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Fúria de Titãs (2010)
Um fracasso titânico!

Fúria de Titãs
Original:Clash of the Titans
Ano:2010•País:EUA
Direção:Louis Leterrier
Roteiro:Travis Beacham, Phil Hay, Matt Manfredi, Beverley Cross
Produção:Kevin De La Noy, Basil Iwanyk
Elenco:Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Jason Flemyng, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Tine Stapelfeldt, Mads Mikkelsen, Luke Evans, Izabella Miko, Liam Cunningham, Hans Matheson, Ashraf Barhom, Mouloud Achour

Antes de qualquer coisa, uma confissão: Saí da sessão de cinema do mais novo filme do diretor francês Louis Leterrier (O Incrível Hulk, Carga Explosiva) me sentindo enganado. Não enganado pelo roteiro raso e repleto de clichês, não pelas atuações canastras ou por tudo aquilo que poderia jogar o bom nome do original de 1981 na lama, mas simplesmente porque paguei 8 paus a mais para usar um óculos 3-D quando o máximo de terceira dimensão que vi durante todo o filme foi o trailer de Toy Story 3!

Vamos às primeiras coisas primeiro, Fúria de Titãs, o original, dirigido por Desmond Davis com efeitos do mestre do stop motion Ray Harryhausen foi ambicioso para o ano de 1981. Em um tempo que a tecnologia em animatronics estava atingindo seu ápice, usar uma técnica secular de se fazer cinema era considerado no mínimo antiquada, comparável à recusa de Hitchcock em rodar Psicose em cores.

Foi um tapa na cara de quem não acreditava na ideia e o filme entregou cenários riquíssimos, figuras mitológicas perfeitas e aguçou o imaginário de muita gente. Recuso-me a usar o termo que os críticos brasileiros estão usando, dizendo que o Fúria de Titãs original é um clássico da Sessão da Tarde, pois a mim soa extremamente pejorativo.

Olha então a responsabilidade dos realizadores quando mais de 20 anos depois, em 2002 o produtor Adam Schroeder anunciou o projeto do remake. E recursos não faltaram, foram quatro roteiristas: John Glenn e Travis Wright, mais uma revisão feita em 2006 por Travis Beacham e outra em 2007 por Lawrence Kasdan. Stephen Norrington (Blade) foi o primeiro nome na cadeira de diretor, porém deixou a bomba na mão de Leterrier, porque ele não havia crescido com o original.

Em junho de 2008 a Warner Bros dá sinal verde para o projeto e o roteiro recebe novo tratamento pelas mãos de Phil Hay e Matt Manfredi (vai contando, já são seis roteiristas!), nesse momento há certa pressa para o início das filmagens e a dupla entrega o trabalho refeito em menos de um ano.

Fúria de Titãs (2010) (2)

Sam Worthington consegue o papel principal, as filmagens acontecem entre Abril e Julho de 2009 e então a coisa desanda. Com o sucesso absurdo de Avatar, o estúdio coloca pressão no diretor para que Fúria de Titãs seja convertido em 3-D e arrancar mais uns cobres do público sedento pela novidade. Apesar de preocupado, Leterrier cede, o que atrasa um pouco o lançamento.

Saindo nos Estados Unidos em 02 de abril de 2010 e aportando no Brasil em 21 de maio e mais recentemente em DVD e Blu-ray, o resultado é vergonhoso de dar pena. De um filme que encantou gerações, para uma versão filmada de God of War por Uwe Boll. Pelo menos o roteiro é relativamente similar ao original, uma versão regurgitada da lenda de Perseu.

Há muito tempo na Grécia antiga, três olimpianos derrotaram os titãs, são eles Zeus (Liam Neeson), Poseidon e Hades (Ralph Fiennes). Depois da derrota dos titãs, Zeus criou os humanos e os governava enquanto Poseidon governava os mares, mas Hades enganado por Zeus foi forçado a governar o submundo.

Muitos anos depois, um pescador chamado Spyros (Pete Postlethwaite) encontra um caixão a deriva no mar, descobre uma mulher morta e um bebê ainda vivo que é chamado de Perseu (Sam Worthington). Anos depois, Perseu e sua família pescam numa encontra enquanto enxergam um grupo de soldados da cidade de Argos derrubando a grande estátua de Zeus no mar, como uma declaração de guerra aos deuses do Olimpo. Hades aparece e massacra os soldados, mas também destrói o barco de pesca e a família de Perseu morre.

O rapaz é levado então para Argos e são recepcionados pelo Rei Cepheus (Vincent Regan) e a Rainha Cassiopeia (Polly Walker) que comemoram o início da rebelião dos homens contra a tirania dos deuses, meio a contragosto de sua filha, a princesa Andrômeda (Alexa Davalos). Entrementes, Zeus no Olimpo autoriza Hades a dar um ultimato aos homens, ele aparece no banquete matando muitos soldados, a rainha e setenciando que Argos será destruída em 10 dias pela liberação do Kraken (monstro que foi criado por Hades para derrotar os titãs no passado) a menos que Andrômeda seja oferecida em sacrifício ao monstro, antes de ir embora, Hades revela aos presentes que Perseu é um semi-deus.

