![]() Night Patrol
Original:Night Patrol
Ano:2025•País:EUA, UK Direção:Ryan Prows Roteiro:Ryan Prows, Shaye Ogbonna, Tim Cairo, Jake Gibson Produção:Josh Goldbloom, David S. Goyer, Narineh Hacopian, James Harris, Mark Lane, Keith Levine Elenco:Jermaine Fowler, Justin Long, Freddie Gibbs, RJ Cyler, YG, Nicki Micheaux, Flying Lotus, CM Punk, Dermot Mulroney, Jon Oswald, Nick Gillie, Zuri Reed |
Depois que o vampirismo passou a lidar com espinhas no rosto, os castelos góticos foram substituídos por gangues e tribos. Dessa leva de filmes de terror teen com presas, Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987) e Quando Chega a Escuridão (Near Dark, 1987) se destacam pelo esmero no trato com as criaturas da noite. Outros vieram e também foram bem recebidos como Vampiros do Deserto (The Forsaken, 2001) e Underworld – Anjos da Noite (Underworld, 2003), mas também foram feitos exemplares que passeiam entre o mediano e o ruim, como a franquia Crepúsculo e Vampiros X the Bronx (2020). Night Patrol pode figurar na lista dos ruins com força ao apresentar um pelotão da polícia de Los Angeles ao estilo Tropa de Elite com elementos sobrenaturais. Tinha chances de dar certo…tinha.
Ryan Prows tinha apenas duas experiências com o horror: Lowlife (2017) e um segmento de V/H/S/94 (2021), quando assumiu a direção de Night Patrol, a partir de um roteiro seu em parceria de Tim Cairo, Jake Gibson e Shaye Ogbonna. Com a produção de David S. Goyer e Keith Levine pela Phantom Four Films e executiva da XYZ Films, o longa já chamava a atenção em 2024 pela presença confirmada no elenco de Justin Long, Jermaine Fowler e RJ Cyler. Adquirido para distribuição pelas RLJE Films e Shudder, o filme teve passagem rápida por festivais, Fantastic Fest e Beyond Fest, e uma estreia limitada nos EUA em janeiro. As críticas foram, em geral, mistas, com 54% das avaliações positivas no Rotten Tomatoes, o que me traz estranhamento pela estrutura narrativa.
Demora para o infernauta saber que existem vampiros no enredo. É claro que se entende a condição como uma metáfora das diferenças de classes sociais, além da inversão entre os papéis de mocinhos e bandidos. A tal Patrulha Noturna é o desejo de muitos policiais como Ethan Hawkins (Long), consciente que se trata de um esquadrão de elite que tem respeito da comunidade em suas operações noturnas, e também pelo fato de seu pai, um falecido sargento (Dermot Mulroney), ter feito parte. Seu parceiro, Xavier Carr (Jermaine Fowler), não tem essa ambição e segue a rotina de patrulhas diárias, exercícios na calçada e alimentação.
Nos conjuntos habitacionais conhecidos como “Colonial Courts“, há gangues que operam por lá, como a que pertence o irmão de Xavier, Wazi (RJ Cyler), filho de Ayanda (Nicki Micheaux), uma mística local que utiliza magia antiga zulu e tradições ancestrais para proteger a comunidade. No começo do filme, Wazi flagrou o momento em que sua namorada fora assassinada pela força-tarefa numa ação de iniciação de Ethan para fazer parte do grupo. Perseguido pelos agentes, o rapaz pede ajuda da mãe, que se une à gangue rival para enfrentar a Patrulha Noturna, sem saber que se tratam de criaturas que se alimentam de sangue.
Ethan descobre tardiamente que o processo final de aceitação inclui um reencontro com o pai, líder da Patrulha, experimentar o seu sangue, antes de morrer para seu renascimento como membro da equipe – sim, ideia copiada de inúmeras produções de vampiros, incluindo a primeira refeição para oficialmente se tornar um. A “criatividade” do enredo fica por conta dos vampiros poderem andar à luz do dia, não temerem cruzes ou alhos, nem morrerem com estacas. E também não possuem presas naturais, precisando usar uma prótese metálica para facilitar a alimentação. A Patrulha Noturna sequestra moradores da comunidade para extração de sangue e alimentação, algo também visto em filmes por aí.
Na noite de transformação de Ethan, o embate acontece. A única surpresa da trama é a morte prematura de um personagem que parecia ter uma importância maior. De resto, é a união das gangues contra a polícia, tiroteio e a força mental do Sargento no comando das ações de seu filho, incentivando-o a defender a Patrulha. É muito pouco. Tanto no enredo que se perde entre os cortes quanto pela proposta de mesclar vampirismo com o gueto. A direção de Ryan Prows também não ajuda, fazendo uso de convenções da técnica como a câmera presa ao dorso na corrida dos personagens, sequências em slow motion e imagem distorcida quando o novo vampiro desperta. Até mesmo o carisma de Justin Long, com seus olhos arregalados e expressão de “chapado“, evidencia uma limitação interpretativa jamais vista em sua filmografia.
Night Patrol é um tropeço na carreira dos envolvidos, não servindo como horror vampírico ou como metáfora da desigualdade nos confrontos entre policiais e gangues. Não se pode dizer que a proposta decepcionou porque o próprio trailer já deixava a entender que o sobrenatural seria apenas um detalhe numa trama convencional e sem alma.





