![]() Immortal Combat
Original:Immortal Combat
Ano:2026•País:EUA Direção:Monroe Robertson Roteiro:Jacob David Smith, Ryan Ebert Produção:David Michael Latt Elenco: Sasha Di Capri, Roxanne G.C. Brooks, Eve Fournier, Greg Kriek, Peter Laboy, Ashley Murray, Mila Orion, Dominique Swain |
A máquina de picaretagem da The Asylum continua na ativa, alimentando o submundo dos blockbuster com seus absurdos oportunistas. Não são produções para serem levadas a sério, seja no currículo dos envolvidos, ou nas suas pretensões de entretenimento. Basicamente, seus realizadores nem sequer precisam de muito esforço para desenvolver os conceitos básicos, bastando um acesso rápido ao cronograma de lançamentos das grandes distribuidoras e imaginando versões cosplays. Deve ser divertido trabalhar nesses estúdios em que qualquer ideia é aceita, qualquer efeito vagabundo é aprovado, e você não precisa se esforçar muito para criar os enredos e figurinos: acredito que até a IA deve ser ignorada por dar muito trabalho e diminuir a sensação de manufatura de fundo de quintal.
Aqui, o roteirista – possivelmente pseudônimo que esconde o “bico” na função – Jacob David Smith aproveita uma ideia de Ryan Ebert, que deve ter ouvido comentários de adolescentes no ponto de ônibus, para compor algo que envolva o embate de guerreiros universais em confronto numa arena (lê-se “algum parque“) para agradar bilionários entendiados. Trocando “mortal” por “immortal“, assim como “Kombat” por “Combat“, o restante do desenvolvimento foi através da elaboração de uma lista de personagens históricos, uma arte que imita o famoso jogo até na “seleção” de quem irá se enfrentar, uma narração para os nomes e uma expressão de raiva na apresentação, com efeitos em CGI barato. Pronto! Immortal Combat está aí para que você dê algumas risadas com os amigos ou deixe em exibição no celular enquanto passa as roupas de casa, dando uma outra olhada de vez em quando.
Joana d’Arc (Eve Fournier), em plena batalha da Guerra dos Cem Anos, é transportada misteriosamente para um futuro tecnológico distante, juntamente com outros oito guerreiros históricos: Átila, o Huno (Sasha Di Capri), Oda Nobunaga (Josiah D. Lee), Genghis Khan (Charlit Dae), Shaka Zulu (Samuel Selman), Rainha Hangbe (Web Crystal), Boudica (Mila Orion), Mama Huaco (Jenique Hendrix) e Cleópatra (Roxanne G.C. Brooks). Espere um pouco! Cleópatra não é uma guerreira e a própria personagem sabe disso. Sua habilidade no filme está na administração de venenos e a lábia para convencer seu oponente a ser envenenado – acredite, se quiser!
Cada um é recebido pela representante da Autoridade de Combate Temporal (TCA), Aria Wellman (Dominique Swain), que explica que eles estão obrigatoriamente no torneio Crimson Havoc, e que a recompensa pela sobrevivência é a volta ao seu tempo. Embora ela informe que os combates são até a morte – o que não faria sentido o título -, os eliminados acordam em uma outra sala para aguardar a próxima rodada do jogo, sem chances de ir embora. Assim, enquanto alguns se preocupam realmente com as batalhas e na eliminação dos demais, há os que percebem que está ocorrendo uma manipulação dos jogadores para provocar os confrontos. Na verdade, é até necessária a manipulação, uma vez que eles são largados no mato para interagir e lutar, mas alguns como Joana D´Arc pensam em formar alianças para atuar contra o sistema.

Além das péssimas coreografias de luta e os cenários de papelão, logo a dinâmica do filme de Monroe Robertson fica cansativa. Como os personagens não morrem, não tem como se importar com os confrontos, nem muitos menos torcer por algum guerreiro, como se estivéssemos vendo um desenho animado com a queda do Coiote de um precipício, sem que isso mude alguma coisa na cena seguinte. Mas, o infernauta já tem consciência do que se propôs a ver e não deve esperar nada além de correria na selva, luta nos corredores, redenção e ausência de expressividade. Quem aceita os critérios do que será exposto não pode esperar qualquer surpresa, como se estivesse vendo lutas ensaiadas na CCXP.
Vale como opção vigarista para quem não tem dinheiro para ir ao cinema e nem assinar streaming caro, e está acostumado com tubarões de seis cabeças e genéricos do King Kong. Não espere uma lição de história ou um enredo surpreendente, apenas um exemplar sincero de uma produção oportunista.



