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Rec 2: Possuídos
Original:Rec 2
Ano:2009•País:Espanha
Direção:Jaume Balagueró, Paco Plaza
Roteiro:Jaume Balagueró, Paco Plaza, Manu Díez
Produção:Julio Fernández
Elenco:Jonathan D. Mellor, Óscar Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Rafa Parra, Pep Molina, Andrea Ros, Àlex Batllori, Ferran Terraza

por Filipe Falcão

Prezado amigo infernauta. É com muito pesar que este artigo noticia o que todo fã do ótimo filme REC (2007) temia: a parte dois não é boa. A verdade vai além de uma simples sequência que não é tão interessante quanto o original, já que REC² (2009), com estreia nacional prevista para abril de 2010, pode ser considerado decepcionante.

Quer um exemplo do tamanho do problema? Vamos lá. Você acha que O Massacre da Serra Elétrica 2 é muito ruim comparado com o filme original? E O Exorcista 2? Tubarão 2? Pois REC² consegue ser pior do que essas sequências juntas. Em termos comparativos, equivale a decepção que se tem ao assistir A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras.

A película original acompanha a jornalista Manuela (Ángela Vidal), que está fazendo uma matéria sobre a rotina de trabalho de um grupo de bombeiros. Após uma chamada de rotina, ela acaba presa em um prédio no qual um estranho vírus, semelhante a raiva, está transformando os moradores em seres agressivos e ávidos por sangue. Como o governo não quer que o problema se espalhe, a solução encontrada é a de trancar o prédio, o que limita as chances dos personagens escaparem com vida.

Mesmo bebendo na mesma fonte dos filmes de zumbis dos últimos anos, como Extermínio, REC foi uma agradável surpresa por mesclar terror de primeira qualidade com boas cenas claustrofóbicas, além de utilizar de forma criativa a velha ideia de a narrativa ser mostrada através da câmera de um dos personagens. No caso de REC, continuar com as gravações era a única prova do que estava acontecendo dentro daquelas paredes e por isso fazia sentido. A conclusão também pode ser apontada como um ponto forte da trama, mesmo deixando em aberto o que realmente aconteceu com Manuela. Menos de um ano depois, produtores norte-americanos (sempre eles) compraram os direitos e lançaram a versão made in USA de REC, desta vez batizada de Quarentena. O remake também fez sucesso e salvo algumas cenas extras, é praticamente um clone do original.

Narrativa Frustrada

Mas voltando para esta sequência, qual é o problema de REC²? Todos, ou pelo menos a maioria. A começar por repetir a ideia de mostrar toda a narrativa do filme através de câmeras utilizadas pelos personagens da vez. Se no primeiro filme ela foi bem aproveitada e possuía uma lógica, neste segundo filme, simplesmente não funciona e não há motivo para a linguagem. Desta vez, um grupo de quatro ou cinco oficiais da SWAT, além de um médico, entra no prédio onde a ação do primeiro filme aconteceu. A justificativa, até plausível, é a de controlar a situação antes de uma possível equipe médica chegar ao local. Neste momento, é mostrado o verdadeiro caos fora do edifício, cercado por policiais e ambulâncias.

Os problemas realmente começam quando o tal grupo entra no prédio que misteriosamente está agora completamente vazio. Para quem se lembra dos minutos finais de REC, o local estava infestado e praticamente todos os moradores, bombeiros e policiais haviam se transformado em infectados. De repente, todos desaparecem e o nosso grupo de bravos homens sobe por todos os andares sem nenhum problema. Se esconderam? Cansaram? Morreram?

Capeta

Lá pelas tantas, finalmente um infectado aparece e junto com ele, uma das guinadas mais absurdas do roteiro. Muitas outras ainda virão. De repente o médico tira uma cruz do bolso e começa a mandar o demônio sair daquele corpo. E o pior acontece quando o infectado simplesmente para e começa a interagir com o sujeito, que descobrimos, é um padre. Vamos recapitular. No final do primeiro REC, os poucos sobreviventes entram em um dos apartamentos e encontram recortes de jornais que falam de um suposto caso de exorcismo que teria sido autorizado pelo Vaticano.

