
![]() Banquete no Inferno
Original:Feast
Ano:2005•País:EUA Direção:John Gulager Roteiro:Marcus Dunstan, Patrick Melton Produção:Michael Leahy, Joel Soisson Elenco:Balthazar Getty, Navi Rawat, Judah Friedlander, Henry Rollins, Josh Zuckerman, Jason Mewes, Jenny Wade, Krista Allen, Clu Gulager, Anthony 'Treach' Criss, Eric Dane, Chauntae Davies, Diane Ayala Goldner, Somah Haaland, Tyler Patrick Jones |
por Filipe Falcão
Banquete no Inferno (Feast, 2005) é um dos mais divertidos filmes de terror desta última década. É desta forma direta que esta produção deve ser apresentada. Mas afinal, é possível se divertir assistindo a uma película de terror? Sim, e muito. Antes de qualquer coisa, é preciso entender que dentro do universo dos filmes de terror e suspense existe uma série de subdivisões. Por exemplo, há aquela película que foi produzida com o único objetivo de provocar medo e deixar o público sem dormir direito. Logo em seguida, temos as produções carregadas de violência e cenas repulsivas, que mexem com o estômago do telespectador. Também temos as tramas que provocam apenas susto. Não podemos esquecer dos filmes trashes, gores, thrillers, slashers, e de toda uma série de produções.
Claro, estamos falando de filmes que são feitos propositadamente para serem reconhecidos como tais. Neste caso, também é bastante comum encontrar uma película que foi produzida para provocar medo e, por diversos motivos, gera gargalhadas ou tédio no público. Isso é um assunto delicado e rende, inclusive, uma análise.
Pois Banquete no Inferno é uma produção sem crise de identidade e que foi criada justamente para quem gosta de um bom filme de terror, mas com uma forte dose de exagero e humor negro. É importante deixar bem claro que não estamos diante de um Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), que é uma comédia que satiriza filmes de terror. Banquete no Inferno é antes de tudo uma produção do gênero, mas que possui uma linguagem capaz de agradar e divertir os fãs simpatizantes desta categoria de filmes de terror.
A trama acompanha um grupo de desconhecidos que fica preso em um bar decadente no meio do nada. Todos os personagens são surpreendidos pelo ataque de criaturas assassinas que simplesmente aparecem no lugar para devorar todos.
Fica difícil de imaginar um roteiro mais clichê do que este, mas é justamente nessa característica que o filme consegue ser original e agradar. Por exemplo, em Banquete no Inferno não temos um herói bonitão que vai salvar a todos. Quer dizer, até temos. O sujeito em questão chega correndo ao bar e quando todos perguntam quem é ele, a resposta é imediata: eu sou aquele que vai salvar vocês! Pois em menos de 10 segundos, o herói tem a sua cabeça arrancada e morre diante do restante do elenco. Essa é a grande sacada de Banquete no Inferno, que assume todos os elementos conhecidos do gênero e subverte cada um deles. E salve-se quem puder.
Se você está acostumado aos filmes nos quais, após os créditos iniciais, já sabe quem morre e sobrevive, vai ter uma agradável surpresa, pois Banquete no Inferno tem a sua linha narrativa trabalhada de forma a confundir o público com relação aos candidatos a sobreviventes. Isso significa que qualquer personagem pode morrer, mesmo aqueles que com certeza seriam poupados em produções semelhantes. União para vencer o mal? Que nada, cada um que cuide de si.
O filme segue os seus 95 minutos de duração nessa agonia dos personagens para sobreviverem. Claro, todas as cenas são desculpas para um verdadeiro banho de sangue ao melhor estilo Evil Dead. Durante esse percurso, planos mirabolantes surgirão, ataques surpresas das criaturas acontecerão e o público ficará realmente dividido entre a diversão e a escatologia.
Os monstros são uma atração à parte. Quem está acostumado a trabalhos elegantes como o Alien do artista plástico suiço H R Giger vai achar que as criaturas de Banquete no Inferno foram feitas por crianças para uma peça escolar de fim de ano. E isto não é um exagero. A principio, um dos personagens explica que os seres estão “vestidos” com couro de bodes para se “disfarçarem” (!!!). Em uma das cenas na qual os tais monstros são vistos parados, se tem a nítida impressão de que na verdade um figurante simplesmente vestiu o couro do bode. O pior (ou seria o melhor?) é que ver as criaturas, no escuro, com essa “fantasia” chega a provocar uma certa inquietação.
