O Planeta Proibido (1956)

O Planeta Proibido
Original:Forbidden Planet
Ano:1956•País:EUA
Direção:Fred McLeod Wilcox
Roteiro:Cyril Hume, Irving Block e Allen Adler
Produção:Nicholas Nayfack
Elenco:Walter Pidgeon, Anne Francis, Leslie Nielsen, Warren Stevens, Richard Anderson, Earl Holliman, Jack Kelly, George Wallace, James Drury, Bob Dix, Jimmy Thompson

Produzido em 1956, durante a década de ouro do cinema fantástico, e considerado um clássico absoluto da Ficção Científica, O Planeta Proibido (Forbidden Planet) deve ser homenageado e reverenciado sempre. O filme assinalou um marco histórico no cinema do gênero, com produção da Metro Goldwyn Mayer (MGM) e apresentou um roteiro original que oferecia um futuro onde a humanidade se aventura na vastidão do Universo através de naves espaciais que viajam com velocidades superiores a da luz. Apesar de um tema já largamente utilizado na literatura há mais de vinte anos antes, o assunto era ainda um pouco inexplorado pelo cinema conservador, que continuava estacionado em aventuras não muito distantes de nosso planeta, preferindo os nossos vizinhos Lua e Marte.

A história, de autoria de Irving Block e Allen Adler, é fortemente inspirada no drama “A Tempestade“, de William Shakespeare. Nele, uma embarcação encalha numa ilha encantada (no filme, o cruzador interplanetário C-57D aterriza no planeta Altair IV). Nessa ilha, um mago chamado Prospero vivia com sua filha Miranda e a criada Ariel (no filme, o filólogo Dr. Morbius com sua filha Altaira e o ajudante Robby, um robô especial). No drama de Shakespeare havia ainda o escravo de Prospero, Caliban, que no filme corresponderia ao invisível “Monstro do Id“.

O roteiro ficou a cargo de Cyril Hume, que havia trabalhado em filmes do personagem “Tarzan“; a direção foi de Fred McLeod Wilcox, um aficcionado por astronomia e que havia consultado cientistas e centros de engenharia e astronáutica por três meses; e a produção ficou por conta de Nicholas Nayfack.

(Atenção: contém spoilers)

O filme começa com a chegada do cruzador C-57D ao planeta Altair IV, a serviço dos “Planetas Unidos“, com o objetivo de resgatar um grupo de cientistas colonizadores que lá haviam aterrissado vinte anos antes com a nave espacial Belerofonte, e que nunca haviam dado notícias à Terra. São então estranhamente recebidos com insatisfação pelo Dr. Edward Morbius (Walter Pidgeon) e sua filha Alta (Anne Francis), os únicos seres humanos ainda vivos, e que eram auxiliados pelo fantástico robô Robby, um dos mais famosos robôs do cinema, juntamente com o clone de Maria de Metrópolis (1926), o imponente Gort de O Dia em que a Terra Parou (1951) e o cômico robô da série de TV Perdidos no Espaço (1965-68).

O Dr. Morbius informa então ao Comandante da expedição terráquea, J. J. Adams (Leslie Nielsen), que os outros exploradores da Belerofonte haviam morrido tragicamente devido à uma força invisível e misteriosa, e que somente ele e sua filha eram imunes a essa força. Com a inexplicável insistência do Dr. Morbius em não deixar o planeta e requerer a retirada da expedição recém chegada, além da morte súbita e violenta de um dos oficiais com causas desconhecidas, o Comandante Adams decide ficar e investigar melhor o planeta proibido.

Ele então descobre os segredos de uma antiga e super desenvolvida civilização, os Krell, que vivia em Altair IV num passado muito longínquo. Essa raça conseguiu desenvolver um incomensurável poder mental que eliminou a fome, dor, medos e guerras, mas que inevitavelmente os levou também à extinção. Com o desejo do Dr. Morbius em permanecer no planeta estudando a incrível tecnologia Krell, ele torna-se inconscientemente o responsável pelo surgimento do “Monstro do Id“, uma força invisível e destruidora que é uma projeção dos medos e sentimentos negativos do cientista, que se manifestam numa parte desconhecida do subconsciente de sua mente. Essa força terrível foi a causadora das mortes de seus companheiros anos antes e agora é a fonte ameaçadora dos novos visitantes.

Mas, como sempre, um final feliz e inevitável reserva a fuga intacta do cruzador de Altair IV, com o Comandante Adams levando a jovem e belíssima Altaira, principiando um previsível romance, e deixando o Dr. Morbius no planeta, que explode junto com todo o conhecimento Krell e o “Monstro do Id“.

Sobre os atores principais: Walter Pidgeon (Dr. Morbius) foi o Almirante Nelson do filme Viagem ao Fundo do Mar (1961), que originou a série homônima da televisão poucos anos depois, com criação do lendário produtor Irwin Allen. Leslie Nielsen (Comandante Adams) é hoje bastante conhecido por seus filmes de comédia como a série Corra que a Polícia vem aí (1988). Anne Francis (Altaira) estrelou vários episódios de séries de TV como Além da Imaginação e Os Invasores.