A lógica que é passada pelo filme original é que uma criança, no caso uma menina chamada Medeiros, estava com uma estranha doença e a pessoa que cuidava dela achou que a mesma estava possuída pelo capeta. Na tentativa de encontrar uma cura, ou de estudar o caso, a garota foi mantida no prédio, o que acabou gerando a misteriosa doença que se desenvolveu em REC. Ou seja, apesar da possibilidade de um caso de possessão, o filme original sustentou mais a ideia do vírus, o que acaba sendo bem mais interessante.

De volta ao REC², o padre revela qual é a real missão do grupo. Encontrar uma amostra de sangue da garota possuída para estudar o caso e encontrar uma cura. Claro, a essa altura do campeonato, só restaram uns dois soldados e o padre, o que torna a missão de encontrar o tal sangue em um prédio sem iluminação, parcialmente destruído e agora novamente infestado de infectados / possuídos quase impossível. Ah, e o padre deixa bem claro que só vai sair do local com a amostra e os soldados simplesmente obedecem.

Boneca Inflável?

O filme segue com infectados, que agora serão tratados como possuídos, incluindo vários que simplesmente não existiam no primeiro REC . Neste meio tempo, o grupo encontra crianças endemoniadas, sangue que pega fogo e assim o padre e companhia segue em busca do sangue perdido. Lá pela metade do filme, outra forçação de barra acontece quando de repente as imagens de dentro do prédio são substituídas por cenas de um grupo de três amigos brincando com uma boneca inflável em um telhado de um prédio. Hein? Os desocupados estão passando o tempo em outro edifício, mas parece não perceber a estranha movimentação de policiais em frente ao vizinho. Ah, eles estão com uma câmera filmando toda a brincadeira. Pois o grupo fica curioso com o que está acontecendo e encontra uma entrada secreta para o prédio vizinho. Lembrando do primeiro filme, nem os moradores conseguiram encontrar uma saída, mas tudo bem…

Pois os três amigos entram no prédio, encontram os soldados remanescentes, além do padre é claro, e as imagens passam a ser mescladas por aqueles com câmeras. Ah, vale salientar que até o equipamento do primeiro filme é encontrado e utilizado, o que significa cenas com visão noturna. Neste momento, em mais outro absurdo momento do roteiro, o mistério do que aconteceu com a jornalista Manuela é revelado.

Roteiro Estranho

E se o final do primeiro filme conseguiu deixar plateias internacionais grudadas na cadeira, a conclusão de REC² fica longe de ter o mesmo efeito. Na verdade, uma vez que a ideia do vírus é substituída pela possessão demoníaca que pretende dominar o mundo através de um número cada vez maior de “infectados”, a própria trama perde bastante do seu fôlego. Neste caso, o estranho roteiro assinado pelo trio Jaume Balagueró e Paco Plaza (diretores do original e desta parte 2), além de Manu Diez passa quilômetros de distância do original.

O que funcionou no REC original já não tem o mesmo efeito e as mudanças foram para pior. Com exceção de algumas cenas envolvendo os possuídos e que podem agradar aos fãs do gênero, falta uma boa história para conduzir esta parte 2 e o que sobra é apenas gritaria dos personagens.

Enquanto o filme estreia no Brasil no SP Terror 2010, sobram notícias sobre um terceiro filme. Em notícia publicada pelo Boca do Inferno, os diretores Jaume Balaguero e Paco Plaza afirmaram que tiveram várias ideias para o terceiro filme. Se o nível for semelhante com o apresentado em REC², é melhor que o processo de uma parte três seja tão rápido quanto o de A Bruxa de Blair 3, que após o fracasso do segundo filme, nunca mais conseguiu se reerguer. É bem provável que o futuro de REC seja o mesmo, o que é uma pena para um filme que foi um dos grandes destaques de 2007.

