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Super 8 (2011)
Homenagem aos clássicos da década de 80!
Super 8
Original:Super 8
Ano:2011•País:EUA
Direção:J.J. Abrams
Roteiro:J.J. Abrams
Produção:J.J. Abrams, Bryan Burk, Steven Spielberg
Elenco:Joel Courtney, Kyle Chandler, AJ Michalka, Jessica Tuck, Joel McKinnon Miller, Ryan Lee, Zach Mills, Riley Griffiths, Gabriel Basso, Elle Fanning, Britt Flatmo, Jakob Miller, Andrew Miller

No final da década de 70 e em meados dos anos 80, tive várias experiências interessantes com câmeras Super 8. Meu pai costumava registrar as festas e viagens com a câmera, sem som, deixando vestígios em vídeo de um passado conhecido pelas roupas estranhas e uma vasta cabeleira. Nesse período, eu era apenas uma testemunha do gênero fantástico, visualizando com espanto a exibição na parede de casa de Drácula, de 1979, com meus amigos, e a locação do clássico Um Lobisomem Americano em Londres. Foi com essa impressão saudosista que fui conferir o filme do diretor J.J. Abrams, Super 8, apresentado erroneamente como um filme de monstro.

Desde que o projeto fora anunciado, imaginei que se tratava de uma produção no estilo Cloverfield – Monstro – que tem o dedo como produtor de J.J.Abrams -, mostrando uma invasão alienígena através da lente de uma câmera Super 8. A inovação ficaria por conta dos poucos recursos da câmera, que associaria à falta de tecnologia à inocência infantil diante do desconhecido. No entanto, as notícias seguintes alteraram essa percepção de filme real para uma produção comum, tendo um grupo de crianças como testemunhas oculares e em vídeo da chegada de um monstro à uma cidade pequena.

O próprio diretor espalhou pistas falsas pela internet através de vídeos virais que mostravam pesquisas científicas e um cubo em movimento, o que fez com que alguns sites acreditassem que não haveria um monstro, mas um objeto vivo. Essa brincadeira com o público já havia sido feita na série Lost, confundindo o espectador sobre os mistérios da ilha. Na verdade, também foi feita com o filme Cloverfield – Monstro, filmado às escondidas surpreendendo a todos.

Super 8 (2011) (2)

Todo os segredos em torno de Super 8 são justificados quando os créditos surgem na tela do cinema: não é para assisti-lo imaginando um filme no estilo Guerra dos Mundos; há um monstro e muitos efeitos especiais, mas o que importa é a relação entre os jovens e seus pais, suas aventuras e descobertas, além da paixão pelo gênero fantástico! Não pense como um drama ou filme de ação infantil, trata-se de um filme de crianças levado à sério.

Super 8 apresenta um grupo de crianças com o intuito de realizar um filme de zumbis – e isso já vai conquistar qualquer fã do gênero – com uma câmera Super 8. O grupo é formado pelos garotos Joe Lamb (Joel Courtney – guarde esse rosto, você o verá muitos filmes no futuro); o diretor cheio de ideias inovadoras do mini-filme Charles (Riley Griffiths); o zumbi e engraçado Cary (Ryan Lee, que já possui 21 trabalhos em sua filmografia!); o herói Martin (Gabriel Basso, escondido nas lentes dos óculos); e Preston (Zach Mills, outro ator jovem com seus 26 filmes!); além da cobiçada Alice Dainard (Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning, que está em Twixt, de Francis Ford Coppola).

Enquanto realizam uma filmagem numa velha estação de trem, esperando a passagem do veículo para dar mais seriedade à cena, notam o momento em que um carro entra na frente dos trilhos e provoca um gigantesco acidente. Aliás, um acidente extremamente exagerado, pois, na verdade, o carro deveria ter sido apenas destruído e não gerado toda a catástrofe. Alguma coisa escapa dos vagões, deixando um rastro de estranhos cubos por toda a região. Os garotos pegam um exemplar e fogem do local com a câmera destruída, temendo que sejam responsabilizados pelos acontecimentos.

O acidente coloca a pequena cidade em evidência, quando autoridades do exército tentam esconder o que transportavam no trem. Tal situação instiga a curiosidade de Jackson (Kyle Chandler, de O Dia em que a Terra Parou), pai de Joe, policial da região, que tenta entender porque o local anda chamando tanta a atenção e porque insistem em apagar os vestígios da tragédia. Jackson perdera e esposa num acidente de trabalho e culpa Louis (Ron Eldard, de Navio Fantasma), pai de Alice, por ter faltado no dia e permitido a sua substituição. E o próprio Louis tem se afogado em bebidas, tratando mal a filha, e não permitindo a aproximação de Joe, embora a atração tenha sido mútua.

Em meio a tantas crises familiares, os jovens insistem em continuar fazendo o filme de terror, enquanto tentam descobrir os motivos do acidente de trem, envolvendo um velho professor e sua caminhonete. Com toda a movimentação na cidade, é interessante vê-los aproveitar os fatos em seu filme, com cenários reais e soldados, numa criatividade bastante comum nos diretores da década de 50 e 60.

Super 8 (2011)

Ah, sim, existe um monstro rondando o local. Em breve, corpos serão encontrados, algumas pessoas irão desaparecer, assim como os cães, culminando num caos no terceiro ato, quando todos os motivos são revelados. Se há corpos e vítimas, fica claro que o filme de J.J.Abrams não tem a pretensão de apresentar uma comédia inofensiva. Há cenas de aventura e momentos cômicos, mas também mortes e até ferimentos graves naqueles que Spielberg sempre protegeu em seus filmes da década de 80: as crianças!

Talvez o ritmo mais cadenciado e a demora para o monstro agir possam incomodar as pessoas que forem ver com outras expectativas. Ora, é preciso entender o propósito do que será exibido, sem se enganar pelo currículo dos envolvidos – Spielberg e J.J.Abrams. Quando a cena inicial apresentar o clima mórbido de um velório, muitos irão questionar se estão vendo o filme certo. Mas a impressão falsa tem uma leve resposta nas filmagens realizadas pelas crianças – que também dão uma aparência diferente do resultado final -, assim como os efeitos modestos de uma câmera Super 8.

Há homenagens aos clássicos dos anos 80 como Os Goonies, E.T. e até o contexto sério de Conta Comigo, tornando a experiência uma ótima viagem ao passado através das lentes de uma câmera Super 8, quando os filmes priorizavam a diversão e a criatividade. No final, fica apenas a vontade de continuar acompanhando os jovens em novas aventuras na produção de outro filmes amadores, uma aula de ingenuidade e inteligência.

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