O Retorno de Mary Poppins (2018)

O Retorno de Mary Poppins
Original:Mary Poppins Returns
Ano:2018•País:EUA
Direção:Rob Marshall
Roteiro:David Magee, Rob Marshall, John DeLuca
Produção:Rob Marshall, John DeLuca
Elenco:Emily Blunt, Lin-Manuel Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Pixie Davies, Nathanael Saleh, Joel Dawson, Julie Walters, Meryl Streep, Colin Firth, Jeremy Swift, David Warner

Depois de muito falatório com relação a um remake de Mary Poppins, um dos maiores clássicos da Disney, ou a uma possível sequência, eis que o novo filme foi ganhando formato e com o primeiro trailer, ficando claro que teríamos, sim, uma continuação. O original estreou em 1964 e teve Julie Andrews no papel da babá mais famosa do cinema rendendo inclusive para ela o Oscar de Melhor Atriz.

Apesar de pegada infantil, Mary Poppins pode ser classificado facilmente como uma produção fantasiosa para toda a família. O filme, dirigido por Robert Stevenson e baseado no livro de P.L. Travers, se passa em 1910 e acompanha a família Banks, cujo severo pai, o senhor Bank, está em busca de uma nova babá para seus filhos levados Michael e Jane. Eis que como em um conto de fadas, Mary Poppins chega voando com sua sombrinha para alegria das crianças que passam a viver em um mundo de fantasia, diversão e muitas músicas. Ao final, até o próprio senhor Banks entra na farra mostrando que Mary Poppins na verdade ajudou toda a família.

Mary Poppins faz parte de uma série de obras canônicas do cinema, semelhante a Psicose para o suspense, Star Wars para a ficção e O Exorcista para o horror. Pensar em uma sequência, ou até uma refilmagem, significava um grande desafio por parte dos novos realizadores. A parte 2 deveria seguir os pontos matrizes da trama original ao mesmo tempo em que também deveria agregar novos elementos. Trata-se sempre de uma complicada operação matemática que muitas vezes resulta em produtos irregulares.

Um dos principais problemas de uma Mary Poppins 2 seria justamente encontrar uma substituta para Julie Andrews, hoje com 83 anos e muito bem aposentada. A escolha para a nova babá veio no nome de Emily Blunt, de sucessos como Um Lugar Silencioso e O Diabo veste Prada. Blunt está muito bem no papel. O novo filme foi divulgado massivamente e finalmente estreou no final de 2018.

O que vemos na tela é um esforço em manter equilibrado o que se pode esperar de uma nova leitura de Mary Poppins. A história acontece cerca de 20 anos depois dos eventos vistos no primeiro filme. Michael e Jane, agora adultos, enfrentam dificuldades financeiras. Michael (Ben Whishaw) se tornou um homem seco e distante dos três filhos após a morte da esposa. Mesmo com a ajuda de Jane (Emily Mortimer), a família está para perder a casa já que Michael não consegue pagar as dívidas que fez com o banco.

Neste cenário de desilusão, os filhos de Michael acabam recebendo a visita de Mary Poppins, que vem do céu novamente, mas desta vez desce usando uma pipa. De volta para a casa dos Banks, Michael e Jane parecem não acreditar que a antiga babá da infância esteja de volta e sem ter envelhecido um único dia.

O filme vai então acompanhar as aventuras das crianças com Mary Poppins enquanto  Michael parece ter dúvidas quanto ao que está acontecendo e no que ele se lembra da sua infância. Tudo claro é recortado por números musicais e sequências visuais de tirar o fôlego.

Existe um esforço muito grande em se acertar e a sensação é positiva em parte dos aspectos. A direção de Rob Marchall, de Chicago e Memórias de uma Gueixa, é primorosa como se espera em qualquer super produção da Disney. A pergunta que fica então é se o novo filme é tão bom quanto o original. A resposta é negativa. O problema, se é que podemos tratar como um problema, é que o novo produto parece muito requentado. Algumas situações são muito semelhantes ao que já foi visto no primeiro filme e neste aspecto O Retorno de Mary Poppins parece se manter em uma zona de segurança.

No primeiro filme, por exemplo, Mary Poppins mostra em um contato inicial para as crianças como é divertido arrumar o quarto. Nesta parte 2, a diversão do começo fica para a hora de tomar banho. O personagem de Jack (Lin-Manuel Miranda) nada mais é do que uma versão atualizada do personagem Bert do primeiro filme. O antagonismo em ambos os filmes gira em torno do banco no qual os Banks trabalham. Funciona, mas em alguns momentos durante a trama é possível termos aquela velha sensação de déjà vu.

Além disso, o filme possui alguns excessos que acabam tornando a ação em alguns momentos arrastada. Com uma duração de 2h10, esta parte 2 talvez funcionasse melhor se tivesse 1h40 ou 1h45. A sequência com Meryl Streep, por exemplo, é totalmente dispensável. Todos amamos Meryl, mas a participação dela apenas retarda a ação do filme.

De qualquer forma, trata-se de um produto que merece ser conferido principalmente no cinema. Não viu o primeiro e está em dúvidas se vai entender a este segundo? Pode ir sem medo já que O Retorno de Mary Poppins é bastante auto-explicativo. Mas para tornar a experiência mais completa, aproveite que o filme de 1964 está disponível no catálogo do Netflix.

Curiosidades:

– Uma sequência para Mary Poppins começou a ser desenhada em 1965, logo após o lançamento do filme. O próprio Walt Disney começou a desenvolver o projeto, mas ele logo obteve um sonoro não da autora P.L. Travers, que além de ter demorado 20 anos para ter liberado os direitos para o primeiro filme, detestou o resultado.

No final dos anos 80, os estúdios Walt Disney tentaram novamente convencer Travers com a ideia de uma sequência com as crianças Banks adultas e Julie Andrews reprisando o papel de Mary Poppins. Travers novamente rejeitou a proposta.

– Como o filme original, O Retorno de Mary Poppins inclui sequências que combinam os atores com animações. Apesar de algumas sequências serem feitas por computador, outras foram realizadas como no filme de 1964, ou seja, desenhadas à mão.

– Apesar de inglesa e de ter claramente sotaque britânico, Emily Blunt trabalhou ainda mais para ter um sotaque ainda mais forte.

Julie Andrews foi convidada para fazer uma participação especial como a vendedora de balões. Andrews agradeceu, deu suas bênçãos para o filme, elogiou Emily Blunt e recusou o convite. Digno da parte dela.

– Já Dick Van Dike, que fez o limpador de chaminés Bert no filme original, aceitou fazer uma participação especial na sequência. Aos 92 anos, Dike faz o senhor Dawes Jr, com direito até a um pequeno número musical.

– Alguns personagens secundários do primeiro filme estão de volta nesta sequência, mas interpretados por outros atores. Destaque para o almirante Boom e seu ajudante e para a empregada Helen.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

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