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13 Comentários

  1. Quanta má vontade, se assistidos em sequência os dois primeiros formam um longa de quase 3h.
    Na sequência as filmagens são da equipe de resgate e o líder diz que precisam documentar, os infectados que atacam o grupo são os mesmos personagens do filme anterior, basta ver com calma a velha de camisola, a mãe e a menina, o tiozinho meio afetado e até um dos bombeiros, esses que percebi nitidamente e identifiquei. A reviravolta final com a aparição de Angela Vidal foi maravilhosa.
    Não sei onde ou em que circunstância a pessoa que avaliou o filme assistiu, mas esse Rec2 é tão bom quanto o primeiro.

    1. Concordo com o Fernando, essa sequência é muito boa e dá uma verdadeira continuidade ao enredo do filme anterior. Não é algo oportunista, e, mesmo com algumas ressalvas, continua sendo um bom filme. O meu maior arrependimento foi não ter assistido em ordem cronológica, pois achei que o REC² era a sequência de “Quarentena”, o remake. Esse sim que é uma obra sem alma, diga-se de passagem. Acho que merecemos uma revisão, hein kkkkkk

  2. Essa sequência pega tudo que deu certo no primeiro filme e joga no lixo. Esse papo de possessão zumbi foi uma das explicações mais ridículas que já vi, e minha decepção foi tamanha, que até hoje não vi mais nenhum filme dessa franquia. Realmente uma pena, pois o primeiro filme é incrível.

  3. Vocês inverteram a nota do segundo e do terceiro filme. O segundo é até legalzinho, enquanto o terceiro é uma bela porcaria.

  4. Outra coisa que nao entendi foi como a swat nao achou o corpo do pablo ou como a angela se escondeu quando eles entraram no apartamento

    1. Conforme o filme explica, o local onde a Medeiros habita tem uma distorção espacial, talvez pela permanência desse demônio, a ausência de luz revela outra área, em contrapartida o corpo velho da menina é cego, se guia pelo som.

  5. Outra coisa que nao entendi foi como a swat nao achou o corpo do pablo ou como a angela fez pra se esconder deles quando entraram no apartamento

  6. O filme tem seus momentos, não é melhor que o original mas mantém o bom nível, eram p ser três caveiras no mínimo, acho até que inverteram as notas do rec2 com o rec3 gênesis, pois esse sim que é ruim

  7. Eu sempre considerei os monstros como possuidos, entendi isso no final do primeiro filme.

  8. Se a pessoa for considerar os comentários aqui do boca, nenhum filme teria sequencia! Eu acho que ficou bom sim… tipo, todo mundo no fundo gosta de “entender” o porque das coisas…então, é normal que as sequencias queiram explicar isso! E achei interessante eles explicarem essa historia atraves da possessão… que eu lembre, nunca assisti nenhum filme “de zumbi” (que na verdade, são uns “zumbis possuidos”..) que fez essa ligação… de explicar que a igreja estaria querendo estudar o sangue dos possuidos e criar “uma cura” pra possessão! Achei inovador nesse sentido… E o final tbém! Não acho comparavel ao bruxa de blair 2! Alí sim é uma coisa nada a ver! Ao menos REC continuou com a mesma “ideia” da camera amadora e tal… Não é melhor que o primeiro, mas, é uma boa sequencia!

  9. Uma coisa que é muito clara e que nenhum dos diretores/roteiristas de filmes de terror parece perceber é que o aspecto assustador em muita coisa boa já produzida é justamente o mistério sobre o que realmente está acontecendo. Por exemplo, no primeiro Atividade Paranormal, o que mais assusta é justamente o “diabo sem nome”, a coisa que não podemos ver e que não deveria estar ali mas que todos sentem a presença. Com as sequências e a clichesíssima história da seita de bruxas e coisa e tal, a franquia de Atividade Paranormal caiu numa vala comum – bastante rentável, é verdade.
    Com [REC] foi a mesma coisa. Quando, na parte 2, começaram a explicar muito, a meter a Igreja no meio e a suposta fraqueza dos zumbis com os símbolos católicos, o diferencial caiu por terra.

    http://gatosmucky.blogspot.com.br/2010/11/rec-2-2009-reviravoltas-mancadas-e.html

    Abraço.

  10. Tem seus erros na história,mas não chega a ser uma continuação tão horrível assim,eu morri de medo em muitas cenas,principalmente no final.

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