4.4
(15)

GOAT
Original:GOAT
Ano:2025•País:EUA
Direção:Justin Tipping
Roteiro:Justin Tipping, Zack Akers, Skip Bronkie
Produção:Ian Cooper, Jordan Peele, Win Rosenfeld, Jamal M. Watson
Elenco:Marlon Wayans, Tyriq Withers, Julia Fox, Tim Heidecker, Jim Jefferies, Maurice Greene, Indira G. Wilson, Geron McKinley, Heather Lynn Harris, Don Benjamin, Naomi Grossman, Adam Tedesco, Bryce Dylan

por Gabi Santos

Desde o seu anúncio, GOAT foi envolto em um marketing massivo que estampava o nome de Jordan Peele em letras garrafais, estratégia que serviu como chamariz certeiro para a associação direta do longa com o diretor de Corra!. A presença da produtora de Peele, a Monkeypaw, foi usada para aumentar ainda mais a curiosidade do público, embora Peele atue apenas como produtor, e não como roteirista ou diretor.

Quem assume a direção e também assina o roteiro é Justin Tipping, cineasta que vem de uma trajetória na televisão e antes de GOAT dirigiu seu primeiro e único longa, o drama Kicks, em 2016, muito bem recebido pela crítica por sua abordagem sobre a juventude negra nos subúrbios dos Estados Unidos. Em Kicks, acompanhamos um adolescente que tem seu par de tênis roubado por um bandido local e embarca com os amigos em uma perigosa missão para recuperá-los.

Em GOAT, Cam Cade (Tyriq Withers), um jovem astro do futebol americano, é convidado por seu ídolo, Isaiah (Marlon Wayans), para um retiro de treinamento que rapidamente se transforma em um perigoso jogo psicológico.
O longa inicia com um ritmo dinâmico e uma montagem acelerada que imprimem a atmosfera competitiva e a constante pressão do universo que apresenta. Embora prenda a atenção nos primeiros minutos, esse recurso logo se torna repetitivo e previsível, freando seu impacto conforme a trama avança.

Com tons saturados e enquadramentos milimetricamente construídos, GOAT é visualmente imponente. Justin Tipping aposta em uma linguagem imagética que relaciona a grandiosidade do esporte ao espetáculo, misturando referências de videoclipes de hip-hop e comerciais de grandes marcas esportivas com doses precisas de gore. Tipping usa o suor e o sangue não só como elementos estéticos, mas como parte da narrativa visual, revelando o ponto em que o esforço se torna autodestruição.

O problema é que essa estética, que funciona bem no início, logo se esgota. E o que antes era uma escolha estilística interessante se transforma em um recurso visual exaustivo para o espectador.

O roteiro usa o esporte como alegoria para discutir temas como idolatria, obsessão, masculinidade tóxica e a exploração de corpos negros. Há uma premissa interessante em construir um paralelo entre o futebol americano e uma seita, onde a fé, a obediência e o sacrifício se misturam em um mesmo ritual de devoção e poder. No entanto, apesar da tentativa de equilibrar sátira e crítica social, o texto falha em sua execução, e o que deveria ser um retrato incômodo do sistema acaba soando ora exagerado, ora literal demais, mas sempre conduzido de forma rasa, como se não parecesse acreditar nas próprias ideias.

A trilha sonora é um dos maiores trunfos do longa e acompanha o clima de tensão e grandiosidade que o filme tenta construir, usando o silêncio de forma pontual para potencializar a sensação de desconforto e enclausuramento do protagonista. Há momentos em que a trilha parece estar em maior sintonia com o tom do filme do que o próprio roteiro, contribuindo para o impacto emocional que as atuações não conseguem alcançar, segurando cenas que, de outra forma, teriam ainda menos força.

As atuações, em geral, não contribuem para o impacto que GOAT parece buscar. Tyriq Withers apresenta um protagonista sem carisma e que não sustenta o mínimo de peso dramático que seu personagem exige. Sua atuação é tão monótona que faz com que o arco do quarterback Cam não tenha força à medida que a história avança.

O maior destaque vai para Marlon Wayans, que entrega um personagem que transita entre um mentor carismático, quase messiânico, e uma figura autoritária, tomada pela loucura causada por sua própria obsessão, mas a sua atuação se perde entre os extremos. Apesar de muitos momentos acertar o tom, no fim, Wayans não consegue carregar o filme sozinho.

GOAT é como um time que treina para o espetáculo, mas esquece o jogo. O filme parece tão obcecado em ser aesthetic o tempo todo que acaba sufocando a própria mensagem que queria transmitir. Um dos títulos mais aguardados por muitos, e que inicialmente parecia promissor, termina como uma das maiores decepções do gênero no ano.

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