E se você achar que a “fantasia” de bode é mal feita, espere só para ver os monstros sem a mesma. Apesar disso, dificilmente o cinema de terror produziu criaturas tão vorazes e pertinentes ao gênero. E para completar, o processo reprodutivo é rápido como uma bala, o que complica, ainda mais, o restante de vida dos personagens.
Brincadeira
Ao assistir Banquete no Inferno, tem-se o pensamento de que estamos diante de uma obra autoral. No caso desta produção de 2005, a ideia original foi desenvolvida pelos roteiristas Marcus Dunstan e Patrick Melton e pelo então futuro diretor John Gulager.
Tudo mudou quando os três decidiram participar do Project Greenlight, uma espécie de reality show produzido pelos atores Matt Damon, Ben Affleck e Chris Moore, em parceria com a Miramax. O programa tinha como objetivo escolher um roteiro inédito, que seria transformado em filme. A trama de Banquete no Inferno foi a vencedora da terceira e última temporada do programa. O filme, que custou US$ 3 milhões, conta inclusive com a produção executiva de Damon, Affleck e de Wes Craven.
Pop
Seria difícil encontrar uma única fonte na qual os roteiristas tenham se inspirados para criarem Banquete no Inferno. Talvez a trama nada mais seja do que uma colagem de cenas já previamente conhecidas por quem acompanha o gênero. Essa miscelânea remete aos padrões que ficaram conhecidos nos anos 80, no entanto, com uma linguagem e um visual mais pop.
É basicamente como se pegássemos Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 1977) e comparássemos com o remake Viagem Maldita, de 2006. Temos os mesmos elementos, mas com um tratamento diferente. E parte deste resultado é fruto do trabalho dos roteiristas, que além de terem criado os ótimos personagens, também foram felizes na concepção dos diálogos. A direção de Gulager é regular, mas bastante eficiente para gerar um resultado no mínimo interessante para o gênero.
O elenco também ajuda Banquete no Inferno a ser uma agradável surpresa. Apesar de não termos nenhuma interpretação digna de ser comparada com a de Ellen Burstyn, em O Exorcista (The Exorcist, 1973), todos estão extremamente a vontade em seus respectivos papeis. Os destaques vão para o veterano Clu Gulager, de A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead, 1985), que é pai do diretor e faz aqui uma participação; Jason Mewes, o Jay da dupla Jay and Silent Bob; Krista Allen, do seriado Baywatch e Premonição 4; e Eileen Ryan, de Magnólia (Magnolia, 1999), como uma das personagens mais divertidas do filme: uma velha que, segundo ela, já que vai mesmo morrer, quer mais é beber.
Apesar do teor positivo desta análise, não espere em Banquete no Inferno uma obra prima que vá concorrer ao Oscar de melhor roteiro ou atriz. Mesmo dentro da proposta de um filme de terror divertido, a película possui falhas, embora nenhuma seja forte o suficiente para criar algum efeito negativo à produção. Aqui temos uma simplicidade que foi levada a sério e gerou um bom resultado. É como um grupo de amigos que decide fazer um filme de terror juntos. Eles podem ter pouco dinheiro, mas com criatividade, boa vontade e respeito pelo gênero, podem fazer algo bom.
Atualmente, Banquete no Inferno ganhou não uma, mas duas sequências. Seguindo a linha de pensamento de que é possível economizar dinheiro gravando dois filmes ao mesmo tempo, o diretor Gulager e a dupla Dunstan e Melton criaram duas continuações para a obra original. Feast 2 e Feast 3: The Happy Finish. Originalidade zero, mas não torça o nariz quando encontrar o DVD de Banquete no Inferno 2 nas locadoras. Assim como o primeiro filme, este segundo pode ser uma agradável surpresa.






“Banquete no Inferno” é um ótimo nome para um boteco
Pra mim é um bom filme trash. Sem frescura, vai logo para a ação e não tem um personagem principal, todos participam de alguma forma. Me lembrou um pouco Um drinque no inferno, então não tinha como não gostar desse também.
uma boa diversão trash,eu gostei.