Tratado com desdem e humilhação pelos habitantes de Argos, Perseu tem sua chance de se vingar e ajudar Argos quando o rei pede sua ajuda para encontrar uma forma de destruir o Kraken. Ele a princípio se recusa, mas muda de ideia quando é visitado no cárcere por Io (Gemma Arterton), uma mulher que não envelhece como castigo dos deuses. Ela revela a verdadeira origem de Perseu, que é filho de Zeus com Danaë (Tine Stapelfeldt), a esposa de Acrisius (Jason Flemyng), rei anterior de Argos.

Furioso com a traição, Acrisius renega o fruto do ventre da esposa e joga a mulher e seu filho no mar para a própria morte dentro do caixão que Spyros encontra no começo do filme. Com o destino selado entre homens e deuses, Perseu se convence que não pode deixar os habitantes de Argos ao relento e se lança junto com Io e os últimos soldados da cidade em uma última busca suicida antes que seja tarde demais.

Ok, o filme tem ação e efeitos especiais, mas para tudo na vida e no cinema precisa ter um propósito e nem toda ação sem sentido e gráficos gerados por computador podem tirar o foco de uma história insossa. Para começo de conversa, não é difícil de engolir que Perseu, depois de escorraçado por deuses e homens se preste a vingança para libertar o povo de Argos, no original, o elo era muito mais forte, pois ele era apaixonado por Andrômeda. Só para dar um exemplo, a falta de emoção se estende aos guerreiros que perecem ao longo do caminho sem que nada seja dito sobre suas famílias que ficaram em Argos para focar inteiramente no relacionamento entre Perseu e Io (o que também falha, diga-se de passagem).

Fúria de Titãs (2010) (4)

Ainda na comparação entre versões, os deuses do Olimpo fazem papel de coadjuvante aqui, não há manipulação pelos deuses dos mortais que os veneram em seu próprio favor. Ao colocar os deuses como neutros na batalha entre Perseu e Hades/Kraken, acabou nivelando por baixo a potência que a historia do original tinha tirando qualquer beira de criatividade, uma mitologia inteira de possibilidades e seis roteiristas depois vieram com uma versão magrinha de 300 misturado com Sinbad repleto de diálogos simplistas e o release the Krakende Liam Neeson que o assombrará por muito tempo. Gente, Perseu, um pescador, nem precisa de treinamento pra sair pulando Matrix com sua espada!

A propósito, falando no elenco, Neeson ressoando em sua brilhante armadura como Zeus está apagado, muito mais para Don Quixote do que para um deus do Olimpo, contrário do malévolo Ralph Fiennes, que parece histérico pelo poder fora do submundo e Sam Worthington dando seu melhor lado herói canastrão a lá William Shatner/Charlton Heston. Os outros são desperdiçados em seus papéis (nenhum outro deus do Olimpo se manifesta, só Hermes que tem uma única fala) ou simplesmente irritantes como um sacerdote que não para de gritar sempre que aparece. Mesmo com tantos nomes bonitos, o conjunto empolga tanto quanto uma versão convertida para 3-D de Em Nome do Rei do já citado Uwe Boll.

Agora os efeitos… Na boa, comparar o Stop Motion do original com o CGI deste aqui é até covardia. Harryhausen é muuuuuuito superior! Sério, a modernização de Fúria de Titãs é fraco em efeitos até na comparação com seus pares atuais, está muito mais para A Múmia de 1999 que para um filme de 10 anos depois. O que salva é a maquiagem do deformado Acrisius e os efeitos dos Pégasus enquanto não estão voando, se você pagou para ver a medusa e todos os três minutos que aparece o Kraken, sinto desapontá-lo. Ainda assim, tal como Avatar antes dele, será uma fábrica de dinheiro calçado única e tão somente em efeitos especiais.

E qual é o veredicto, o filme é ruim? Não é péssimo, porém é tão medíocre que não vale seu suado preço do ingresso ou o do DVD e Blu-ray. Milhares de filmes de fantasia e ficção científica descartáveis são lançados todos os anos nas prateleiras das locadoras e este seria só mais um, não fosse um remake de uma produção tão importante nos anos 80 e os nomes dos envolvidos. Em resumo Fúria de Titãs é um filme pequeno com mania de grandeza, evite se puder, ou você corre o risco de ficar mais furioso que os titãs do filme.

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1 comentário

  1. Na boa era só fazer igualzinho ao original sem mudar uma virgula se quer somente usando efeitos especias em 3D de verdade e com certeza as pessoas sairiam dos cinemas satisfeitas tendo ou não assistido ao clássico em 81. Mas o pior é que conseguiram grana suficiente para fazerem o segundo filme que também não é lá grande coisa.

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