Terror a Bordo (1989)

Terror a Bordo
Original:Dead Calm
Ano:1989•País:Austrália
Direção:Phillip Noyce
Roteiro:Terry Hayes, Charles Williams
Produção:Terry Hayes, George Miller, Doug Mitchell
Elenco:Nicole Kidman, Sam Neill, Billy Zane, Rod Mullinar, Lisa Collins

Após um trágico acidente que envolveu a morte do filho, em um flashback detalhista e desnecessário, Rae (Nicole Kidman) aceita o convite para um relaxante passeio de barco, sugerido pelo marido, o oficial da marinha John Ingram (Sam Neill). A tranquilidade se desfaz quando, no meio do Oceano Pacífico, o casal encontra um homem à deriva, clamando por ajuda. Hughie Warriner (Billy Zane) é bem recebido, e conta uma estranha história sobre a morte de todos os tripulantes de seu barco, passível de ser visto à distância, e um eminente naufrágio.

Desconfiado do relato, John espera que o estranho adormeça, prende-o num quarto, e vai até a embarcação verificar com seus próprios olhos. Ao encontrar os corpos no local e vídeos que sugerem uma mudança de comportamento e ações violentas de Hughie, ele tenta retornar ao barco, mas o visitante acorda e se solta, colocando ainda por cima o veículo para se movimentar, afastando-se de John. Enquanto este retorna ao barco do estranho para tentar fazê-lo se mover, Rae fica à mercê do insano, tentando encontrar meios de se comunicar com o marido, atrasar o barco para que ele possa alcançá-lo.

Um thriller marítimo e claustrofóbico com apenas três personagens, Terror a Bordo se constrói em um triângulo de possibilidades, a cargo de um roteiro escrito por Terry Hayes, com inspiração no romance de Charles Williams, e produção de George Miller (Mad Max), que consegue trazer um bom dinamismo apesar da ambientação reduzida. Isso se deve à narrativa, bem desenvolvida, que coloca John em uma situação de um pesadelo solitário na tentativa de salvar uma embarcação em vias de se afundar, e Rae, em sua busca pela confiança do estranho, tendo, inclusive, que se entregar fisicamente a ele.

Há méritos também para a condução de Phillip Noyce, de outros thrillers como Jogos Patrióticos (1992), Invasão de Privacidade (1993), Perigo Real e Imediato (1994) e O Colecionador de Ossos (1999). Em Terror a Bordo, ele já demonstra uma boa habilidade para comandar uma produção de enredo simples, mas movimentado. Dentre os destaques, há a cena em que John fica submerso no iate do estranho, preso devido a um improvável acidente, enquanto sua esposa se envolve sexualmente com Hughie: Noyce cria uma rima cinematográfica ao relacionar as forças da batida de John com a movimentação do estranho no estupro.

Além do mais, o elenco ajuda. Até mesmo Nicole Kidman, com apenas 20 anos, mas com “uma belíssima estrutura óssea na face“, faz bem o papel de mãe e esposa preocupada, sem deixar dúvidas em sua fidelidade, uma vez que o estranho poderia ser a ponta de um triângulo. Billy Zane transmite a boa confiança que o levaria a papéis ainda maiores em Hollywood – ele até então tinha feito pontas em De Volta para o Futuro (1985) e Criaturas (1986). Já Sam Neill possuía uma carreira sólida com boas interpretações, como em A Profecia III: O Conflito Final (1981) e Possessão (1981). A química entre eles funcionou de maneira absoluta, rendendo boas alternativas para o enredo.

Por fim, vale mencionar uma interessante trívia. Terror a Bordo passou a ser remake há alguns anos. Entre 1967 e 1969, Orson Welles dirigiu um longa inspirado na mesma obra, intitulado Dead Reckoning, estrelado por Jeanne Moreau, Laurence Harvey, Michael Bryant, e a esposa de Welles na época, Oja Kodar, além do próprio. Contudo, devido a morte de Laurence Harvey, em 1973, e a necessidade de refilmar algumas cenas, o filme não havia sido terminado. Em 1997, a viúva do cineasta, Paola Mori, disse que o material havia sido revisado e estaria “tão bom quanto completo” e estava em busca de distribuição. Em 2007, por fim, houve a exibição do material na Alemanha, para depois chegar aos EUA em novembro de 2015. Apesar dos esforços, muitos remendos e narrações foram necessárias para que a produção tivesse uma linha narrativa coerente.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

2 comentários em “Terror a Bordo (1989)

  • 09/08/2020 em 22:47
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    Achei muito bacana a vez que assisti, me lembrou muito a vibe de atração fatal, em
    relação ao suspense, igualmente quando assisti a mão que balança a berço.

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