![]() Presságio
Original:Knowing
Ano:2009•País:EUA Direção:Alex Proyas Roteiro:Alex Proyas, Juliet Snowden, Ryne Douglas Pearson, Stiles White, Stuart Hazeldine Produção:Alex Proyas, Jason Blumenthal, Steve Tisch, Todd Black Elenco:Adrienne Pickering, Alan Hopgood, Alethea McGrath, Ben Mendelsohn, Chandler Canterbury, D.G. Maloney, Danielle Carter, David Lennie, Gareth Yuen, Lara Robinson, Lesley Anne Mitchell, Liam Hemsworth, Nadia Townsend, Nicolas Cage, Rose Byrne, Tamara Donnellan, Travis Waite |
Antes de ver o filme, estava prestes a dizer que a mais nova incursão do diretor grego Alex Proyas no campo da ficção científica, intitulado Knowing, entra numa nova categoria do cinema: grandes cartazes com um grande nome em cima para chamar público. Tal como Mel Gibson para Sinais, Tom Cruise para Guerra dos Mundos, Keanu Reeves para O Dia em que a Terra Parou e – porque não – Will Smith duas vezes, com Eu Sou a Lenda e Eu Robô (este último dirigido por Proyas).
Talvez seja muita maldade da minha parte ao questionar as boas intenções dos produtores de Hollywood, claro, mas penso que não deixo de ter certa razão. Todos os filmes citados acima usam muito mais da popularidade de seu lead cast, de seus efeitos especiais e de uma suposta lição de vida do que da força do material que possuem.
Se a era de ouro da ficção científica nos anos 50 primava pela estética e criatividade fora do comum, hoje em dia, as produções que aparecem tem o intuito de unicamente engordar os cofres dos grandes estúdios.
Outro motivo pelo qual estava resistente para assistir Presságio (título nacional do filme) tem nome e sobrenome: Nicholas Cage. Amigo infernauta, se Nick mereceu todos os louros de outrora com Despedida em Las Vegas e Coração Selvagem, ele merece arder no mármore do inferno por The Wicker Man. Caso estejam se perguntando, sim, pra mim foi algo pessoal. E desculpe usar mais estas linhas para colocar esta insatisfação mal-humorada, mas o senhor Nicholas How did it get burned! Cage ainda tem muito que se explicar pela cagada que fez em um dos maiores clássicos do cinema de horror.
Contudo, pelo respeito que eu tenho por Proyas que entregou um dos meus filmes favoritos, Cidade das Sombras, fui ver Presságio. E fiquei pasmo como uma história cheia de potencial e excelentes momentos isolados se transformou num filme medíocre por causa de detalhes – mas como diz o provérbio, o diabo está nos detalhes. Porém vamos ver um pouco do histórico da produção primeiro.
Presságio foi originalmente escrito pelo novelista Ryne Douglas Pearson e o projeto foi para a Columbia Pictures. O intento da Columbia era colocar tanto Rod Lurie (A Última Fortaleza e Minutos Extremos) como Richard Kelly (Donnie Darko) como diretores.
Porém houve uma negociação e o projeto passou para a produtora Escape Artists, neste passo o roteiro foi reescrito por Stiles White e Juliet Snowden. O diretor do projeto foi confirmado como Proyas em fevereiro de 2005, que novamente fez adequações no script com a ajuda de Stuart Hazeldine (co-roteirista de O Dia em que a Terra Parou 2008).

A história começa em 1959, na escola William Dawes Elementary School em Lexington, Massachusetts. Para comemorar o primeiro ano da escola, será enterrada uma cápsula do tempo contendo os desenhos dos estudantes baseado na sua visão do futuro para ser aberta apenas 50 anos depois. Ideia que partiu de Lucinda Embry (Lara Robinson), uma garotinha sinistra que ouve vozes e contribui para a cápsula com uma folha repleta de números, aparentemente aleatórios. Naquela noite, Lucinda é encontrada trancada num armário do ginásio, com as mãos ensanguentadas falando sobre as vozes em sua cabeça.
Já em 2009, somos apresentados ao nosso herói, o professor John Koestler (Cage), um professor de astrofísica do MIT. Começam os clichês: Koestler é amargurado por ter perdido a esposa numa tragédia e vive sozinho com o filho Caleb (Chandler Canterbury, O Curioso Caso de Benjamin Button). O professor é um pai ausente para o filho e também não se relaciona bem com o pai (Alan Hopgood), que é um reverendo – desnecessário dizer que a causa disso foi a morte da mulher que fez com que Koestler perdesse a fé na religião.
Inclusive, veja que coincidência, no dia anterior aos eventos bombásticos do filme, ele está dando aula para os estudantes de sua classe levantando a questão de que se tudo que ocorre no mundo é premeditado, ou se tratam apenas de eventos químicos e mutações biológicas aleatórias. A opinião do professor, dado seu passado traumático, é mais do que esperada.
E tão obviamente como 2 e 2, John está errado. Caleb estuda na escola William Dawes e no dia da cerimônia de revelação da cápsula cada aluno pode abrir um dos envelopes com desenhos; o garotinho começa a ouvir algumas vozes e pega o envelope de Lucinda. Intrigado com a página repleta de números, ao invés de deixar na escola, ele leva o papel para casa.
Precisa fazer muito esforço para acreditar na série de coincidências que se sucedem, mas John encontra um padrão nos números e descobre que a folha contém a data e o número de mortos de cada grande desastre nos últimos 50 anos com precisão nostradâmica. Sobraram apenas três tragédias futuras no papel e o que acontece quando os números acabam? Conseguirá Koestler evitar as visões da menina? Ou há um significado maior?
