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Planeta dos Vampiros (1965)

O Planeta dos Vampiros
Original:Terrore nello spazio
Ano:1965•País:Itália
Direção:Mario Bava
Roteiro:Mario Bava, Alberto Bevilacqua e Callisto Cosulich
Produção:Fulvio Lucisano
Elenco:Barry Sullivan, Norma Bengell, Angel Aranda, Evi Marandi, Fernando Villena, Stelio Candelli, Massimo Righi

“Serão do futuro ou do passado, esses “seres” que dominam este planeta demoníaco?”

O Planeta dos Vampiros é uma insólita mistura entre sci-fi e horror, dirigida pelo mestre italiano Mario Bava. Na trama, as espaçonaves Argus e Galliot investigam um misterioso sinal vindo do planeta Ura. Quando próximas de sua órbita, de forma inexplicável, as duas naves são atraídas e forçadas a pousar. Durante a “aterrissagem”, a tripulação da Argus perde os sentidos. Quando recobram a consciência, por alguns instantes todos são acometidos por um surto de loucura e violência. Uma vez que a ordem é restabelecida, o comandante da espaçonave organiza uma equipe e parte em busca dos possíveis sobreviventes da Galliot. Porém o destino teria sido ainda mais trágico para os astronautas da Galliot, que se mataram num ataque de insanidade idêntico ao ocorrido na primeira espaçonave. Após encontrarem a Galliot e enterrarem todos os seus amigos, os tripulantes da Argus começam a desconfiar que, apesar de aparentemente deserto, o planeta pode ser terrivelmente hostil.

Precursor e inspirador de clássicos futuros como Alien, o Oitavo Passageiro, de Ridley Scott (dizem até que Dan O’Bannon teria misturado o roteiro do longa de Bava com o enredo do filme Planet of Blood/Queen of Blood, de Curtis Harrington, na composição da trama de Alien), O Planeta dos Vampiros ainda permanece inédito em DVD no Brasil, embora já tenha sido lançado (em versão digital restaurada) no exterior pela MGM. Contudo, quem tiver curiosidade, sorte e paciência pode procurar nos quase extintos “sebos” a versão em VHS lançada LK-TEL vídeo nos idos anos 80.

É difícil analisar ou mesmo imaginar como foi a recepção do filme na época de seu lançamento nos cinemas, lá na metade da década de 60. Mas revendo o filme nos dias atuais, a sensação que temos é um delicioso estranhamento, uma mistura nostálgica que remete a um cinema mais primitivo e artesanal, mas de grande qualidade artística. Há quase 50 anos, sem o auxílio de efeitos especiais gerados por computador ou qualquer tipo de tecnologia, o que restava aos realizadores da época era a criatividade e a ousadia, o que, diga-se de passagem, aproximava muito mais o cinema da arte.

Filho do escultor e cineasta Eugenio Bava, Mario dirigiu um total de 24 longas-metragens durante sua carreira (Bava faleceu em 1980). Já trazia, na época do lançamento de Planeta dos Vampiros, outras quatro grandes obras na bagagem de diretor: I Vampiri (1956), Black Sunday – A Máscara de Satã (La Maschera del demonio, 1960), Hércules no Centro da Terra (Ercole al Centro Della Terra, 1961) e Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror (I Tre volti della paura, 1963).

O ritmo cadenciado, característico ao cinema da época, pode assustar um pouco o público acostumado ao desenfreado cinema atual, mas é compensado pelo roteiro cheio de enigmas, que explora muito bem todas as questões propostas pela roteiro.

Assim como em Hércules no Centro da Terra, Bava e sua equipe desenvolvem um visual totalmente psicodélico, com cenários carregados de vermelho e roxo envoltos em nevoa constante. Este cenário, somado ao visual dos uniformes dos astronautas (couro preto colado ao corpo) e dos computadores repletos de lâmpadas coloridas, complementam o ambiente “lisérgico” proposto pelo cineasta.

O elenco, encabeçado por Barry Andrews interpretando o Capitão Mark, conta ainda com a curiosa participação da brasileira Norma Bengell (isso mesmo, a mesma Norma Bengell que dirigiu o polêmico O Guarani e que protagonizou a primeira cena de nu frontal do cinema brasileiro ao lado de Daniel Filho e Jece Valadão). Vale ressaltar também que, quando interpretou a astronauta Sanya, a atriz carioca tinha apenas 30 anos e estava no auge de sua beleza. Se o elenco não se destaca positivamente ou esbanja talento, também não chega a comprometer o resultado final de Planeta dos Vampiros. Aliás, toda a limitação técnica e de orçamento, fato característico do que ficou conhecido como cinema B, é superada pelo empenho e dedicação da equipe de Bava, que oportunamente reaproveitou diversos cenários sobras de épicos italianos rodados nos míticos estúdios Cinecittá de Roma (local onde foram filmados Ben Hur (1958), Quo Vadis (1949) e A Doce Vida (1960) entre outros grandes clássicos).

Sem precisar entregar qualquer spoiler, é possível afirmar que o desfecho de O Planeta dos Vampiros é um dos mais pessimistas e sombrios da história da ficção científica. Enfim, um grande filme, conduzido brilhantemente por um dos maiores diretores italianos do gênero fantástico que, embora hoje datado visualmente, é diversão garantida para todos os curiosos, saudosistas e fãs do gênero.

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2 Comentários

  1. Além de ser um dos meus filmes de horror/ficção prediletos, calhou de ser o único projeto de autoração de DVD que eu fiz ainda em DVDLab Pro 2, tenho até hoje as duas versões, americana e italiana com menus animados e extras, com arte de capa e tudo, quem olha jura que eu comprei, rsrsrs!

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