![]() Buddy
Original:Buddy
Ano:2026•País:EUA Direção:Casper Kelly Roteiro:Casper Kelly, Jamie King Produção:Tyler Davidson, J.D. Lifshitz, Raphael Margules, Tracy Rosenblum, Drew Sykes Elenco:Cristin Milioti, Delaney Quinn, Topher Grace, Caleb Williams, Bennie Taylor, Eric Bauza, Patton Oswalt, Sergey Zhuravsky, Keegan-Michael Key, Luke Speakman, Cedwan Hooks, Jimmica Collins, Tristan Borders, Phuong Kubacki, Madison Skyy Polan, Devon Hawkes Ludlow, Seamus Flynn, Bryson JonSteele |
Um erro de interpretação poderia levá-lo a acreditar que Buddy é apenas mais um filme que aborda o universo infantil transformado em horror, tendência forte dos últimos anos. Essa confusão se desfaz logo nos créditos, quando o espectador percebe que o longa é o trabalho mais recente de Casper Kelly, que traz no currículo os esquisitos Adult Swim Yule Log (2022) e a continuação Adult Swim Yule Log 2: Branchin’ Out (2024), além de um dos segmentos mais interessantes de V/H/S/Halloween (2025), intitulado “Fun Size“. Conhecendo essas realizações, entende-se a proposta de subverter um programa ao estilo Barney em uma prisão infernal, onde um unicórnio colorido — e aparentemente simpático — sequestra crianças e adultos para um jogo sádico de tortura psicológica e ameaça.
A própria estrutura de Buddy já se mostra incômoda: durante a primeira meia-hora, o espectador acompanha três episódios do programa infantil It´s Buddy, de 1999. Totalmente musical, a atração traz crianças marchando na abertura ou abraçando o “amigo que sabe seu nome” na vila colorida de Happy Town, morada de Betty Bunny (Jimmica Collins), do carteiro Miles (Bennie Taylor), do Sr. Caixa de Correio, do Sofá Couchy, da Lixeira Trashy (os três na voz de Eric Bauza), da enfermeira Nancy (Phuong Kubacki) e das crianças Freddy (Delaney Quinn), Wade (Caleb Williams), Josh (Luke Speakman) e Oliver (Tristan Borders). Buddy é visto como um bichinho de pelúcia até ser invocado — como o “Palhaço Herói” —, ato que ocorre quando alguém diz seu nome para que ele traga ensinamentos musicais sobre coragem para dançar e manter a casa limpa.
Depois que são convidadas para uma festa dançante e Josh se recusa a ir — mesmo com o poço Worry Well lhe oferecendo sapatos mágicos —, ouve-se em off que Buddy decidiu eliminá-lo, com vestígios de sangue sendo vistos por Freddy no livro que o garoto costumava ler. Logo, Josh é substituído por Hannah (Madison Skyy Polan), que gosta de cantar e dançar, enquanto os demais começam a desconfiar de que Buddy pode não ser o amiguinho que imaginavam, principalmente após testemunharem o assassinato da enfermeira. Acreditando que possam fugir para Diamond City a bordo de Charlie, the Train (Devon Hawkes Ludlow), as crianças precisam encontrar um meio de enganar Buddy ou evitar invocá-lo.
Essa é a primeira hora de Buddy. A cada término de episódio, com o surgimento dos créditos, o tom torna-se cada vez mais sombrio. No entanto, o mundo fora de Happy Town também existe: é lá que a aclamada atriz Cristin Milioti (das séries Pinguim e Black Mirror), no papel de Grace, segue sua rotina de mãe dedicada ao lar e preocupada com os dois filhos, Timothy (Seamus Flynn) e Derek (Bryson JonSteele). Contudo, ela sente que algo está errado ao perceber uma cadeira vazia no jantar e gritar, assustando o marido, Ben (Topher Grace). Um adesivo no carro com apenas quatro integrantes na família parece não fazer sentido. Ao buscar ajuda da vidente Dra. Deborah Burr (Brooke Bloom), a televisão se liga sozinha, exibindo o trecho de um programa infantil sem qualquer registro na internet.
Talvez essa vida fora da telinha nem fosse necessária. Os episódios do programa e a fuga das crianças de um unicórnio monstruoso já bastariam para passar o recado, ainda mais quando Happy Town revela seu lado mais macabro ao entoar músicas de maneira distorcida. Em meio a esse inferno de assassinatos e perseguição, há espaço até para uma pontinha do astro de filmes B Clint Howard como o estranho George. Andando com a barriga de fora na companhia de um ventríloquo, ele é mais uma comprovação de que Buddy não é um filme para crianças. É difícil não se sentir desconfortável quando ele toca o rosto de Hannah, dizendo que ela é bonita, sendo repreendido pelo boneco companheiro: “Eu não sou suficiente para você?“. E o que dizer da cena em que Buddy abraça Grace — agora transformada na nova enfermeira de Happy Town —, passa a mão em seu corpo e a lambe?
Incômodo como se propõe a ser, Buddy é, sem dúvida, um dos grandes destaques do horror em 2026. Não se apoia em banhos de sangue ou mortes viscerais, mas entrega reflexões perturbadoras sobre programas infantis que funcionam, na verdade, como amostras de um inferno onde os participantes foram escravizados por uma entidade sádica. Você nunca mais verá Barney e seus Amigos da mesma forma!





