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Risco Duplo
Original:Double Jeopardy
Ano:1999•País:EUA, Alemanha, Canadá
Direção:Bruce Beresford
Roteiro:Douglas Cook, David Weisberg
Produção:Leonard Goldberg
Elenco:Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Greenwood, Jay Brazeau, John Maclaren, Ed Evanko, Annabeth Gish, Bruce Campbell, Brennan Elliott, Michael Gaston, Gillian Barber

Uma interpretação rasa da Constituição dos EUA deixa a entender que uma pessoa não poderia ser condenada duas vezes pelo mesmo crime, o que motivou o roteiro de Douglas Cook e David Weisberg, além da persistência da personagem de Ashley Judd. É rasa porque há muitos fatores fantasiosos no longa de Bruce Beresford que poderiam, sim, culminar em uma nova condenação, até mesmo na capacidade exagerada de uma pessoa rica e pública conseguir absolutamente desaparecer. Mas isso não importa quando a proposta é o entretenimento de mais um thriller de “culpado injustamente“, contando com rostos conhecidos como o de Tommy Lee Jones e Bruce Greenwood. É aquele típico filme Supercine, com bons momentos de tensão e suspense, que funciona como passatempo otimista.

Na trama, Judd interpreta Libby, esposa do empresário e fã das aquarelas de Wassily Kandinsky, Nick Parsons (Greenwood), e mãe do pequeno Matty (Benjamin Weir), de quatro anos. Ricos e queridos, suas maiores preocupações até então seriam os eventos de arrecadação de fundos para escolas particulares, realizados em sua mansão, na Ilha Whidbey, e a pressão financeira de seu credor, First Seattle. Para celebrar a “união feliz“, Nick compra para a esposa o veleiro Morning Star, propondo um passeio romântico, enquanto Matty fica sob os cuidados de Angela (Annabeth Gish).

A noite perfeita é interrompida quando Libby acorda e encontra vestígios de sangue por toda a embarcação, além de um faca. Ela é abordada pela Guarda Costeira, acionada como pedido de socorro por Nick, considerado desaparecido. Não demora para que ela seja condenada pelo crime, sendo obrigada a dar a guarda de seu filho a Angela, com a promessa de que esta a visite semanalmente na prisão com o Matty. Quando a cuidadora para de visitá-la, Libby descobre o endereço dela e, ao telefonar para ouvir a voz do filho, nota o momento em que o pequeno diz “papai“.

Consciente de que sofreu um golpe — não explica como a polícia não encontrou qualquer rastro de Nick, sendo o rosto de uma pessoa rica e popular e ainda morador dos EUA —, Libby é orientada pela colega de prisão e ex-advogada Margaret (Roma Maffia) sobre a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos na cláusula “Double Jeopardy“, em que uma pessoa não pode ser condenada duas vezes pelo mesmo crime, ainda mais depois de absolvida. É claro que os roteiristas ignoraram diversos fatores como a “conspiração de assassinato“, modelo de crime e até o porte ilegal de arma. Motivada pela informação, depois de seis anos na prisão, Libby passa a investigar o paradeiro inicialmente de Angela, indo à escola antiga de Matty a procura de informações de seu endereço.

Ela é perseguida pelo incansável agente de condicional Travis Lehman (Lee Jones, que recebeu dez milhões de dólares para aparecer depois de trinta minutos de filme, enquanto Ashley Judd somente um milhão como protagonista), que abandona sua casa de reinserção para caçar a fugitiva. A facilidade de Libby para conseguir se aproximar de Nick, e a de Travis de sempre estar perto dela, mostra o quanto houve uma investigação bem falha sobre a acusação de que o empresário poderia ter forjado sua morte. E, por ser alguém com posses e empresa, chegando ao ponto de fazer um leilão de si mesmo, seria impossível que ele conseguisse assumir outra identidade sem chamar a atenção. Ora, provavelmente houve reportagens sobre a morte dele e a condenação de Libby.

Mas, para o cinema de entretenimento, isso não importa, desde que a heroína corra por uma praia, derrube carros de uma balsa ou saia destruindo veículos numa via pública. O clímax do enredo no reencontro dos dois é típico de qualquer novela no embate entre a mocinha e o vilão, divertindo em sua condição fantasiosa. Transformar Nick em um assassino ao ponto de fazê-lo atirar para todo lado é a cereja do bolo do exagero, ainda que entregue o que o público quer ver.

Com uma boa arrecadação nos cinemas, Risco Duplo é uma bobagem levada a sério. Serve de diversão descompromissada, valendo mais pelo elenco, com a ótima performance de Ashley Judd, do que pelo argumento. E tem uma pontinha de Spencer Treat Clark, que depois se tornaria conhecido pelo papel em Gladiador e Corpo Fechado.

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1 comentário

  1. Que issooooo!!!!! É um dos meus favoritos de 1999. São 5 estrelas e não se fala mais nisso… rsrsrs…

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