duas franquias ganhassem refilmagens e elas aconteceram quase no mesmo ano. Sexta-feira 13 teve seu remake em 2009 enquanto o novo A Hora do Pesadelo chegou aos cinemas em 2010.

A Hora do Pesadelo (2010)
A Hora do Pesadelo (2010)

Ambos os novos filmes fizeram sucesso de bilheteria e, por se tratar de títulos que sempre faturaram com sequências, era comum esperar logo pelas novas Partes 2. Mas isto não apenas não aconteceu como novos remakes dos títulos já estão em pré-produção.

NOVOS FILMES

Uma possível explicação talvez seja o fato dos filmes originais sempre terem sido produções de orçamentos baixos. Sexta-feira 13, por exemplo, custou cerca de US$ 500 mil e faturou US$ 37 milhões. As primeiras sequências seguiam está lógica de investimento baixo na espera de uma bilheteria alta.

Os remakes tiveram orçamentos bem mais caros. Sexta-feira 13, por exemplo, custou US$ 19 milhões. O faturamento foi de US$ 64 milhões. Em um calculo, torna-se visível como o original, por ter sido mais barato, rendeu mais nas bilheterias.

Sexta-Feira 13 (2009)
Sexta-Feira 13 (2009)

Outra possível questão que deve ser levada em consideração é o fato de sequências, principalmente de terror, virem acompanhadas do pensamento de que, para entender o segundo, precisa-se assistir ao primeiro. Desta forma, a produção de uma parte 2 sempre vai exigir um risco maior da produtora. Neste aspecto, uma possibilidade mais fácil e segura acaba sendo aproveitar o título original para faturar em cima.

É claro que pesquisadores de remakes afirmam que existem diversos motivos para justificar que um filme que já existe ganhe uma refilmagem. Avanços tecnológicos são sempre levados em consideração. Mas outro ponto de destaque é o chamado título pre-sold, traduzido como pré-vendível. Isto significa que o título já é tão conhecido entre fãs que naturalmente vai haver um interesse mesmo para aquela parcela que conhece o título, mas nunca viu a obra original.

Halloween 2 (2009)
Halloween 2 (2009)

Claro que este pensamento mercadológico vai variar de título para título e de quanto os produtores vão arriscar. O remake de Halloween, lançado em 2007, por exemplo, teve a sua parte 2 dois anos depois. O remake de O Massacre da Serra Elétrica, de 2003, teve uma prequel em 2006. E como Jason e Freddy vão ter seus filmes zerados novamente, talvez seja possível para um futuro próximo termos novas partes 2 e 3 nos cinemas. Para os fãs, resta esperar e rever as sequências originais produzidas 30 anos atrás.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

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