Engrenagens do Terror: A Nova Coluna do Boca do Inferno

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Afinal, o que faz com que tanta gente seja fascinada por filmes de terror?

Essa pergunta, que parece não se calar praticamente desde o surgimento do cinema, talvez possa ser respondida por muitas pessoas com uma única palavra: sustos. Outras podem dizer que aquilo que as atrai nos filmes de terror são os efeitos visuais arrepiantes e as maquiagens aterradoras. Outras, ainda, devem citar a violência e o gore como os principais motivos do seu interesse.

No entanto, todos esses elementos não passariam de um apanhado de momentos supérfluos, desconexos e desprovidos de real emoção se não estivessem amarrados por histórias contadas de maneira envolvente, histórias que quase nos fazem esquecer que aquilo é um filme e que não estamos realmente em perigo junto com os personagens que vemos na tela. Essa feitiçaria tem um nome: roteiro.

Vamos pegar como exemplo os slashers. Embora exista um inegável apelo em sua tão conhecida estrutura, a ponto de ela ser facilmente reconhecida e repetidamente utilizada, o slasher movie dos anos 1970 e 1980 costumava capturar o público pelos seus sustos frequentes, seu clima de suspense, maquiagens e efeitos especiais chocantes e repulsivos e até mesmo pelo seu humor, e não pelos roteiros. Estes se tratavam, no final das contas, de variações sobre uma mesma história. Após a saturação e o quase desaparecimento dos slashers no final dos anos 1980, foi um jovem roteirista chamado Kevin Williamson o principal responsável por injetar sangue novo no subgênero ao apresentar o revolucionário roteiro de Pânico em 1996.

Sua maneira muito particular de captar o espírito jovem da época e de trabalhar as referências pop em função da narrativa do filme tornou Williamson valioso para os estúdios de Hollywood, que resolveram apostar nele a fim de dar prosseguimento ao renascimento do slasher. Tanto que, dos quatro filmes iniciais dessa leva – além de Pânico e sua sequência, tivemos Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Halloween H20: Vinte Anos Depois -, absolutamente todos contaram com o seu envolvimento.

O roteiro é também uma das poucas categorias, juntamente com Efeitos Visuais e Maquiagem e Penteados, onde o terror consegue algum reconhecimento da conservadora Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar. É notório que O Exorcista foi alvo de uma preconceituosa campanha negativa durante sua corrida pelo Oscar de 1974, com isso recebendo muito menos prêmios do que merecia. Um dos dois que conquistou foi justamente o de Melhor Roteiro Adaptado, vencido por William Peter Blatty, também autor do livro.

Em 2018, Corra! rendeu a Jordan Peele o Oscar de Melhor Roteiro Original, a única vitória entre as quatro indicações que o histórico filme recebeu.

Diablo Cody, roteirista vencedora do Oscar em 2008 pela comédia Juno, entregou uma de suas melhores escritas anos depois, em um filme de terror que, à época, foi vendido pelo marketing como algo totalmente diferente de sua proposta, mas que desde então tornou-se objeto de culto e de estudo: Garota Infernal.

Ainda que utilizemos no terror as mesmas técnicas de roteiro que servem também aos demais gêneros, isso não significa que saber provocar lágrimas no

drama ou risadas na comédia é o mesmo que saber provocar calafrios. Por tudo isso, o Boca do Inferno inaugura agora a coluna Engrenagens do Terror, onde irei publicar textos sobre o roteiro nos filmes de terror. Iremos juntos explorar técnicas narrativas, analisar os roteiros de grandes obras e conhecer mais a fundo as engrenagens (ou seriam as entranhas?) do gênero que tanto amamos.

A ideia é que esse seja um espaço de compartilhamento de experiências e conhecimento, de debate e diversão, de curiosidade e aprofundamento técnico.

Por isso, sugestões sobre temas para os próximos textos da coluna serão muito bem-vindas!

Aguarde os próximos giros das Engrenagens do Terror!

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