4.8
(5)

Aprisionados pelo Medo
Original:Lurking Fear
Ano:1994•País:EUA
Direção:C. Courtney Joyner
Roteiro:C. Courtney Joyner, H.P.Lovecraft
Produção:Oana Paunescu, Vlad Paunescu
Elenco:Jon Finch, Blake Adams, Ashley Laurence, Jeffrey Combs, Allison Mackie, Paul Mantee, Vincent Schiavelli, Luana Stoica, Adrian Pintea, Ilinca Goia

Que Lovecraft é um dos autores mais complicados para se adaptar já não é novidade. Até mesmo os melhores exemplares, aqueles que resultaram em filmes cult de horror, tocaram o trabalho original de maneira sutil, usando-o como uma breve inspiração. Fazem parte dessa lista Re-Animator, Do Além e até Dagon, entre tantas outras produções que valem pelo menos uma conferida. Dentro de um universo rico de criaturas indizíveis e seres inomináveis, quando a adaptação é exageradamente distante do texto que a inspirou e ainda há falhas gritantes de roteiro e desenvolvimento, surgem filmes como o horrendo Aprisionados pelo Medo (Lurking Fear), lançado em 1994, com um bom elenco e criaturas até arrepiantes e uma proposta quase claustrofóbica, embora toda a mistura tenha resultado em algo intragável. E o pior é que eu já cheguei a gostar dele.

Aprisionados pelo Medo é uma adaptação do conto “The Lurking Fear“, escrito em novembro de 1922, com publicação seriada no periódico “Home Brew“, entre janeiro e abril do ano seguinte. Traz no enredo a jornada de um caçador de monstros em sua passagem pela Tempest Mountain, na cordilheira Catskills, local de onde saíram histórias sobre criaturas que habitavam regiões próximas à Mansão Martense. O conto é dividido em quatro capítulos, contando o momento em que ele resolve passar uma noite na casa, com dois guarda-costas, sua investigação sobre o passado da família Martense, até culminar no túmulo e nos vales que circundam a mansão e que possuem túneis subterrâneos. O protagonista descobre que os Martenses são as próprias criaturas, em uma involução ocasionada pelo isolamento e as relações incestuosas.

O longa, dirigido por C. Courtney Joyner (de vários outros filmes da Full Moon, como Luta pela Sobrevivência e Trancers 6), começa com uma criatura tentando roubar um bebê de suas irmãs e depois a saída da prisão de John Martense (Blake Adams), que, embora diga que “não tenha nada“, simplesmente aparece dirigindo um conversível. Ele vai ao encontro do amigo da família, Knaggs (Vincent Schiavelli), que trabalha em um necrotério, e possui a metade de um mapa que indica a localização do dinheiro de um assalto cometido pelo pai de John: enterrado com um corpo da família em um cemitério em Lefferts Corner. O problema é que o dono do cassino, Bennett (Jon Finch), sua fiel companheira, Sra. Marlowe (Allison Mackie), e o brutamontes Pierce (Joe Leavengood) também estão atrás dos valores e irão persegui-lo até o local.

Lá os habitantes estão buscando refúgio na igreja do Padre Poole (Paul Mantee), enquanto planejam uma ação explosiva sob o comando de Cathryn Farrell (Ashley Laurence, depois de fugir dos cenobitas) e o apoio do Dr. Haggis (Jeffrey Combs, sempre presente nas produções da Full Moon e adaptações de Lovecraft). Não há muitas explicações sobre outros moradores locais, além de um garoto estranho com uma máscara e que some sem maiores explicações ou uma moça perdida pelo caminho, com um dos olhos vazados. Também não se explica como as pessoas que residem ali nunca foram embora, sabendo das investidas das criaturas, e por que optaram por destruí-las – sabe-se da vingança de Cathryn ao ocorrido com a irmã no prólogo, apenas – somente agora. Poderia imaginar algo como o enredo da série From aka Origem, em que as pessoas estão presas na cidade e à noite pertencem aos monstros, mas não é bem assim que o roteiro de Joyner quis deixar a entender.

Aprisionados pelo Medo (1994)

Ainda que os poucos habitantes busquem abrigo na igreja, também fica a dúvida do por que se preocuparam tanto em tapar um buraco no local ao invés de cobrir as janelas. E as criaturas também não se mostram tão ameaçadoras pois não circundam o ambiente como em A Noite dos Mortos-Vivos, e ainda permitem um entra e sai constante do abrigo, seja para buscar um caminhão ou até cavar uma cova. Não há qualquer explicação pela aparência monstruosa dos Martenses e nem a razão por não afetar John. Isso sem falar em outras dúvidas deixadas como o cadáver encontrado em boas condições em caixões e nos túneis subterrâneos, por que os personagens insistem em ficar sozinhos, o que aconteceu com o bebê do começo, por que elas só atacam na tempestade e depois da meia-noite… e por que John, depois que chegou à cidade à luz do dia e viu um garoto estranho, desapareceu por horas, só aparecendo no cemitério muito mais tarde.

Deve-se enaltecer o aspecto das criaturas e que poderia resultar em um terror muito mais atmosférico e arrepiante. A cena em que o padre é observado por uma delas, por exemplo, é bem interessante. Mas não são suficientes para valer uma recomendação. Entre as curiosidades que envolvem a produção, fica a dúvida sobre como seria a versão inicial planejada por Charles Band, com a direção de Stuart Gordon e a presença de Barbara Crampton. Seria mais uma vez uma reunião familiar muito melhor do que as dos Martenses, pode ter certeza.

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