Pois bem, como eu disse lá em cima, a premissa é excelente e o resultado poderia ser tudo o que Sinais não foi. Mas existem aqueles dois problemas e o primeiro é Nicholas Cage. Sinto muito, mas o gênero fantástico não é para o homem e tentar engolir que Nick é capaz de fazer o papel de um professor de astrofísica do MIT convence tanto como Steven Segal interpretando um fazendeiro do interior.
Trocando em miúdos, ou Cage está deprimido ou dá aqueles chiliques no melhor estilo How did it get burned!. Queria registrar também que muitos na sessão que eu estava racharam de rir quando Koestler mostra seu crachá de professor para a filha de Lucinda (Rose Byrne, Extermínio 2 e Troia) como se fosse um distintivo do FBI e começa um verdadeiro interrogatório… Sofrível…
Tirando ele, apesar de ter exposição 24/7 no filme, o restante do elenco é muito bom. Chandler Canterbury não é aquele pivete mala de O Dia em que a Terra Parou, nem histérico como Dakota Fanning em Guerra dos Mundos. Rose Byrne consegue passar a emoção de ser a filha de uma louca que talvez tenha previsto o fim do mundo, e Lara Robinson tanto como Lucinda, como sua neta 50 anos depois, possui uma força fantástica. Queria ver mais do colega cosmologista Phil Beckman (Ben Mendelsohn), do pai e da irmã (Nadia Townsend) de Cage no filme, que quase não aparecem, não tem quase relevância na trama e poderiam ter uma história mais desenvolvida.
Aí entra o segundo problema. Os clichês são até aceitáveis, entretanto por ter passado por dez mãos diferentes, o script acabou se tornando uma colcha de retalhos que nem as duas horas de filme conseguem colocar em ordem. Se fosse só pela premissa apresentada nesta sinopse – um filme catástrofe com alguma coisa de premonição – o filme já estaria completo com 90 minutos e seria muito bom. Todavia o roteiro goteja elementos sobrenaturais durante o filme que só são explicados no final em uma cena interminável e pouco convincente.
Não vou entregar num spoiler, porém apesar de tudo, acredito que se a película tivesse terminado dez minutos antes, sem apresentar a cena final, seria bem mais satisfatório. O script também não explora direito o fator apocalíptico, deixando novamente tudo pro fim, o que seria muito mais interessante que deixar tudo centrado em Cage e seus asseclas.
Apesar dos pesares, as cenas de ação e correria são excelentes, de tirar o fôlego mesmo. Apenas tenho reservas com relação ao tosco CGI em algumas tomadas (para quem for assistir aguardem a cena do alce em chamas) e a ausência de sangue apesar de mostrar tragédias em todo seu grafismo, isto tira o realismo em detrimento de uma censura mais baixa.
Proyas também ganha pontos por praticamente não usar sustos fáceis e deixar algumas cenas claustrofóbicas com poucos elementos, enquanto aplica planos altos, longas tomadas e cenas noturnas; o trabalho de câmera do diretor ainda é um dos melhores da atualidade, um verdadeiro estilista visual. A trilha sonora de Marco Beltrami com músicas de Beethoven e a fotografia soturna de Simon Duggan são coesas com o trabalho do diretor e são pontos a se destacar.
Para fechar queria dizer que Presságio não é um filme ruim, também não é bom, é mais como comer um filé gostoso cheio de gordura. E no fim dos números não posso deixar de dizer que fiquei decepcionado, pois esperava mais do Alex Proyas de Cidade das Sombras, porém quem sabe na próxima?






Apesar das péssimas críticas, tenho visto maus filmes pela Netflix de ficção científica no geral – alguns de qualidade mediana até boa – e este, mais um apocalíptico desenrolar tragicamente finalizado- dos EUA -, não é comum! As cenas finais, incluindo desastres, são estonteantemente bem feitas – sem deixar nada a dever às películas do gênero – e ainda com evidentes vantagens. Prende-nos em seu mistério do início ao fim, ressaltando algo não completamente cientificista no modo de conduzir sua trama. Vide nossa atual pandemia, resposta aos estragos que temos perpetrado ao planeta?? E, sim, embora seja coerentemente quase um ateu, declaro-me assustado com a veemência abismal que esta praga hodierna nos propõe, quiçá não mero acidente (aliás, proposição das aulas do astrofísico deste filme: determinismo versus aleatoriedade nos eventos totais universais). Faz-nos, apesar de toda verossimilhança possível metafísica por demasia – ou, diríamos, crente em seu cerne do apocalipse final -, ressignificar sobre o que é a vida? Afinal, mero acaso ou imperioso movimento sem freio das partículas que nos constituem? (Aliás, nisto tudo, Contato, como este filme, é perturbador e eficaz no interesse do início ao fim). Aparte destas observações extra-película minhas, Presságio ainda é bom pelo feitio primoroso como ficção, como terror sobrenatural, como junção de crenças laicas e como uma flecha que nos acerta e esmaga nossas certezas – como a Covid-19 também tem sido… Merecida nota 9, sem dúvida!
O filme estava muito bom até o final, que é totalmente desnecessário. Há, inclusive, uma cena em que o Caleb começa a escrever novos números em um papel, algo totalmente desconsiderado, vide o fim do filme. O resultado final, pra mim, acabou sendo um desastre.
Azar, eu gostei. Menos do final, é claro. Concordo que é uma cena totalmente desnecessária. A melhor cena é a da queda do avião.
bem tosco e exagerado esse filme.