Quanto aos atores coadjuvantes: Warren Stevens (Tenente Doc Ostrow), que morre no filme ao tentar utilizar um aparelho mental dos alienígenas Krell, participou de inúmeras séries de TV dos anos 1960, sendo um rosto bastante conhecido por Jornada nas Estrelas, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e Terra de Gigantes. Richard Anderson (Chefe Quinn), que também morre no filme sendo o primeiro oficial assassinado pelo “Monstro do Id“, foi o memorável Oscar Goldman da série de TV Cyborgue, o Homem de Seis Milhões de Dólares, além de participar também de outras nostálgicas séries como Os Invasores e O Fugitivo. Earl Holliman (o cozinheiro), que fez o papel cômico do filme, estrelou o episódio piloto de Além da Imaginação, “Onde Estão Todos?“, de 1959, além também de ser um marinheiro no elenco fixo da série Viagem ao Fundo do Mar.

O robô Robby representava a síntese harmoniosa entre o progresso científico e o bem social. Cordial, ele tinha em seu programa as famosas três leis da robótica, criadas pelo escritor Isaac Asimov, e sua diretriz principal era a preservação e proteção da vida humana. Manipulado por um ator de baixa estatura que tinha que suportar os 32 quilos da roupagem do robô, a maior parte deles concentrados na cabeça, Robby tornou-se uma celebridade e foi requisitado para atuar em outro filme da MGM, The Invisible Boy (1957), que infelizmente não teve sucesso e o robô foi então encostado nos estúdios, vindo somente a participar como convidado de algumas séries de televisão como Perdidos no Espaço, Além da Imaginação e A Família Addams.

O cruzador interplanetário C-57D é uma das naves espaciais mais tradicionais do cinema, com seu formato típico de disco-voador. A cena em que se aproxima da superfície de Altair IV e aterriza lentamente no deserto do planeta é simplesmente antológica, num dos momentos mais memoráveis da história do cinema de Ficção Científica. A nave participou também de três episódios de Além da Imaginação, um deles escrito por Richard Matheson, “A Nave da Morte“, um dos melhores de toda a série e com a participação do ator Ross Martin (o Artemus Gordon da série de TV de western “James West“).

Os efeitos especiais e cenários do filme são fantásticos. Desde o deserto com céu colorido e duas luas, passando pela casa futurista do Dr. Morbius, até a impressionante cidade subterrânea dos Krell, repleta de imensos controles com luzes piscando e enormes alavancas de acionamento, elementos típicos e sempre presentes nas produções de ficção científica antigas.

Para a realização dos efeitos do terrível “Monstro do Id“, foram utilizados os serviços dos estúdios Walt Disney, sob o comando de Joshua Meador, mestre na tecnologia de animação. Um dos pontos fortes da trama era a invisibilidade do monstro, onde apareciam apenas suas pegadas na areia do deserto próximo à nave. A criatura, uma massa que se arrastava, sendo o equivalente físico dos estímulos primários deformados pelo subconsciente do Dr. Morbius, teve uma rápida materialização óptica quando entrou em contato com o campo de força do cruzador terrestre, e sua forma se assemelhava a uma enorme fera que rugia de forma ameaçadora, talvez até pudesse ser uma referência ao famoso leão Leo, símbolo da produtora MGM. A equipe de efeitos de animação precisou de mais de seis meses para concluir o seu trabalho no filme.

A música eletrônica da trilha sonora é obra de Louis e Bebe Barron, e representou uma revolução na orquestração dos filmes de ficção científica. E juntamente com as músicas de Bernard Herrmann, foram as composições mais originais do gênero.

O Planeta Proibido foi concluído em quinze meses e o orçamento girou em torno de 1 a 2 milhões de dólares, uma quantia considerada alta para a MGM na época, pois seu filme mais caro até então tinha sido Quo Vadis (1951), com US$ 5 milhões. É interessante notar que com o passar dos anos, esse conceito de valores de orçamento para a produção de um filme mudou completamente, pois existem atores atualmente que ganham bem mais do que isso somente para atuarem em determinados filmes. Na época, o filme concorreu ao cobiçado prêmio “Oscar” na categoria de efeitos especiais, mas o vencedor acabou sendo a super produção Os Dez Mandamentos.

Planeta Proibido é um dos maiores filmes de Ficção Científica de todos os tempos, geralmente presente em qualquer lista das dez produções mais significativas no gênero. E sempre que possível devemos relembrar sua importância aos que já o conhecem, ou apresentar aos que ainda o desconhecem. O filme está disponível no mercado brasileiro de DVD pela Versátil Home Video no Box Clássicos Sci-Fi – Vol. 1, ao lado de Eles Vivem (1988), A Ameaça que Veio do Espaço (1953), O Planeta dos Vampiros (1965), Os Malditos (1963) e Fuga no Século 23 (1976). Portanto, utilizando um pequeno trocadilho, “proibido” é não conhecer O Planeta Proibido.

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

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