![]() O Ritual
Original:The Rite
Ano:2011•País:EUA Direção:Mikael Håfström Roteiro:Michael Petroni Produção:Beau Flynn, Tripp Vinson Elenco:Alice Braga, Andrea Calligari, Anthony Hopkins, Arianna Veronesi, Ben Cheetham, Chris Marquette, Ciarán Hinds, Colin O'Donoghue, Maria Grazia Cucinotta, Marija Karan, Marta Gastini, Rosa Pianeta, Rutger Hauer, Toby Jones, Torrey DeVitto |
por Gabriel Paixão
O maior problema que um filme de terror com exorcismos como pano de fundo sempre terá é a inevitável comparação com O Exorcista. Parece clichê de critico de cinema chato, mas mesmo com mais de 35 anos de idade a obra de William Friedkin é (e sempre será) um dos maiores expoentes do cinema de horror, para muitos o filme mais assustador de todos os tempos, então nada mais natural. E ao final das contas este é um dos mais “condenáveis” dos defeitos de O Ritual (The Rite) – lançado nos cinemas brasileiros em 11 de fevereiro de 2011 – simplesmente ele não ser O Exorcista, mas tentar de alguma forma utilizar de fórmulas parecidas e falhar no meio do caminho.
Mikael Håfström, diretor do excelente 1408, leva para as telas uma adaptação do livro The Rite: The Making of a Modern Exorcist de Matt Baglio que por sua vez foi escrito baseado em fatos reais relatados por um padre chamado Gary Thomas, morador da Califórnia, que foi assignado pelo bispo de sua diocese para estudar a “arte” do exorcismo no Vaticano. O roteiro do filme conta a história de Michael Kovak (o novato Colin O’Donoghue), um jovem que trabalha no negócio da família, uma funerária. Muitos anos após o falecimento de sua mãe e desiludido com a vida que leva e seu relacionamento frio com o pai (Rutger Hauer, de Drácula 3D, de Dário Argento), Michael decide entrar em um seminário para ter quatro anos de estudo superior enquanto decide se aceita os votos para tornar-se padre, apesar de sua baixa inclinação religiosa.
Quatro anos depois, ainda questionando sua fé e enviando uma carta de renuncia no final dos estudos, um acidente trágico repleto de coincidências demais ocorre e o jovem é “persuadido” pelo seu superior Padre Matthew (Toby Jones, Frost/Nixon) a realizar um curso de exorcismo em Roma com a ameaça de que se sair antes, poderá ter que pagar todo o investimento que a igreja fez em seus estudos, algo da monta de 100 mil dólares. Caso depois do curso ainda decida desistir, não haverão represálias.
Michael sem muitas alternativas parte para Roma e durante suas aulas encontra Angelina (Alice Braga, Predadores), que também está participando, mas ao contrário do que pensa o rapaz que acredita que ela é uma freira, Angelina é uma jornalista que foi convidada para escrever um artigo sobre o curso e sobre exorcismos para um jornal. Notando o ceticismo de Michael ela pede ajuda a relatar suas experiências por sua opinião aparentar ser imparcial.
Mas não é somente a jornalista que nota essa caracteristica dele, um dos professores do curso, padre Xavier (Ciarán Hinds, Harry Potter e as Relíquias da Morte) pede que Michael visite um amigo pessoal dele, padre Lucas (Anthony Hopkins, O Lobisomem), um renomado exorcista, a fim de que compartilhem experiências e tente mudar sua visão das possessões demoníacas.
Lucas é uma figura a parte: comunicativo, irônico e não ortodoxo (bem mais para um Dr. House do que para um padre Merrin), começa a mostrar a Michael os pormenores dos exorcismos pegando dois casos sem ligação, a possessão de uma garota grávida (Marta Gastini) e as estranhas marcas de violência nas costas de um menino. Algumas reviravoltas na trama e Michael precisará começar a acreditar na palavra do padre Lucas quando diz que o diabo é mais do que cabeças girantes e sopa de ervilha.
A comparação com O Exorcista fica evidente pela forma como a história é contada, pois poderíamos até fazer um paralelo fácil entre o drama de Michael Kovak e o Padre Karras do filme de 1973: dois personagens que perderam a fé, mas são forçados a retomá-la ante aos eventos decorridos na trama. Embora O Ritual seja bem menos “pirotécnico”, a diferença é que Karras é muito mais humano em sua jornada, pois apesar de cético, aceita os eventos de possessão quando é evidente ao público que aquilo é obra de um ser sobrenatural. Em O Ritual, Kovak é estupidamente relutante, mesmo quando as evidências indicam o contrário e só se apega na fé para combater o “demônio” quando sua própria vida é colocada em risco e o roteiro não consegue segurar a dúvida (possessão ou doença mental?) na cabeça do público por muito tempo.
Outro problema da produção diz respeito aos personagens secundários, interpretados por Rutger Hauer e pela Alice Braga. Sem nenhum traço de personalidade marcante ou mesmo uma relevância definitiva na trama, me peguei diversas vezes pensando se Hauer e Braga chegaram a encontrar Anthony Hopkins nos sets de filmagem, visto a elipse enorme com poucas intersecções entre suas histórias e a trama principal. Explico: Istvan Kovak, por exemplo, é um mero estopim para que Kovak filho entre no seminário, praticamente é só. A função de Angeline é ser a instigadora da trama e para causar tensão sexual entre ela e Kovak, só. Um pouco de edição e eles poderiam ser limados, como alguns outros personagens também de segundo escalão. Algumas cenas de sonho e simbolismos que poderiam serem chaves para decifrar o mistério e ligar com o clímax (que não serão contados aqui por motivos de spoilers) também parecem estar “sobrando” na projeção.
Evidente que O Ritual tem boas qualidades, como a fotografia na “Itália” (o filme foi filmado grande parte na Hungria), o trabalho de maquiagem, a seriedade na discussão sobre como o assunto “exorcismo” é tratado, alguns takes inspirados de Håfström no ato final, e o grande atrativo: a espetacular atuação de Anthony Hopkins. O cara é um monstro e carrega cada frame de O Ritual (apesar da relativa baixa qualidade em seus diálogos) com uma interpretação sólida, constante, aterrorizante em alguns momentos. Nem parece que já se passaram 20 anos desde O Silêncio dos Inocentes, que rendeu a Hopkins seu único Oscar… Pobre de cenas chocantes ou violência, é uma pena que o grande clímax seja tardio demais e a produção perca tanto tempo explicando academicamente como é um exorcismo, circulando em investigações e conflitos internos de pouco interesse ao público.
Em resumo, O Ritual não é ruim, mas também não é bom. Um thriller facilmente esquecível, de poucos detalhes que fica oscilando entre drama e horror, contudo sem ser marcante em nenhum dos dois gêneros… Obviamente não causará o efeito de O Exorcista ou A Profecia, que fizeram muitos voltar a frequentar a igreja com medo do diabo. No combate direto entre o Baal deste filme e Pazuzu da produção de 73, o segundo ainda é campeão invicto.







O Exorcista é um dos filmes mais chatos que já assisti, não entendo como tanta gente possa achar assustador
” diretor do excelente 1408″, de onde você tirou isso?! rsrsrs
deixou muuuuuuuuuuuito a desejar.