![]() Os Garotos Perdidos 2: A Tribo
Original:Lost Boys: The Tribe
Ano:2008•País:EUA, Canadá Direção:P.J. Pesce Roteiro:Hans Rodionoff, James Jeremias, Jan Fischer Produção:Phillip B. Goldfine, Basil Iwanyk Elenco:Tad Hilgenbrink, Angus Sutherland, Autumn Reeser, Gabrielle Rose, Corey Feldman, Shaun Sipos, Merwin Mondesir, Kyle Cassie, Moneca Delain, Greyston Holt, Tom Savini, Daryl Shuttleworth, Sarah Smyth |
Os vampiros estavam em baixa no início do século. Havia alguns poucos exemplares que poderiam valer uma espiada como Drácula 2000, de Patrick Lussier, e Vampiros do Deserto (The Forsaken, 2001), de J.S. Cardone. Há quem coloque na mesma lista A Rainha dos Condenados (Queen of the Damned, 2002), Anjos da Noite (Underworld, 2002) e Van Helsing: O Caçador de Monstros (Van Helsing, 2004), além das continuações: Blade 2 (2002) e os pavorosos Vampiros, os Mortos (Vampires: Los Muertos, 2002), Vampiros: A Conversão (Vampires: The Turning, 2004), Drácula 2: A Ascensão (Dracula II: Ascension, 2003) e Drácula 3: O Legado Final (Dracula III: Legacy, 2005). Enquanto os zumbis e infectados pareciam dominar a cena, uma das minhas produções favoritas da época foi, sem dúvida, 30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007), com criaturas bem caracterizadas e uma atmosfera claustrofóbica. E, então, em 2008, teve início a franquia Crepúsculo, trazendo algo além de vampiros jovens, numa série que se tornou bastante popular pelos romances proibidos e tribos. Foi nesse mesmo ano que outra tribo chamava a atenção por se tratar de uma sequência de uma produção cult.
Os Garotos Perdidos 2: A Tribo era para ter sido realizado nos anos 90. Roteiros foram pensados e não desenvolvidos, incluindo uma ideia do próprio Joel Schumacher na realização de um The Lost Girls. O título Lost Boys: Devil May Cry também esteve em pauta durante um tempo até Hans Rodionoff escrever um roteiro envolvendo lobisomens surfistas e tentar vender a vários estúdios incluindo a Warner Bros. Todos negaram, mas depois a Warner optou por abraçar a ideia, substituindo os licantropos por vampiros e estabelecer uma conexão com Os Garotos Perdidos com a volta de Corey Feldman. Apesar do lançamento direto em vídeo e das críticas negativas, o filme fez um sucesso enorme com a venda de DVDs e estimulou a realização de um terceiro. Na verdade, nem este precisava ter sido feito até porque as críticas são bem justas: trata-se de uma refilmagem do original, sem muita personalidade, apesar de alguns bons aspectos técnicos, resgate da trilha sonora e um ritmo até interessante.
No prólogo, uma sequência envolvendo Tom Savini, mais uma vez vampirizado, já apresenta a tribo dos vampiros surfistas, liderada por Shane Powers (o limitado Angus Sutherland, meio irmão de Kiefer Sutherland, um dos vilões do primeiro). Em Luna Bay, Califórnia (não em Santa Carla), os irmãos Chris Emerson (Tad Hilgenbrink) e Nicole (Autumn Reeser) acabam de se mudar para a casa da tia excêntrica Jillian (Gabrielle Rose), após a morte dos pais. Como ex-surfista profissional e agora modelador, ele deixa o contato com Edgar Frog (Feldman) em busca de emprego, que agora trabalha sozinho em local isolado ainda com a paranoia em torno dos vampiros.
Shane convida Chris para uma festa em sua casa, e este leva a irmã, apresentando os demais da tribo: Kyle (Shaun Sipos), Erik (Merwin Mondesir) e Jon (Kyle Cassie). Enquanto Chris se envolve com a jovem Lisa (Moneca Delain), Nicole passa a se aproximar de Shane, bebendo o sangue vampírico como aconteceu com Michael (Jason Patric) no original. Assim que Chris enfrenta Lisa em sua morada, ele percebe que a irmã está contaminada e deve, com a ajuda de Edgar, enfrentar o líder dos vampiros antes que ela morda alguém e a transformação completa se estabeleça. Como a garota anda se aproximando de Evan Monroe (Greyston Holt), um affair local, o risco pode ser maior, mesmo ela sendo uma vegetariana assumida.
Como no original, Edgar apresenta as HQs como um manual prático de caça aos vampiros e diz que Chris precisa encontrar o covil da gangue o quanto antes. Não há a surpresa sobre o líder dos vampiros ou da consciência da tia sobre mortos-vivos habitarem o local. Mas, de resto, é a mesma estrutura narrativa, envolvendo até mesmo motos aceleradas e o confronto óbvio com os inimigos imortais. Além de não surpreender, o elenco não é tão carismático como o do primeiro e o líder dos vampiros, mal interpretado por Angus Sutherland, está longe de transmitir o mesmo caráter ameaçador de David.
Os efeitos especiais já deixam o prático de lado, até mesmo no esguicho do sangue falso. E o final, o clímax no covil dos vampiros, é bem sem graça, permitindo que o infernauta já saiba como será o embate com o chefe, dependendo de uma atuação de Nicole. Pode-se elogiar o resgate da trilha sonora do original com “Cry Little Sister“, de Gerard McMann, e a boa direção de P.J. Pesce, que já havia comandado vampiros com Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman’s Daughter, 1999). De resto, é uma produção desnecessária e que só serve como elemento nostálgico no reencontro com Edgar Frog e seu vozeirão, mantendo o carisma de um personagem aficcionado pelas criaturas da noite.
Os Garotos Perdidos 2: A Tribo reservou alguns finais alternativos, sendo possível também rever Corey Haim (vampirizado ou não) numa pequena participação, dois anos antes de falecer de pneumonia, encerrando uma parceria de amizade entre os Coreys. No mesmo ano de sua morte, foi lançada a parte 3, Os Garotos Perdidos 3: A Sede (Lost Boys: The Thirst, 2010), dando protagonismo a Corey Feldman e permitindo que o público reveja seu irmão Alan Frog (Jamison Newlander).






